Dois dias antes de eu nascer, em uma quinta-feira, dia 5 de junho de 1975, reabriam
o Canal de Suez. O Canal havia sido fechado desde a guerra de junho de 1967. Foi
construído pelo engenheiro francês Ferdinand de Lesseps, e inaugurado em 1869
pela imperatriz Eugénie.
O Canal é situado no Egito e até 1966, rendia ao país uma média de 240 milhões
de dólares anuais em pedágios. Porém, somente pra desobstrui-lo, os egípcios
gastaram mais de 300 milhões de dólares, pagos à equipes americanas, soviéticas,
britânicas, francesas e até mesmo egípcias para retirarem 8525 explosivos, 127
pedaços de pontes, 16 caminhões, 8 tanques, 104 pequenas embarcações, 10 cascos
de grandes navios, 15 aviões, alem de barris de óleo, ancoras, latas e 685 mil
minas que estavam espalhadas nas duas margens.
O fechamento do Canal de Suez causou grandes transtornos. Como não dava pra
usa-lo, o Oceano Índico voltou a ser ligado ao Oceano Atlântico através do
contorno do Cabo da Boa Esperança. Por causa disso, e pra compensar as maiores
distancias, foram construídos super petroleiros de mais de 300 mil toneladas.
Com isso, Suez perdia um pouco a sua importância. Em 1967, 74% da frota
mundial usava o canal. Já em 1975, a percentagem da frota mundial que passava
por lá era de apenas 27%, pois o canal só suportava navios de até 70 mil
toneladas.
Mas isso não era motivo de desânimo, pois a reabertura iria ajudar muitos
países. Por exemplo, a distância entre Marselha e Japão caia pela metade e as
frutas do rico litoral oriental da Africa voltaram a ser vendidas na Iugoslávia
e na Turquia.