O ano de 1997 foi um divisor de
águas na minha vida, sem sombra de dúvidas. Eu começava o terceiro semestre do
curso de administração de empresas na Universidade Federal do Rio Grande do
Norte no meio do ano, e começava a me interessar pelos assuntos econômicos do
país e do mundo. Eu havia acabado com todas as minhas tentativas de empreendedor
(fábrica de gelo, jornal teen e lanchonete) e resolvi me dedicar somente aos
estudos.
Era o terceiro ano do primeiro
mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. O país vivia ainda sob a
euforia do Plano Real. O programa de estabilização foi extraordinário no
combate à inflação, mas estava esbarrando na falta de crescimento.
Uma consequência direta dessa
falta de crescimento é o desemprego. E para crescer é preciso ter dinheiro,
financiamento. E pro governo ter esse dinheiro, é preciso ter as contas
equilibradas. E pra equilibrar essas contas, era preciso fazer reformas que o
governo ainda não havia feito.
Pra completar, tivemos uma crise
em Hong Kong, que fez com que os investidores retirassem o dinheiro da bolsa de
lá. Acontece que o investidor global quando precisa, vende as ações que tem
mais liquidez pra cobrir suas posições em outro lugar. E isso provoca quedas
nas ações do mundo todo.
Então quando o investidor sai do
país, seu dinheiro é convertido em dólar. Aí quando esse dinheiro sai em massa,
falta dólar no mercado e o preço do dólar sabe. Foi por isso que o governo FHC
interviu, lançando dólares na praça pra manter a paridade do Real diante do dólar.
Mas pra decepção da oposição, no
caso da época representada pelo PT, a crise de Hong Kong mostrou um lado forte
do Brasil. A queda das bolsas brasileiras foi grande porque as ações
brasileiras tinham muita liquidez. Telebrás, Petrobrás, Telesp e Eletrobrás,
que eram mais de 80% do mercado brasileiro, foram vendidas rapidamente porque
tinham muitos interessados em compra-las.
O outro ponto positivo foi a demonstração
de competência do Banco Central no controle da crise, utilizando as reservas em
dólar. O problema podia ter sido muito mais sério se não tivessem agido com competência.
No México a desvalorização da moeda foi de 7%. O ponto negativo foi ver que o
Plano Real dependia demais do dólar, da chamada âncora cambial.