quarta-feira, junho 29, 2011

A diferença fundamental

Americanos brigam de soco. Boxe é a luta nacional. John Wayne nunca usou as pernas pra brigar. Já os brasileiros brigam com as pernas. Não os lutadores de vale-tudo, mas o brasileiro comum. Quando começa uma briga no Brasil, vê-se logo pernas voando e chutes no incauto. Se o sujeito ficar em posição de boxe, será logo ridicularizado. Na América não, é comum isso acontecer.

Os americanos usam a parte de cima do corpo, os brasileiros usam a parte de baixo. Americanos usam as áreas mais nobres do corpo, os brasileiros às menos nobres. Eles estão mais perto do céu, o brasileiro do inferno. Ah, estão acima dos brasucas, pois estão no Norte e o Brasil, no sul. Na economia, também estão por cima.

No americano, o equilíbrio corporal é no peito, por isso a força escorrem pelos braços e estouram nos punhos. No brasileiro, o ponto de equilíbrio está na cintura. Um brasileiro é reconhecido na multidão pelo modo de mexer a cintura. Por isso a força escoa para as pernas e resultam em força e agilidade no percurso que vai até a ponta dos pés.

Uns poderiam dizer que são heranças dos negros, por isso temos essas características. Mas nos Estados Unidos também tem negros e eles também brigam com os punhos, a exemplo de Joe Louis, Muhammad Ali, Mike Tyson, George Foreman, Evander Holyfield e tantos outros boxers negros. E mesmo quando tentam jogar com a bola, os negros americanos escolherem o basquete, que se joga com as mãos.

Mesmo o futebol deles é jogado com as mãos. E é por tudo isso que se foi dito acima que o brasileiro é tão bom no nosso futebol, aquele que se joga com os pés, que precisa da cintura que gira do jeito da que conhecemos, mesmo estando por baixo na economia, no sul da geografia e mais perto do inferno.

terça-feira, junho 28, 2011

Previdência sem providência

Tem uma coisa que me preocupa intensamente. Saber se irei receber ou não todas as contribuições que fiz para a minha aposentadoria através do Canadian Pension Plan, o famigerado CPP, que nos assalta todo Abril quando fizemos a declaração de imposto de renda de pessoa física.

Ora, o CPP é o mesmo que a previdência social brasileira, isto é, coleta o dinheiro de forma compulsória. Não temos como fugir. É complicado, pois quem sabe um pouco disso, tem a noção que contribuímos pra um fundo que nem sabemos se permanecerá vivo quando chegarmos a idade de descansar.

Na teoria, a previdência social e o CPP tem três objetivos.

1) Assegurar aposentadorias razoáveis;
2) Transferir recursos pros mais pobres e;
3) Acumular poupança pra alavancagem do desenvolvimento.

No caso do Brasil, as aposentadorias miseráveis são a maioria e uma minoria recebe uma fortuna. Na mão grande, a poupança dos pobres é usada pra financiar aposentadorias precoces (exemplo: sujeitos com menos de 50 anos se aposentam devido à alguma conquista “justa” trabalhista) e especiais de grupos politicamente mobilizados (exemplo: alguns funcionários federais da área de educação).

No Canadá, pelo menos nesse aspecto, funciona de forma invertida. Sim, alguns funcionários federais e alguns outros sortudos recebem pensão integral ou 70% do salário, mas eles tem contribuição a parte. Assim, quando um sujeito já tem uma pensão garantida ou mais alta do que o esperado, ele passa por um negócio chamado Ajuste de Pensão (PA, Pensão Adjustment), que faz com que diminua o dinheiro que sai do CPP pra ele todo mês. Portanto, quem tem dinheiro, não mama muito na CPP.

Com esse sistema, a terceira função não pode ser cumprida, pois não há acumulação de poupança à ser investida, pois tudo é consumido com os gastos do momento com os aposentados de hoje. Não existem reservas e nem capitalização. E isso é um privilégio de ambos os países. Isso acontece porque? Por uma falha no cálculo atuarial, que é difícil de ser alterado, não foi-se calculado que o número de jovens que nascem seria menor do que o número de velhos. Assim, o dinheiro arrecadado é menor do que o dinheiro a ser distribuído.

Dessa maneira, o sistema previdenciário de contribuição coletiva é:

1) Anti-democrático;
2) Anti-social e;
3) Anti-desenvolvimentista.

Anti-democrático pois priva o cidadão de escolher quem vai administrar sua poupança, pois as contribuições são compulsoriamente entregues ao INSS e ao Canada Revenue Agency (No caso dos dois países em questão). Na verdade, a contribuição vira uma espécie de imposto.

Anti-social, no caso do Brasil, porque as contribuições ficam à sanha de grupos politicamente organizados que auferem benefícios desproporcionais. Lógico, que são eles que controlam a grana. Os pobre nunca controlam e nem irão controlar nada. No Canadá existe um pouco mais de equilíbrio devido ao Pension Adjustment.

Anti-desenvolvimentista pois as contribuições são gastas pra pagar os gastos correntes de aposentadorias, sem alavancagem de investimentos através das cadernetas. Acredito que aqui nesse quesito os dois países possuem problema semelhante.

Qual seria a solução? Ora, mais uma vez é destruir a idéia de coletivo e partir pra um sistema de capitalização individual providenciaria. Nesse sistema, o benefício é sempre o valor da sua contribuição individual capitalizado, eliminando o incentivo à busca de aposentadorias precoces ou especiais.

Com esse plano, a previdência passaria a ser de responsabilidade do indivíduo, cabendo ao governo supervisionar e fiscalizar os administradores da poupança providenciaria e complementar a renda daqueles que ao final da vida laboral não alcancem um mínimo vital garantido por lei.

No caso canadense, apesar da contribuição compulsória do CPP, o governo incentiva bastante à poupança privada com a utilização do RRSP. O Registered Retirement Savings Plan é um auxílio que o governo dá como forma de incentivo à previdência privada, uma vez que permite que você contribua em até 18% do seu salário e você ganha de duas formas:

1) O lucro do dinheiro aplicado nessa conta não é taxado, assim o dinheiro cresce mais livremente. Embora você vá ser taxado quando se aposentar, o fator dos juros compostos favorece o contribuinte;

2) O valor da sua contribuição diminui da sua renda total, podendo abaixar a sua alíquota. Por exemplo, um sujeito ganha 45 mil dólares por ano e contribui 8 mil pro RRSP, ele pode baixar sua alíquota em mais ou menos 10% (são números aleatórios, não sei os números das alíquota desse ano), pois no sistema canadense quanto mais você ganha, maior é a sua alíquota.

Portanto, o meu medo é que uma hora venha algum galante governante e diga que o dinheiro do CPP não existe mais, pois foi usado pra isso, aquilo e quilôto. Mas vamos em frente, seguindo as regras e pulando as fogueiras que dá.

quinta-feira, junho 16, 2011

Será que ele sobrevive?

Um dos maiores orgulhos da província de Ontário, no Canadá, é a Research In Motion, firma que criou o Blackberry em 1999. Localizada na cidade de Waterloo, a RIM, como é conhecida, revolucionou a produtividade móvel. Por quase uma década, a empresa liderou facilmente este mercado, pois provia o melhor gadget do mercado. A RIM silenciou todos os críticos e literalmente aposentou a Palm, que era a líder anterior dos Gadgets. E claro, transformou todos os shareholders em pessoas muito ricas.

Porem, agora, a RIM está com os dias contados, segundo metade dos críticos. Tudo porque a RIM perdeu a liderança do mercado e a sua porcentagem de mercado está caindo rapidamente. E muitos dos viciados em Blackberry estão trocando seus aparelhos por iPhones ou Androids.

A RIM argumenta que o deslize da companhia é apenas temporário, que dentro em breve eles estarão novamente no topo. Mas, grande parte do mercado não está acreditando nisso. Acham que a RIM se transformará numa Nokia ou como eu disse antes, na Palm. E eles enumeram três razoes pra que isso aconteça. Elas são:

1) O produto da RIM não é o melhor do mercado. Acham que essa é a principal razão. Acham que a grande maioria dos usuários agora preferem a maior capacidade dos iPhones e Androids, especialmente os apps e os navegadores de Web. E muitos dos que precisam da segurança do Blackberry, agora andam com dois telefones, para poderem também usar as benesses do iPhone e Android.

2) O mercado de Smartphones se transformou num “Platform Market”, da mesma forma que o Windows fez na era do PC. Ou seja, mercados tecnológicos onde companhias terceirizadas criam seus programas ou aplicações para rodar em um determinado sistema operacional ou outro produto. E essas empresas terceirizadas tendem a ficarem parceiras de apenas um ou dois líderes de mercado. Graças a explosão de apps disponível pra iPhones e Androids, o mercado de Smartphones está cada vez se transformando num Platform Market. A RIM tem uma quantidade bem menor de firmas desenvolvendo apps pro seu telefone do que a Apple e a Google.

3) A segurança sempre foi o maior atrativo do Blackberry, mas as companhias agora estão deixando seus empregados usarem o aparelho que quiserem. E muitos não estão escolhendo os Blackberries. E mais, muitas companhias estão dando produtos da Apple pros funcionários, coisa que não acontecia há alguns anos atrás. O que era considerados telefones para brincar, agora estão sendo considerados bons pelas empresas. E isso é ruim pra RIM.

Alem de tudo isso, alegam os críticos, ainda tem a perda de credibilidade do management da RIM, especialmente de um dos CEOs, o Jim Balsillie. A RIM vem prometendo que os novos produtos vão ser maravilhosos e não renderam tanto fogo quando chegaram ao mercado. O Torch, por exemplo, não agradou e nem vendeu mais do que o iPhone. A mesma coisa aconteceu com o Playbook, o competidor do iPad.

Mas, do outro lado da rua, existem os que dizem que a RIM vai dar a volta por cima e vão continuar a ser o orgulho de Ontário. A obsessão da Rim com segurança pode dar uma vantagem à companhia, tendo em vista os vexames dados pela Amazon, Apple e Sony, com vazamentos de dados de usuários. Alem do que, a RIM está muito bem financeiramente e possui uma situação fiscal invejável. Ao contrario do que pensam, a RIM pode estar se preparando pra dar outro bote.

A RIM não possui dividas e está sentada num paiol de 2 bilhões de dólares em cash, somente esperando pra ver onde vão ser colocados. Só pra se ter uma ideia, o retorno do investimento da RIM foi de 38%. Google, Microsoft e Exxon tiveram retorno da ordem de 20% no mesmo período.

Assim, os observadores mais incautos, ficarão surpresos ao saber do incrível crescimento da empresa nos últimos 3 anos. Entre os anos fiscais de 2008 e 2011, o faturamento da RIM quase triplicou. Era da ordem de 6 bilhões de dólares e pulou pra 20 bilhões de dólares.

Claro, esse número é apenas um terço dos 65 bilhões de dólares que a Apple faturou em 2010, mas cavando um pouco mais fundo nos livros contabeis das empresas, vemos uma coisa curiosa. No mais recente ano fiscal, a Apple gastou 1,78 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento, o que é 2,73% do seu faturamento. Em contraste, a RIM gastou 1,35 bilhões de dólares, o que é 6,78% do seu faturamento.

O que isso quer dizer? Que a RIM pode mudar sim a maré de sorte. Comprou 14 pequenas companhias, incluindo a QNX Software, que faz os sistemas operacionais de trens de alta velocidade e plantas de energia nuclear. O QNX está sendo cotado pra ser o novo sistema operacional do Blackberry.

O negócio do QNX é gigantesco. Esse software vai dar uma nova vida ao antigo sistema operacional do Blackberry. Isso pode ser um grande passo, pois a segurança do Blackberry pode ser o fator que o diminui frente aos mais “sofisticados” smartphones. Se conseguirem empatar com os competidores e garantirem um sistema operacional de ponta, vão estar de novo na frente.

Eu mesmo fico irritado com o meu Blackberry pois não aceita “Flash” e a maioria dos websites usam “Flash”. Mas a segurança é uma coisa vital. Recentemente, dois usuários de iPhone tiveram detalhes de sua localização e arquivos não criptografados revelados. Estão processando a Apple.

A preocupação com a segurança dos iPhones está aumentando e aparecendo mais na mídia, o que pode ser bom pra RIM. E o iPad tem o mesmo problema de fraca criptografia do iPhone. Alguns até acham que o governo monitora o trafico de informações dos iPhones, devido à facilidade de acesso.

Em suma, com uma grana preta nas mãos, um robusto e poderoso novo sistema operacional e um mercado global de smartphones que cresce em passos frenéticos, a RIM aposta que não ficará pra trás nessa corrida.

E quem aposta o contrario, pode ficar surpreso quando o quesito segurança passar de novo a valer mais do que a quantidade de apps que se pode usar. Esperemos pra ver quem tem razão.

terça-feira, maio 31, 2011

Investor 500 – 2011

Fiquei muito feliz quando recebi no correio a mais a edição da revista Canadian Business que contem o Investor 500. Anualmente publicado, o Investor 500 traz as novidades e um ranking das maiores e melhores empresas do Canada, assim como dicas de investimentos.

Não sou um expert em investimentos, mas graças a Deus as ações que tenho comprado tem se mostrado corretas, pelo menos com relacao à minha estratégia de investimento, que é comprar ações de qualidade e que paguem dividendos e nunca vende-las.

Assim, para melhor entendimento, gostaria de dizer que possuo três empresas no meu portfolio. A primeira é o Royal Bank of Canada, a segunda é a Manulife Financial e a terceira é a Pengrowth Energy.

Dentre a parte especial que eles chamam de “Top Picks”, somente a Pengrowth ficou de fora da lista dos Tops da revista. Assim, vamos por partes.

Royal Bank of Canada (TSX:RY) – Market cap 86,5 bilhões de dólares – P/E: 16 - Bem, vamos as explicações de porque o Royal Bank é um dos tops picks. Os bancos canadenses tem tido uma performance melhor do que o mercado mais de 70% do tempo nos últimos 50 anos, então é muito difícil se dar mal com qualquer um dos cinco grandes bancos canadenses.

Mas se você tem que escolher um, a revista manda escolher o Royal Bank. Ganhos fracos e divisões de capital machucaram esse banco no ano passado, mas como teve um ganho 23% maior do que o do primeiro semestre do ano passado, com um record de 1,84 bilhões, as coisas parecem estar melhorando.

O mercado espera que o bando venda suas operações que dão prejuízo nos Estados Unidos (varejo), e quando fizer os ganhos irão aumentar ainda mais. O seu ROE é maior do que os dos outros bancos e hoje está em torno de 18%, estão negociando a 2.4 price-to-book e tem um dividendo de 3,8%.

Eu comprei a $51,00 em 2008. Hoje em dia anda na casa dos $60,00. Mas quem comprar agora pode ter um lucro espetacular, caso use estratégia de venda e compra o tempo todo.

Em resumo, o Royal Bank foi a empresa canadense que teve mais lucro em 2010, tendo um lucro de 5,22 bilhões de dólares. Também era a maior em tamanho, com património de 86,5 bilhões de dólares, como já foi dito. Era a decima primeira em renda e teve um faturamento total de 23,33 bilhões de dólares.

Se isso não fosse o suficiente, o Royal Bank ainda entrou em outra categoria que foi TOP 7 das melhores ações defensivas, que são as ações que possuem um market cap superior a 1 bilhão de dólares, endividamento A- ou superior e taxa de retorno de dividendos de pelo menos 2%. Também tem que dar retorno de ação de mais de 12% e possuírem um fator beta abaixo de 1.0, que é um jeito bonito de dizer que possuem menor volatilidade.

Alem de tudo isso, entrou também no TOP 7 das melhores ações de dividendos, que são as ações que possuem taxas de retorno de dividendos maiores do que 2,5% e uma taxa de pagamento abaixo de 60% dos ganhos (pra assegurar que os dividendos tem um suporte de capital por trás) e também um fator beta abaixo de 1.0 e uma taxa de 5 anos anualizada de mais de 10%.

Portanto, quem quiser comprar uma ação pra o longo prazo, não deixe passar em branco o Royal Bank. São ações que pretendo deixar para as minhas filhas. Pra quem quiser investir, vale a pena comprar um lote de 1000 ações, que fica em torno de uns $60,000 dólares e deixar crescer e receber os dividendos a cada 3 meses de 500, totalizando 2 mil dolares por ano.

Quando o preço da a;cão chegar na casa dos $80,00, é provável que haja um split e elas passem a valer $40,00. Mas aí você terá 2000 ações e basta esperar até elas chegarem ao nível de oitenta de novo. Mas pode também comprar mais 1000 ações ao preço mais barato e ficar com 3000 ações.

Se fizer as contas, vai ver que no fim das contas, por causa do alto dividendo, suas ações sairão de graça ao longo de alguns anos.Considerando que o dividendo nao suba, o que nao é o caso, em trinta anos voce teria as ações de Royal Bank de graça. Isso sem contar tambem os splits, mas aí tambem estaria incluso no pacote gratuito.

Manulife Financial (TSX: MFC) – Market Cap 30,8 bilhões de dólares – P/E: 157.9 – Com base em Toronto, esta companhia de serviços financeiros tem andado na doghouse pelos últimos anos. Os investidores venderam todas as ações quando a companhia perdeu 2,4 bilhões de dólares no segundo trimestre de 2010 e os trimestres anteriores não foram tão melhores do que isso.

Mas parece que os dias ruins estão ficando para trás. No último trimestre de 2010, os ganhos foram de 1,8 bilhões de dólares e os analistas esperam um crescimento do lucro. A USB Securities Canada mudou a posição de “Neutro” pra “Compre” dos seus rankings, alegando que o crescimento da estratégia de Hedge da Manulife reduziu os seus riscos.

Também mudou a sua classificação pra “produtos menos arriscados”. O crescimento no mercado asiático tem dado um boost na empresa. Estão negociando a 2,5 vezes o fluxo de caixa e 1.2 vezes o book value.

Eu comprei a $16 em 2010, que é o preço atual, porem os analistas esperam que ela suba pra $20,00 até o final do ano e alguns mais otimistas acham que ela chega a $26.00. Novamente, outra dica boa.

A Manulife é a decima quarta maior empresa canadense, com um património de 30,88 bilhões de dólares e teve um faturamento de 36,66 bilhões de dólares em 2010, isto é, um faturamento maior do que o seu património. Vale a pena ressaltar que foi o maior faturamento de uma empresa canadense em 2010.

Pengrowth Energy - Assim, com essas duas empresas me dando um suporte, eu parti pra outro ramo bem interessante, a energia. O Royal Bank é um banco, todo mundo sabe como opera. A Manulife opera seguros e produtos financeiros, como Mutual Funds. Já a Pengrowth atua no ramo de energia.

Foi a minha tentativa de diversificar os setores das minhas ações. Através de exaustiva pesquisa, escolhi o Pengrowth Energy, que no começo era apenas um fundo, e só depois que comecei a comprar as suas ações ela se transformou numa corporation. Recebi uma cara avisando da mudança, mas de lá pra cá as suas ações não tem subido muito.

O Ranking – baseado em retorno de 1 ano, e divididos entre grandes, medias e pequenas empresas. O Royal Bank ficou na 40ª posição (retorno de 5,1%), quando foi o 11º de 2010. Não esqueça, isso em termos de retorno de 1 ano, de 2010 pra 2011. Em termos de 5 anos, o Royal Bank teve um retorno de 49%.

A Manulife ficou em 48º (retorno de -11,4%), e foi 25ª de 2010. Estas duas então entre as 50 maiores empresas do Canada. Em termos de 5 anos, a Manulife teve uma queda de -44.8%.

A Pengrowth se situa no grupo das médias empresas e está na 97ª colocação (retorno de 21%), de 150 medias empresas. Em 2010 ela estava em 59º. Teve um retorno de 5 anos de 8.2%.

Pra você ver, os retornos das empresas medias são bem maiores do que os das grandes. Mas também você pode ver que é bem mais volátil.

quarta-feira, abril 20, 2011

Vale a pena ler 35: Rebelde em paz

Dizem que os judeus perderam Jesus Cristo por uma falha de relações públicas. De certa forma foi isso mesmo que aconteceu. Em vida, Jesus conseguiu reunir a sua volta apenas um pequeno grupo de judeus que estavam levando o judaísmo para uma direção diferente da original. A cristandade só começou, na verdade, quando o apóstolo Paulo, talvez a força política mais decisiva nos primórdios da fé cristã, decidiu pregar para os não-judeus. Paulo chegou à sábia conclusão de que seria preciso arrebanhar os gentios. Foi dessa maneira que o cristianismo escapou de ser apenas uma pequena seita judaica dissidente e se transformou nessa poderosa corrente cultural que moldou a forma de pensar do Ocidente.

Não escrevi o livro com a intenção de mostrar o lado judeu de Jesus. Para começo de conversa, embora seja judeu e me sinta como tal, não sou religioso. Há trinta anos não entro numa sinagoga. A religião não tem muito significado para mim a esta altura da vida. Não escrevo como judeu. Depois de 55 anos de trabalho, escrever para mim é um ato tão fundamental da vida quanto comer ou andar. Concordaria com a idéia de que fiz um livro em que a história de Jesus é examinada de um ponto de vista exterior. O resultado é um Cristo mais humano do que divino. Algumas pessoas estranham a colocação de Jesus como o narrador da própria história.

Além do dinheiro, existem outros motivos que me motivam a escrever. Meus maus motivos para produzir são tão importantes quanto os bons. Continuo escrevendo também para tentar descobrir até que idade posso manter-me criativo num nível aceitável. No caso do Evangelho Segundo o Filho, o que ocorreu foi que, tendo lido o Novo Testamento há mais de quarenta anos, quando ainda estava na faculdade, sempre me incomodou o desconcertante desequilíbrio do livro do ponto de vista estético. Alguns trechos são tão extraordinários que só se podem comparar a Shakespeare. Outros têm um estilo pedestre, sem inspiração, escrito às pressas. A história em si não faz muito sentido: Deus manda seu filho à Terra com o objetivo de salvar a raça humana. Faz questão de que ele venha como um homem de carne e osso para tornar sua mensagem mais eficiente. Então você lê o Novo Testamento e o que encontra? Um anjo, um super-homem, alguém superior a tudo, que nunca comete um erro, nunca falha e faz tudo certo até o fim, e, então, pregado na cruz exclama: "Pai, por que me abandonastes?" É contraditório.

A explicação desse enredo confuso deu origem a uma extensa teologia cristã. Não é por acaso que os teólogos cristãos são tão numerosos, profundos e radicalmente divididos. As mentes mais poderosas dos últimos vinte séculos debruçaram-se sobre esse paradoxo. Algumas das explicações são belíssimas, outras são muito eficientes, mas todas são torturadas. Daí cheguei à conclusão de que talvez a melhor abordagem para essa história seja a de um romancista. Não é preciso ser um cristão ou um gênio para contá-la, pois todo cidadão do Ocidente está profundamente imerso cultural e psicologicamente no cristianismo. Tentei então criar um Cristo que fosse simplesmente um homem, alguém que se torna mais profundo e mais sábio ao longo da vida.

A morte de Cristo, que deveria ser a derrota do cristianismo, acaba sendo um genial lance político que catapulta o movimento pelos séculos afora. Deus dá a entender que ele não é tão poderoso quanto se acreditava. Deixa claro que o poder celestial se resume a fazer o melhor que pode. Essa fraqueza, aliada ao poderoso componente dramático de deixar o próprio filho morrer para nos salvar dos pecados, resulta na grande força poética do Novo Testamento. Bill Clinton, como bom cristão, sabia disso. Ele realmente transformou uma derrota, o escândalo provocado por acusações de manter relações sexuais com uma jovem na Casa Branca, numa vitória: a teoria de que era vítima de uma conspiração. Ele tem um talento imbatível para isso.

Clinton foi um presidente trágico. Votei nele mas me arrependi. Ele é um gênio do nível do sujeito que inventou o hambúrguer do McDonald's ou a lâmina de barbear. Com certeza, é um dos maiores políticos de todos os tempos. A tragédia decorre do fato de que alguém potencialmente talentoso como Mozart ou Shakespeare não consiga exercer sua genialidade por uma falha de caráter. Nas democracias, os políticos exercem a força pela ética. Justamente o que faltava a Clinton. Ele não desafiou o mundo. Foi fraco com os fortes e poderoso com os fracos. Ele destruiu o Partido Democrata tornando-o um simulacro dos republicanos.

Dick Morris, seu mais íntimo assessor, era um sujeito que se realizava lambendo os dedos dos pés de prostitutas no quarto do hotel. Sei que estou sendo brutal, mas não encontro outras palavras para descrever a situação. John Kennedy era conquistador, mas pelo menos tinha estilo e seu comportamento era adequado para a época. Bill Clinton agia como um caipira deslumbrado com a cidade grande. Ele ficava perseguindo umas mulherzinhas que em Washington os políticos com um mínimo de compostura ignoravam. Clinton foi poderoso o bastante para cortar os benefícios sociais dos pobres. Mas foi um anão diante do interesse dos ricos e das grandes corporações.

Acho que as corporações são um mal mesmo com o período de prosperidade e pleno emprego. Marx chegou à beira da insanidade em sua visão do futuro da humanidade, mas foi bastante razoável em sua crítica do capitalismo. Ele diz com razão que, no capitalismo, o dinheiro tende a subjugar todos os demais valores. O papa João Paulo II tem dito a mesma coisa. Meu temor é que o capitalismo, ao se alastrar globalmente sem freios, acabe por devorar os demais valores humanos em todas as partes do mundo. Nesse ritmo, em pouco tempo ficaremos sem uma reserva de valores e concepções que não tenham sido contaminadas pelo capitalismo. Podemos vir a precisar muito desses valores no futuro.

Acho que o mundo era melhor nos anos 60, quando apanhávamos da polícia nos protestos de rua em Washington. Pelo menos havia mais esperança naquela época. O mundo parecia uma obra aberta. Pensávamos que podíamos tudo. Logo descobrimos que nossa força era falsa. A polícia matou quatro estudantes no campus da Universidade Estadual da Pensilvânia em 1968, e nós nos escondemos. A revolta, em vez de se incendiar, tomar conta do país e derrubar o governo, estiolou-se. Descobrimos que não éramos revolucionários coisa nenhuma. Tínhamos um movimento de classe média espasmódico e inconsequente. Foi uma dura revelação. A esquerda acabou nos Estados Unidos. Pelo mundo afora ela continuou produzindo seus erros prodigiosos, trocando princípios por pequenas vitórias eleitorais. Abraçou uma via racional para o poder enterrando o que tinha de melhor, a meu ver, que era o apelo quase religioso à igualdade. Qualquer pessoa sabe instintivamente que não se pode ter uma sociedade justa quando as diferenças salariais são muito agudas. Essa disparidade gera doenças sociais tanto nas camadas de cima quanto nas de baixo. Quando se fala a mesma linguagem da direita e das grandes corporações não se consegue vencer a barreira da imprensa e chegar ao povo.

Aparentemente Bill Clinton sabia como vencer essa barreira da imprensa. No episódio do escândalo sexual ele venceu a imprensa na luta pelo coração e pela mente do americano médio. O que ocorre, porém, é que naquele momento chegou o momento esperado por tanta gente em que a imprensa americana finalmente perdeu completamente o pulso da opinião pública. Bastaria ver como a imprensa trabalha em qualquer país do Ocidente para saber que cedo ou tarde isso aconteceria. A imprensa é formada por um grupo de gente individualmente até sábia, que produziu uma instituição estúpida. Essencialmente a imprensa é formada por um grupo de pessoas que se organizam como num supermercado de idéias. Estão sempre discutindo as coisas entre vocês e, acredito que honestamente, esperam que a melhor idéia prevaleça.

Existe uma tendência inequívoca de seguir um líder ou de fazer oposição radical à idéia predominante apenas para se fazer notar. Este último é o truque básico do colunismo, a doença infantil do jornalismo. Ocorre que, no caso do assédio sexual de Bill Clinton à estagiária da Casa Branca, o povão não se tocou para o que a imprensa estava falando. Nem contra nem a favor.

O povão só soube do episódio através da imprensa, tudo bem mas transmitir os fatos é uma coisa. Outra bem diferente é acreditar que a imprensa pode fazer o papel de médico e tratar todos os males sociais da nação. Simplesmente, o americano bronco do Meio Oeste, um sujeito endurecido que nem falar direito sabe, achou que para ele os fatos bastavam. Não quis saber das opiniões dos doutores da imprensa.

Mas, com certeza, a imprensa não foi a única instituição a sair desacreditada desse episódio. O povo americano está se tornando cada vez mais desconfiado de suas eminências, de seus próceres. Está escaldado de tanta frustração coletiva. Foram escândalos políticos seguidos e a História recente está repleta de assassinatos e violência. Isso tudo provoca desgastes. Não se sabe em quem confiar. As aparências enganam. Ronald Reagan, um presidente adorado pelo povo, engendrou uma das maiores falsificações coletivas da história deste país. Reagan inventou a história de que a União Soviética era o que ele chamava de "império do mal". Sugeria que os soviéticos tinham a vontade e a capacidade de destruir os Estados Unidos pela força. Ao fazer isso, ele reativou a Guerra Fria, um assunto que andava morto e acabado pela própria incapacidade dos soviéticos de fazerem a guerra contra qualquer inimigo. Mal estavam conseguindo se haver com a Polônia e a Checoslováquia.

Visitei a União Soviética em 1984 e vi um país de Terceiro Mundo, de pessoas deprimidas, desmanchando-se em problemas cotidianos. Como poderiam lançar-se num combate total contra um inimigo poderoso como os Estados Unidos? De forma alguma. Mas Reagan nos vendeu a idéia de que tínhamos um inimigo fenomenal. Quando o comunismo desabou e viu-se que o poderio bélico da União Soviética era uma balela, o infantil povo americano sentiu-se traído. Amadureceu à força. Penso que desde então nunca mais o americano médio se entregou de corpo e alma a nenhuma instituição, seja o governo, seja a imprensa.

As feministas também saíram chamuscadas do escândalo sexual envolvendo Bill Clinton. Mas elas se recuperaram depois. Elas têm uma noção do poder muito mais acentuada do que as pessoas comuns. São mestres da dissimulação. Veja o caso de Hillary Clinton, a Madre Teresa do feminismo americano. O que ela personifica? Ela personifica o enorme desejo de poder pessoal e também do feminismo americano. As feministas não estão interessadas em percorrer o interior, bater na porta das casas simples do Meio Oeste ou do Sul para tentar convencer os maridos a tratar melhor suas mulheres e a não ser tão machões. Não. O campo de batalhas delas é Washington.

Seus alvos são os intelectuais liberais como eu. Querem polêmica e poder. Não estão interessadas no bem-estar da mulher americana. As grandes corporações foram as que mais lucraram com as conquistas do feminismo americano. O movimento criou uma geração de profissionais carreiristas, competitivas, impiedosas, que trabalham como loucas e no final ganham menos do que os homens, jogando para baixo as despesas salariais das empresas. Um sucesso, como se vê. Instintivamente elas não poderiam ficar contra Clinton porque o presidente é a fonte de poder delas. Por apego ao poder, as feministas não poderiam ficar contra ele, mesmo sabendo que Clinton regularmente violava na essência todas as crenças delas.

segunda-feira, abril 18, 2011

Imigração 4: O Brasil legaliza imigrantes ilegais

Pra quem sai do Brasil como eu e fazia trabalhos braçais e ilegais no começo da jornada, nunca imaginou que alguém estaria fazendo o mesmo percurso, só que dentro do Brasil. No final da década de 1990, trabalhadores bolivianos trabalhavam 18 horas por dia em uma fábrica de roupas em São Paulo, dividiam um quarto minúsculo com várias pessoas e tinham que morar perto do trabalho, pois não tinham grana pro transporte e nem recebiam vale-transporte.

Como precisavam economizar pra enviar dinheiro pras famílias na Bolívia, não gastavam com nada alem do essencial e transporte não é essencial. Recebiam 350 reais por mês, por serem ilegais, em cash, e nada mais. É, amigos, o Brasil também é imperialista. Não é só privilégio dos Estados Unidos não. A exploração do trabalhador ilegal não é somente artimanha praticada pelos Yankees. Os bolivianos não tinham direito a folgas, horas extras ou plano de saúde. Quando reclamavam com o patrão, o mesmo ameaçava denuncia-los a policia federal.

Mas, em 1999, os 100 mil estrangeiros que viviam clandestinos no Brasil foram anistiados por Fernando Henrique Cardoso. Outra ironia do cacete, hein? Logo o neo liberal FHC fazendo isso. Poxa, que decepção irmãos petralhas.

Quem tivesse entrado no país até 29 de Junho de 1998 e que não tivesse pendências criminais ou judiciais dentro e fora do Brasil, poderiam requerer até o dia 7 de Dezembro de 1999, uma carteira de permanência no país válida por dois anos, uma espécie de green card.

Encerrado o cadastramento, estrangeiros que eram encontrados sem a posse do documento de identidade temporária ficaram sob suspeita. Traficantes de droga, terroristas e estelionatários ficaram na berlinda. As autoridades brasileiras deduziram que quem não se cadastrou, é porque tinha algo a esconder e seria deportado, de acordo com o que encontrassem a respeito desse elemento.

Falando agora dos legais. Em 1999, existiam 950.000 estrangeiros vivendo no Brasil, o que era 0,6% da população brasileira. Na Espanha, na mesma época, tínhamos 391.000 estrangeiros. Já a Suíça, que era dona de uma das maiores rendas per capitas do mundo, contava com 17% da população formada por estrangeiros. Nos Estados Unidos eles eram 19 milhões de pessoas, ou seja, 0,7% da população. Assim, nesse aspecto, o Brasil imperialista e os EUA comungam também de índices parecidos.

Uma coisa tem que ser levada em conta: a maioria dos estrangeiros que estavam no Brasil nessa época eram de baixa qualificação profissional. Foi assim desde o inicio do século passado, quando navios cheios de italianos, alemães e japoneses atracavam em portos brasileiros. Em geral agricultores, com pouca instrução, querendo enriquecer trabalhando na lavoura do café.

A origem dos imigrantes mudou, mas a motivação sempre foi a mesma. A Policia Federal dizia que no final da década de 1990, 80% dos estrangeiros ilegais no Brasil eram asiáticos e latino americanos. A origem quase sempre era São Paulo. 

Mesmo não tendo pujança económica do primeiro mundo, o Brasil ainda era visto como um lugar pacífico, ensolarado e com um futuro promissor para famílias que queriam se estabelecer.

sexta-feira, abril 15, 2011

Manulife Financial

Recebi essa semana o report dos shareholders da Manulife. Apesar de ter ações também do Royal Bank of Canada e da Pengrowth Energy, eu acho que a Manulife é uma ótima compra nos dias de hoje. Posso estar enganado, mas acredito que sim. Direi porque.

Um dia, a ação da Manulife já chegou a valores maiores do que 43,00 dólares canadenses. Hoje em dia está na casa dos 16,00 dólares canadenses. Pode cair mais? Pode sim, mas acredito que vai se recuperar mais cedo ou mais tarde. O que ocorreu foi que a Manulife diluiu muito o preço da sua ação pois estava precisando de cash pra realizar compras de outras seguradoras, especialmente na Ásia.

Quando estes investimentos começarem a dar lucro, o preço da ação irá voltar aos patamares mais altos, espera-se.

Em 2010, a Manulife aumentou em 20% a venda de seguros com relação a 2009 e as vendas de produtos financeiros/investimentos aumentou 23% com relação a 2009 e passou dos 27 bilhões de dólares.

As vendas de seguros na Ásia cresceram 43% comparado com 2009 e cresceu 7% em termos de empréstimos com relação a 2009 no Canada. Os produtos de investimentos nos Estados Unidos aumentaram o número de vendas em 48% com relação a 2009 e os planos de aposentadoria aumentaram as vendas em 16% com relação a 2009.

Pra fechar, os fundos que a Manulife gerenciavam em 2009 eram 35 bilhões. Em 2010, esses fundos passaram a 475 bilhões. Dá pra entender porque o preço da ação baixou e porque vai subir?

Eu não sou nenhum consultor financeiro, só mexo com ações por curiosidade e pesquisas próprias. Se alguém procura uma empresa pra começar a investir, pesquise a fundo essa empresa citada aqui, Manulife Financial Corporation, uma das maiores empresas do Canadá e um forte blue chip.

quarta-feira, abril 13, 2011

Nunca antes nesse país – Parte II

Entre 1994 e 2000, uma grande sequência de reformas estruturais e de gestão pública foram implantadas para dar sustentabilidade e estabilidade económica ao país. Entre elas estão: As privatizações de várias empresas estatais, a criação do Proer, a criação de agências reguladoras, a lei de responsabilidade fiscal, a liquidação e venda de bancos estaduais, renegociação das dívidas de estados e municípios e maior abertura comercial pro exterior.

Com o Plano Real, o ajuste e reajuste de preços e valores passaram a ser anualizados e obedeceriam as planilhas de custo de produção, pra interromper o círculo vicioso de corrigir valores futuros baseados na inflação passada, em curtos períodos de tempo. Isso agravava a inflação, tornando-a cada vez maior. Era comum antes do Plano Real haver remarcação de preços varias vezes num mesmo dia.

A privatização das empresas eliminou a obrigação pública de financiar investimentos, que causam inflação se for feito pelo governo através da emissão de moeda sem lastro, e possibilitou a modernização de tais empresas, pois sob controle estatal existiam barreiras para tal progresso, como burocracia e falta de recursos.

Ora, a iniciativa privada tinha recursos de financiar os investimentos das empresas e isso não produzia inflação e sim desenvolvimento, porque não envolve orçamento do governo. E mais, a iniciativa privada não existe regras administrativas orçamentárias e licitatorias, que prejudicam a produção e a concorrência.

Com relação ao equilibro fiscal, foi feito um corte de despesas e aumento de 5 pontos percentuais em todos os impostos federais. A justificativa foi que a máquina administrativa brasileira era muito grande e consumia muito dinheiro pra funcionar. Havia somente no âmbito federal, 100 autarquias, 40 fundações, 20 empresas públicas (sem contar as estatais), alem de 2 mil cargos públicos com denominações imprecisas, atribuições mal definidas e remunerações díspares. Como o país não produzia o suficiente, decidiu-se pelo ajuste fiscal, o que incluiu cortes em investimentos, gastos públicos e demissões. Durante o governo FHC, aproximadamente 20 mil funcionários públicos foram demitidos do governo federal.

Em falando de abertura económica, houve uma redução gradual de tarifas de importação e facilitação da prestação de serviços internacionais. Isso ocorreu pois havia um temor de que o excesso de demanda por produtos e serviços causasse o desabastecimento e a remarcação de preços, pressionando a inflação (o que ocorreu durante o Plano Cruzado de 1986). Existia também a necessidade de forçar o aperfeiçoamento da industria nacional, expondo-a a concorrência, o que permitiria o aumento da produção no longo prazo, e essa oferta maior de produtos tenderia a acarretar uma baixa nos preços.

Ocorreu também um contingenciamento, realizando uma manutenção do cambio que foi artificialmente valorizado. Isso foi feito porque com o efeito da valorização do real, esperava-se um aumento das importações, com aumento da oferta de produtos e aperfeiçoamento da industria nacional via concorrência com produtos estrangeiros.
Foram impostas também certas politicas monetárias restritivas. Foram aumentadas a taxa básica de juros e a taxa de deposito compulsório dos bancos. A taxa de juros teve inicialmente dois propósitos: financiar os gastos públicos excedentes até que se atingisse o equilíbrio fiscal e reduzir a pressão por financiamentos, considerados agentes inflacionários, fazendo assim um esfriamento da economia. Os financiamentos chegaram a ter o prazo de quitação regulado pelo governo. O compulsório dos bancos teve o propósito de reduzir a quantidade de dinheiro disponível pra empréstimos e financiamento dos bancos, uma vez que eram obrigados a recolher compulsoriamente uma parte dos valores ao banco central.

A força do Plano Real fez o presidente Itamar Franco eleger seu sucessor Fernando Henrique Cardoso já no primeiro turno em 1994. O efeito regulador do Plano Real foi imediato e muito positivo. A inflação calculada sobre a URV nos meses de Abril a Junho de 1994 ficou em torno de 3%, enquanto que a inflação em cruzeiros reais foi cerca de 190%. Até o inicio da circulação do Real em primeiro de Julho de 1994, a inflação acumulada foi de 763,12% no ano e 5,153.50% nos últimos 12 meses.

A inflação que antes consumia o poder aquisitivo da população brasileira, impedindo que as pessoas permanecessem com dinheiro por muito tempo, principalmente entre o banco e o supermercado, estava controlada. O efeito imediato e mais notável do Plano real foi a aposentadoria da maquina símbolo da inflação, a remarcadora de preços dos supermercados, presente no comercio. O consumidor de baixa renda foi o principal beneficiário.

Durante muitos anos a correção monetária foi uma salvaguarda que permitia aos brasileiros que tinham maior poder aquisitivo defender-se parcialmente da corrosão do valor nominal da moeda, com aplicações bancárias de rendimento diário como o overnight. A grande maioria da população, entretanto, não tinha acessos a esses mecanismos e sofria com a valorização diária dos recursos recebidos como salário, aposentadoria ou pensão, sendo os maiores prejudicados com a alta da inflação.

Não foi surpresa que após a implantação do Plano real, a taxa de consumo de itens antes elitizados como o iogurte explodiu nas classes C e D da população. Segundo estudos da Fundação Getulio Vargas, houve entre 1993 e 1995 uma redução de 18.47% da população miserável do país, fruto do sucesso do plano. Um dos melhores índices da historia.

O Plano Real enfrentou três grandes crises mundiais. A Crise do México de 1995, a Crise Asiática de 1997-1998 e a Crise da Rússia de 1998. Em todas as ocasiões o Brasil foi afetado diretamente, pois estava em reformas e necessitava de recursos, investimentos e financiamentos estrangeiros. Grandes somas de dinheiro deixaram o Brasil em cada um desses momentos devido ao medo que os grandes investidores tinham com os mercados emergentes.

Ao menor indicio de crise em qualquer um desses países, uma massa de investidores corria para buscar refugio em moedas fortes, com o dólar americano, a libra esterlina ou o Euro. Outros aproveitavam esses movimentos pra especular fortemente contra as moedas dos emergentes, na intenção de obter grandes lucros em pouco tempo, esvaziando as reservas em moedas estrangeiras dessas nações. Isso contaminava negativamente as contas de diversos países, causando um efeito cascata globalizado.

Como essas crises deixavam o Brasil sem dinheiro pra financiar seu plano de desestabilização, o governo, enfraquecido, via-se obrigado a aumentar a taxa básica de juros pra remunerar melhor esses capitais, tentando impedi-los de abandonar o país. O objetivo era evitar uma quebra generalizada que empurrasse o país a uma moratória externa. A taxa de juros do Brasil chegou à 45% ao ano em Março de 1999. Como consequência, houve maior endividamento publico, mais cortes de gastos públicos, retração de alguns setores da economia e desemprego.

Outras crises menores, apesar de não prejudicarem tanto o processo de controle da inflação brasileira, que já estava consolidado, trouxeram efeitos negativos na taxa de crescimento económico. A crise da Argentina de 2001, a crise do 11 de Setembro também de 2001, a crise do apagão, também de 2001 e a crise eleitoral, de 2002, ajudaram a derrubar a taxa anualizada de crescimento do PIB pois também forçaram o aumento da taxa de juros interna.

A crise do apagão teve causa ligada diretamente ao plano real, uma vez que o plano trouxe a ampliação do poder de compra da população, aumento de consumo, aumento da produção, que por sua vez geram maior consumo de energia, somados ao recuo dos investimentos públicos nos setores estatais de energia (como parte do programa de estabilização económica).

No longo prazo pode-se notar uma manutenção de baixas taxas inflacionarias e referencias reais de valores, um aumento do poder aquisitivo das famílias brasileiras, uma modernização do parque industrial brasileiro e um crescimento económico com geração de empregos.

Durante todo o governo FHC, o PT foi o principal opositor ao governo, e votou contra a maioria das medidas propostas no Plano Real ou que vieram a fazer parte dele, como o Proer.

terça-feira, abril 12, 2011

Filhinhos tão bonzinhos

Se você pegasse um marciano e pedisse para o mesmo observar como nós enxergamos e tratamos as nossas crias talvez ele nunca conseguisse entender. Claro, se ele também não tratar as crias dele da mesma forma. Ora, todo mundo acredita piamente que as suas crias são maravilhosas, que são as criaturas mais inteligentes e espertas da face da terra. Que elas são talentosas, que possuem poderes especiais e são os mais lindos e possuem uma luz interior que os fazem únicos e blá blá blá...

Frases do tipo “nunca vi um menino tão sabido como esse meu filho, olhe só, ele aos 4 meses já corria pela casa inteira…” seriam absurdas se não fosse ditas ai livremente pelos quatros cantos. Os seus filhos com certeza foram os primeiros a andar entre os semelhantes da galáxia inteira e assim como também foram os primeiros a falar. Com certeza, já olharam pra cara do médico na hora do parto e já disseram algum comentário inteligente. Começaram a amarrar os sapatos sozinhos assim que avistaram um par pela primeira vez e já foram convidados no meio da rua um sem número de vezes para estrelarem comerciais ou desfilarem como modelos. E você recusou, óbvio.

Tudo isso é verdade, mas deixa eu dizer uma coisa. Tudo isso é apenas fruto do que os seus olhos enxergam. It is in the eye of the beholder. Digo isso porque para uma pessoa que não tem filhos ou que não tem nenhum sentimento relacionado aos seus pimpolhos, os seus filhos não passam de anões chatos pra caramba. Mas chatos mesmo. Insuportáveis. Nauseantes. Chegam a achar Herodes um homem razoável.

Inclua aí nessa lista de pessoas que odeiam seus filhos as outras crianças da família, o cachorro, o gato e o resto da humanidade.

Na maioria das vezes, esses pequenos cidadãos estão chorando por alguma coisa, reclamando, fazendo birra, sendo egoístas, ladroes, cheios de raiva, violentos e ao se comparar com um babuíno, fazem este primata parecer um intelectual de nível altíssimo.

E o pior é que eles sabem usar o tamanho deles como vantagem pois sabem que qualquer bobagem que inventem de fazer, os pais dele irão achar uma gracinha. 

Alem de tudo isso, eles são uma fábrica gigante de germes, que tosse e anda e fala ao mesmo tempo, fazem xixi e cocô nas calças ou em qualquer lugar que tenham oportunidade. Não possuem nenhum senso de regras e de como se comportar ou em quem não vomitar ou o que não jogar de qualquer jeito em qualquer direção que o cérebro minúsculo dele decida. E quando eles querem alguma coisa, eles querem agora. Agora!!! Agora!!!!

Imagine ai o marciano vendo isso, calado e assombrado. A criançada não sabe nem o mínimo fundamento do que significa partilhar. Meu, meu, meu. Eu, eu, eu. O que é dele é dele e o que não é dele ele quebra, rouba ou esconde. É essa a filosofia deles.

Eles mandam um barro dentro das calças e saem felizes, andando contentes, acreditando piamente que a obra deles não está fedendo. E mais, a única razão que eles defecam nas calças é porque eles TEM calça, senão eles iriam desovar em qualquer superfície que eles encontrassem pela frente, ou seja, o chão, o sofá, o carpete, a calçada, a cama, menos o vaso sanitário. Alias, a única coisa que diferencia as crianças dos macacos na floresta são as CALÇAS. Seus filhos usam e os macacos não.

Para esses pequenos seres, o mundo é a casinha delas. Um pacote de biscoito, por exemplo, elas acham que é todo delas. Não delas em geral, mas um pacote pra cada um. Elas não sabem que comer muitos biscoitos irá dar dor de barriga. Também não sabem e isso é importante, que os biscoitos ou os ingredientes envolvidos na fabricação desses biscoitos CUSTAM DINHEIRO.

Não sabem também que para ganhar o dinheiro do biscoito, você deve possuir uma habilidade que agrade a alguém (o seu chefe), que esse alguém irá te pagar no final do mês, e o cheque vem no seu nome e assim, você pode escolher pra quem você vai dar o pacote de biscoito ou come-los todos de uma sentada só. Ou ainda, distribuir esses biscoitos com animais ou outros humanos que: 1) Sejam legais com você; 2) Escutem você; 3) Tenham pintado sua casa, lavado seu carro ou cortado a sua grama; 4) Seja pequeno o suficiente pra que não possa ganhar ainda o dinheiro do biscoito, mas que teve as regras explicadas pra ele e que tenha se comportado bem no seguimento dessas regras básicas e a primeira delas é comer toda a comida primeiro, e somente depois terão o biscoito.

Enfim, nas minhas filhas eu acho isso lindo, mas nos seus filhos…

segunda-feira, março 07, 2011

Troféu FDP, versão 2011

O troféu FDP do ano vai pro Sport Club do Recife e nem precisamos esperar o ano acabar. Não há Khadafi que tire esse premio desse timeco de segunda divisão que quer aparecer e fazer papel de ridículo pro país inteiro.

Ora, o timeco aproveitou-se de uma lambança criada pela CBF há 24 anos atrás e quer ser o ÚNICO campeão de 1987, por fim da força. O problema é que há 24 anos atrás, pouca gente assistia futebol e não se lembra da história. Esses moleques de hoje em dia só sabem o que querem saber e só acompanham futebol porque mulher começou a ir pro estádio e não sabem e alem de não saber, se recusam a aprender. Pois vai lá uma aulinha na linguagem chula de cursinho. Gratuita. Pra não esquecerem mais.

Em 1987, A CBF estava quebrada e anunciou que NÃO iria realizar o campeonato brasileiro de 1987. Entenderam? “Não vou fazer essa porra e quem quiser que faça um”, disse o presidente da CBF da época. Então os maiores clubes do país se juntaram e decidiram criar um campeonato e a CBF AUTORIZOU a criação desse campeonato, como não iria haver nenhum mesmo, isso tiraria a responsabilidade dela junto aos torcedores do Brasil inteiro. A ÚNICA EXIGÊNCIA DA CBF foi que incluíssem times de mais 3 diferentes estados e isso foi feito com a inclusão de Santa Cruz, Curitiba e Goiás. Massa. Tudo legal.

Um detalhe curioso. Nem aí nessa inclusão o Sport club do Recife entrou. Só pra tu ver a moral que ele tinha.

Foi criado então o clube dos 13, que reunia os 4 grandes clubes do Rio (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco), os 4 grandes clubes de São Paulo (São Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians), os dois grandes clubes de Minas (Atlético e Cruzeiro), os dois grandes do Rio Grande do Sul (Internacional e Gremio), mais o Bahia, pois de acordo com uma pesquisa realizada pelo Jornal do Brasil, esses times representavam 95% de toda a torcida do país. Já pensou? Melhor do que o índice de aprovação de Lula.

O clube dos 13, que era presidido por Carlos Miguel Aidar, que na época era também o PRESIDENTE DO SÃO PAULO (Outra informação importante), correu atrás de patrocínio e fechou com a REDE GLOBO de televisão e com a COCA-COLA. O formato foi fechado com 16 times e o regulamento foi feito e fechado e lacrado e aceito pela CBF.

Quando o torneio começou, vale a pena dizer isso e repito, QUANDO O TORNEIO COMEÇOU, a CBF viu que estava sendo um sucesso e quis voltar atrás, organizando na surdina e nos porões da casa do caralho, um torneio paralelo com também 16 times e alegando que o regulamento criado por ela obrigaria o campeão e o vice da Copa União (O campeonato brasileiro do clube dos 13, autorizado pela CBF) a jogarem um quadrangular com o campeão e vice do módulo amarelo (que era como chamou a serie B que estava organizando).

Ora, ninguém do Brasil na época sabia disso. Eles jogaram torneio que ninguém viu, ninguém soube, só apareceram no fim com o Sport sendo campeão e o Guarani sendo vice e se dizendo prontos pra jogarem o quadrangular com Flamengo e Internacional, campeão e vice da Copa União.

Foi engraçado até, no Globo Esporte do dia seguinte, Fernando Vanucci dizendo que o Flamengo havia sido campeão do Brasil mas a CBF estava dizendo que não. Foi tão estapafúrdia a situação, que ninguém levou nem a sério. Tamanha arbitrariedade.

Se o clube dos 13 tivessem sido avisados desde o inicio que iriam ter que jogar um ridículo quadrangular com sport e guarani, nem teriam organizado porra de torneio nenhum e muito menos se matado pra depois ir disputar com timeco de segunda divisão quem seria o campeão daquele ano. Onde já se viu? Seria o mesmo que Brasil ser campeão do mundo, Alemanha vice e pra FIFA dar o título a eles, teriam que jogar um quadrangular com Egito e Guatemala. Só na cabeça de um imbecil mesmo. Você é imbecil? Então ache que o sport tem razão.

Agora uma pergunta minha. Se era pra jogar um quadrangular final, porque cargas d’água o Flamengo jogou uma FINAL contra o Internacional e o Sport outra final com o Guarani? Se não valeria nada mesmo? Porque não pegaram logo os 4 e botaram pra jogar? Ou se o Flamengo ganhasse do Guarani e o Inter ganhasse do Sport, ai Flamengo e Inter teriam que fazer outra final? QUE PORRA É ESSA, HOMI??????

O jogo final do Brasileiro série A de 1987:



Olhem só uma coisa. Flamengo foi campeão de um torneio disputado com FLUMINENSE, VASCO, BOTAFOGO, SÃO PAULO, CORINTHIANS, PALMEIRAS, SANTOS, ATLETICO MINEIRO, CRUZEIRO, GREMIO, INTERNACIONAL, BAHIA, GOIÁS, CORITIBA E SANTA CRUZ. Certo? 

O Sport, que se alega campeão daquele ano, jogou contra: GUARANI, JOINVILLE, CRICIUMA, AMERICA DO RIO, INTER DE LIMEIRA, PORTUGUESA, ATLETICO PARANAENSE, RIO BRANCO DO ESPIRITO SANTO, BANGU, TREZE DA PARAIBA, CEARÁ, CSA, NAUTICO, ATLETICO GOIANO E VITORIA. É brincadeira? E o vencedor do torneio do parágrafo de cima, teria que enfrentar essa feira aqui desse parágrafo. Pode rir. Ria mesmo. É isso que o Sport quer.

A situação foi tão triste, que em 1988, a CBF aproveitou-se da receita da Copa União, tomou o campeonato pra ela e não obrigou ninguém a fazer quadrangular com porra de seu ninguém. Curioso, não? Aí o campeão foi o Bahia de Bobô e Charles.

Aí onde entra o troféu filho da puta do ano. Tentando reconhecer uma injustiça histórica, a CBF então anuncia que em 1987 teríamos dois campeões, não tirando o maior premio da historia do sport, mas fazendo justiça ao verdadeiro campeão daquele ano. Mas o Sport não quer isso não. É tão filho da puta e espírito de porco que briga na justiça não porque alguém quer tirar o título merda dele, mas porque o flamengo também não pode ter o título que merece.

Repito, em nenhum momento cogitou-se TIRAR o titulo do Sport, mas sim REPARAR UMA INJUSTIÇA HISTÓRICA, dando o titulo de campeão TAMBEM ao verdadeiro campeão. Mas como eu disse, o Sport não quer.

Por isso eu berro a plenos pulmões: Sport, eu quero que você exploda, suma da face da terra!!! Quero que você caia não somente pra terceira, mas que vá pra Série D, E e F de Fudeu-se. Canalhas. E ainda ficam apelando pra que a região nordeste entre na briga, alegando ser uma discriminação contra nordestino. Discriminação uma porra. Pena que o nordeste não comprou a briga deste time cretino. Quer ser pilantra? Vá ser só.

Então meninada, a história é essa. Qualquer coisa fora disso, é mentira. Então portanto antes de abrirem a boquinha e defecar pra defender Sport do recife, se informem antes, pois a ignorância e desconhecimento de fatos são tão ridículos quanto a sua cara feia berrando que a taça de bolinhas é do São Paulo. São Paulo esse do Carlos Miguel Aidar, que já deu entrevistas dando o campeonato ao Flamengo.

E quanto ao Sport, coitado, que hoje em dia briga pra não cair pra Serie C, está sabendo que o ultimo pentelho que o liga ao oxigênio é esse título fajuto de 87 e não quer largar nem a pau. Larga, Sport, tu vai ver que desaparecer da face da terra é bem melhor do que ter uma existência pulha como a sua.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

A história de Roy Miller

Dando continuidade ao post "The Wealthy Barber", se faz necessário conhecer a história de Roy Miller, o barbeiro, pra entender o que aconteceu na sua vida e como ele se tornou o barbeiro rico. Roy era um cara atlético na sua juventude, brilhante, engraçado, enfim, um garoto comum que fazia o segundo grau. O sonho dele era se tornar um advogado e tinha planos de entrar na Western University, em London, Ontário. E finalmente ele começou o curso de Direito. Roy era muito ocupado. Estudava, jogava Basquete e tinha uma namorada.

No segundo ano de universidade, Roy recebeu a notícia de que seu pai havia morrido de um ataque do coração. Na tarde seguinte, ele trancou a matrícula na Universidade e voltou pra Sarnia. O pai dele, por ter um histórico de problemas no coração, somente trabalhou numa refinaria por dez anos e depois aprendeu a ser barbeiro e abriu a sua barbearia pouco tempo depois de ter parado de trabalhar na refinaria. A mãe de Roy trabalhava como empregada durante o dia e garçonete durante a noite. Os dois juntos conseguiam manter os filhos.

Roy então voltou pra casa pra ajudar a mãe, pois ele sabia que ela não poderia cuidar dela mesmo e da irmã mais nova de Roy somente com o dinheiro que ela fazia. O pai de Roy não recebeu quase nada de seguro de vida. Roy havia aprendido o ofício do pai, pois tinha sido treinado pelo pai no tempo em que fazia ainda o segundo grau.

O plano de Roy era simples. Ele voltaria pra casa, ajudaria a mãe trabalhando como barbeiro até que a sua irmã Ellen completasse o college. Depois ele iria vender o salão e terminar a universidade. Como Ellen ainda estava na grade 11, o tempo que ele esperava que isso acontecesse era de mais ou menos 6 anos.

O negócio foi que Roy teve um grande sucesso na sua barbearia, inventando inclusive um caminhão-barbearia, que lhe deu muito dinheiro. Ele gostou de ser barbeiro, de lidar com as pessoas e desistiu de se tornar advogado. Mas mesmo com o sucesso do negócio, Roy não passava disso. Tinha dinheiro pra viver, mas não conseguia sair da lama, financeiramente falando.

Então quando tinha 23 anos de idade, Roy foi visitar o homem mais rico da cidade chamado Maurice White. Como o senhor White sempre admirou Roy pela sua vontade de lutar pela sua família, o senhor White concordou em ensinar uns truques sobre finanças pro Roy.

Essa conversa que Roy teve com o senhor White mudou a vida dele. A partir daquele dia, o barbeiro que não tinha nada, começou a acumular uma linda casa na beira do lago que foi quitada, um imenso portfolio de investimento, um prédio de escritórios e um fundo de aposentadoria todo pago e planejado. Tudo isso com ganhos de um salão de barbearia.

Lógico que Roy continuou a estudar sobre investimentos, mas aquela conversa com o senhor White foi o catalisador de tudo.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Vale a pena ler 34: o filho mais velho de Chateubriand

Meu santo pai era um devorador de família. Ele tinha uma mania persecutória contra os três filhos, eu, Fernando e Teresa, e até contra o sobrinho Freddy, que nos anos 50 era o seu delfim. Fomos criados como escravos, que tinham de implorar a mesada da mãe. Até os 18 anos, na minha certidão de nascimento, eu era filho de pai desconhecido. Quando namorava minha mãe, a francesa Jeanne Marguerite, meu pai a engravidou, prometeu casamento, mas acabou se casando com a Maria Henriqueta Barrozo do Amaral, mãe do Fernando. Chateaubriand só me reconheceu à força, porque se não o fizesse eu teria de ir lutar na II Guerra, como cidadão francês. Nunca tive ilusão quanto ao Chateaubriand.

Arte é o meu lenitivo. Minha coleção tem 4.300 peças, das quais 3.400 já estão de posse do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, para quem deixarei o acervo. Para mim, a coleção é um programa de vida. Comecei a comprar em 1952, quando conheci o pintor Pancetti, que me presenteou com meu primeiro quadro. Eu me tornei um viciado, e do Pancetti fui pulando para os outros pintores mais salientes da época, a Djanira, o Antônio Bandeira, o Milton Dacosta. Comprei uns Guignard muito bons. Tudo com o meu salário de jovem diplomata, em suadas prestações.

Só fui convidado pra coroação da rainha Elizabeth II em 1953 porque o governo brasileiro achava que o meu pai, Assis Chateaubriand, que era membro da comitiva, precisava de "apoio lingüístico". Acabei levando, costurados no forro do sobretudo, o colar e o par de brincos com que o Getúlio presentearia a rainha. A jóia pesava 300 gramas, com dez águas-marinhas de 120 quilates e 647 brilhantes. Como tínhamos medo de despachar o colar na bagagem, pedi a minha avó para costurar a jóia, feita pela Mappin & Webb. No meio do vôo para Londres, logo começou uma conversa que se tornou azeda entre o líder da delegação, o marechal Mascarenhas de Morais, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, e o Chateaubriand.

O Mascarenhas queria trasladar os ossos dos pracinhas mortos durante a II Guerra da Itália para o Brasil. O Chateaubriand dizia que era uma asneira, que era preciso manter a presença do Brasil no mundo, "na luta pela liberdade e salvação do mundo das garras dos nazistas". A coisa terminou em bate-boca. O marechal me pediu para ver o colar no avião, e o Chateaubriand me proibiu de mostrar. Já em Londres, o Mascarenhas deu um banquete às autoridades inglesas e diplomatas brasileiros. No almoço, chegou um garçom dizendo que queriam falar comigo. Era o Chateaubriand, que não foi ao almoço para chatear o marechal e foi lá me chamar. Fui e ele começou a gritar: "Não fique entre os imbecis, que seu pai está com fome!" Voltei ao marechal, que era um santo, e ele me disse: "Vai com ele, meu filho". Até hoje tenho a cadeira oficial da coroação, na qual o Chateaubriand se sentou na Catedral de Westminster.

Na recepção do Palácio Saint James, o Chateaubriand escondeu o fotógrafo Glauco Carneiro no porta-malas do Rolls-Royce e levou também a dona Aimée de Heeren, sua namorada, que não tinha convite para a recepção. Quando o arauto perguntou pelo convite dela, o Chateaubriand começou a gritar: "She forgot, she forgot!" ("Ela esqueceu, ela esqueceu!")

A batalha jurídica em torno dos Diários Associados é uma história para 100 anos. As Mil e Uma Noites são um opúsculo perto disso. A situação é tétrica. Quero reaver meus direitos patrimoniais. A única fonte razoável de dividendos dos Associados é o Estado de Minas, o maior diário de Belo Horizonte. O Jornal do Commercio, no Rio, que estava nas mãos do Paulo Cabral de Araújo, que era o presidente do Condomínio dos Diários Associados, não rendia um tostão. E o Correio Braziliense não distribuía dividendos. O condomínio sangrava as empresas rentáveis a pretexto de fazer empréstimos àquelas em dificuldades. Não desisto. É preciso acabar com essa balela cínica e farisaica do Paulo Cabral, de que quero acabar com a obra do meu pai. Quero o reconhecimento dos meus direitos patrimoniais e sucessórios. Só os vermes não se defendem. Não sou verme. Em 1962 eram 76 empresas associadas. Depois, quantas ficaram?

Tudo começou em 1960, quando Chateaubriand estava brigado com os três filhos. Ele resolveu transformar os Diários e Emissoras Associados num condomínio, doando 49% do controle acionário a 22 de seus empregados. No final dos anos 1990, os filhos tinham apenas entre 10% e 17% do controle acionário das empresas. Mesmo arruinados, os Associados ainda eram um dos dez maiores grupos de comunicação do país. O condomínio ganhou uma ação contra o governo federal. Foram 221 milhões de reais. É capaz desse dinheiro já ter virado fumaça.

Depois de sofrer um derrame em 1962, o Chateaubriand não falava nem escrevia e perdeu o controle dos Associados. Ele dizia sim a quem aparecia primeiro e emprenhava o ouvido dele. Em 1960 havia três grandes feudos nos Associados. O primeiro era o da revista O Cruzeiro, dominado pelo Leão Gondim de Oliveira, que era primo de meu pai. Já as empresas de São Paulo estavam com o Edmundo Monteiro. E todo o resto com o João Calmon, outro nome de confiança de Chateaubriand, um senador biônico, mais um de meus inimigos. Nessa época, retornei de Paris, onde servia na Unesco, para presidir o Correio Braziliense a pedido do Chateaubriand. Mas quando discordei da venda dos Laboratórios Schering, o filé mignon dos Associados, fui destituído.

Houve uma reunião do condomínio em 1962, que acabou em pancadaria. Soube que o Leão Gondim ia com o Bram, seu guarda-costas, um alemão enorme. Eles iam armados. Eu tinha um grande amigo, o ex-presidente do Banco do Brasil Carlos Cardoso, tio do presidente Fernando Henrique Cardoso, que me considerava como filho e foi comigo. Ele me deu um revólver e foi com outro. Na reunião, fui tomado de surpresa com a leitura de meu processo de expulsão do condomínio. Quando acabou a leitura, o Leão Gondim disse: "É bom mesmo a gente se livrar dessa libélula!" Eu respondi que libélula era a mãe dele, e aí o tempo fechou. Ele, que era nordestino, puxou o cinto para me bater. Peguei uma cadeira e investi contra ele. Fui apanhado pelo Bram, que dizia: "Vai embora, doutor, eu não quero bater no senhor". A reunião acabou assim. Não ousaram me expulsar do condomínio.

O Abaporu, da Tarsila do Amaral, que pertence ao argentino Eduardo Costantini, não comprei porque não tive dinheiro. Acho que não vale a pena ficar chorando sobre o leite derramado. A presença desse quadro numa coleção privada estrangeira faz lembrar que existe cultura brasileira de qualidade. É um pouco como o cemitério com os ossos dos pracinhas brasileiros do cemitério italiano de Pistóia. Está lá a presença brasileira. Outra coisa que perdi por não ter dinheiro foi já nos anos 60, o pintor Carlos Scliar me levou à casa que tinha pertencido a Mário de Andrade na Barra Funda, onde estava a irmã dele. Por 15.000 contos, na época, ela queria vender todo o recheio de obras de arte do Mário. Havia várias Tarsila na coleção, além de pinturas do francês André Lhote, que tinha sido professor da Tarsila na França. A Universidade de São Paulo acabou comprando o acervo. Outra perda mais triste é que eu tinha ficado amigo da Tarsila e, quando estava começando a ficar íntimo dela, ela teve de fazer uma operação na coluna e ficou aleijada, passou os dois últimos anos na cama. Uma vez por mês eu a visitava no apartamento em Higienópolis. Um dia, ela tinha mandado colocar todos os seus quadros num quarto contíguo ao dela. Aí eu disse para ela: olhe, Tarsila, você não prefere deixar em ativos financeiros? Ela respondeu que podia ser uma boa idéia. Aí chegou lá o marchand Baccaro e comprou tudo.

A arte brasileira tem preços menores que os da arte mexicana em função da vizinhança geográfica do México em relação ao mercado americano e, sobretudo, por causa de um muito bem-sucedido movimento especulativo em torno da pintura mexicana, que mantém os preços da Frida Kahlo lá no alto. Os mexicanos sabem se vender muito bem.

Só recebi do meu pai a primeira parte da herança em 1972, quando fiz um acordo com a minha meia-irmã Teresa. Ela, que tinha feito as pazes com o Chateaubriand, vendendo a alma ao diabo, havia ganho uma fábula de adiantamento. Teresa levou um apartamento na Paula Freitas, a Casa Amarela do Chateaubriand em São Paulo, um terreno de 5.000 metros quadrados, as pratarias e todos os Portinari do Chateaubriand. O Fernando se rendeu um ano depois. Fiquei com um apartamento em Petrópolis, um terreno no Rio que depois a Light desapropriou, a fazenda que eu tenho em São Paulo e um terreno em São Paulo que é um mico.

Levei dez anos apanhando, mas aprendi a ser fazendeiro. Quando peguei a fazenda, há 25 anos, ela produzia café e algodão, não era mecanizada e estava falida, na mão de um capataz ladrão. Depois estava com 60.000 pés de laranja, cana e abacate numa área de 350 alqueires paulistas, em Porto Ferreira.

No caso da coleção do MASP, criado por meu pai, dizem que obtida através da pressão dele sobre empresários e banqueiros. Mas, honra seja feita à memória do meu pai. Ele, como homem de visão e de mundo, coisa que não era uma característica do presidente Eurico Gaspar Dutra, tentou convencê-lo por todos os meios e modos a usar parte do superávit brasileiro ao final da II Guerra para comprar obras de arte. Era a grande oportunidade de o Brasil ter um grande museu. Mas o Dutra fez ouvidos moucos. O Chateaubriand foi em frente e começou a comprar adoidado, de uma maneira um pouco apedagógica. A maneira que o Chateaubriand usou foi a chantagem. Ou o figurão dava o quadro ou ele ia sofrer uma campanha contrária dos Diários Associados. Acontece que o rico brasileiro não tem a cultura do mecenato.

Eu comecei a minha coleção do zero e com pouco dinheiro. Que conselhos eu daria pra um colecionar iniciante? Eu compraria arte contemporânea. Se a pessoa considerar arte como um programa de vida, ela tem de estar preparada para um exercício diário de paciência. Em primeiro lugar, compraria contemporâneos por causa da possibilidade de abarcar um número maior de obras. E, depois, pela valorização que essas obras podem vir a ter, não amanhã ou depois, mas daqui a cinco ou dez anos. Aconselho também que o colecionador só compre realmente aquilo de que ele goste.

A arte é um bom negocio desde que se tenha paciência e sorte. Uma das pérolas da minha coleção, a tela Urutu, de Tarsila, comprei em 1961 em São Paulo. Ela estava jogada no fundo de um armário, num estado lamentável, na galeria da dona Carlota dos Santos, milagreira da restauração na época. O quadro voltou como se tivesse saído do ateliê da Tarsila naquele momento. Paguei 300.000 réis, em cinco vezes. O mesmo acontece com a geração pop brasileira. O Antônio Dias e o Gerchman não alcançaram as cotações que têm hoje do dia para a noite. Eles esperaram quarenta anos. Outros artistas dão um salto repentino, como a Beatriz Milhazes.

Já me livrei daquilo que eu não queria, mas prefiro não citar artistas, é deselegante. Por burrice minha, e influência do Di Cavalcanti, que era muito amigo meu e detestava arte abstrata, deixei de comprar obras importantes de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Hércules Barsotti. A porção de arte concreta na minha coleção é muito pequena. Agora, não é só ficar sentado em cima do quadro esperando o tempo passar. É preciso garimpar a coleção, ir se livrando de coisas menores para apostar naquilo que tem valor.

terça-feira, novembro 30, 2010

Imigração 3: Itália e Espanha se fecham

No final dos anos 1990, a Europa começava a fechar as portas pros imigrantes. Estava sendo construída uma cerca em torno de Ceuta e Melilla, dois entrepostos comerciais encravados no território de Marrocos, em pleno norte da África, mas que pertencem à Espanha desde o século XVI.

O projeto custou 36 milhões de dólares e consistia em duas fileiras de barricadas de arame com 3 metros de altura e entre elas um corredor de 5 metros de largura, formando uma zona de patrulha pros policiais espanhóis. O complexo contava com cameras de vídeos e torres de controle.

A ideia é a mesma da cerca na fronteira do México com os Estados Unidos, ou com o Muro de Berlim, com a diferença que este último existia pra impedir os alemães orientais de escaparem das maravilhas do comunismo e a primeira serve pra vetar que os pobres tirem uma casquinha do capitalismo avançado.

A Espanha construiu a cerca pra responder à pressões dos parceiros da União Europeia. A Itália fez o mesmo com relação aos refugiados curdos do Iraque e Turquia, africanos do norte e albaneses, que procuravam asilo nas ilhas de Lampedusa e Pantelleria, a 60 quilômetros do litoral da Tunísia, na África.

A Itália passou a receber essas pessoas em centros de triagem onde se amontavam os imigrantes. O problema era que os curdos usavam a Itália como brecha pra se estabelecer na Alemanha, pois este país tinha as leis de imigração mais liberais da Europa.

Mas pessoas como os curdos e argelinos, que fugiam de guerra e perseguição política, estavam dispostos a tudo. Os africanos que chegavam a Ceuta e Melilla em busca de asilo, viajavam de países distantes sob as piores condições possíveis.

A Europa, alem do dilema moral, enfrentava a compreensível falta de disposição persecutória dos países de onde saiam esses imigrantes. Mas, só de marroquinos, existiam 1,7 milhão morando no exterior, apesar de serem punidos caso fossem pegos tentando sair de lá. O desemprego no Marrocos era de 20%.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Como as uvas variam

Uma grande variedade de atributos diferencia uma variedade de uva de outra. Esses atributos são distribuídos principalmente em duas categorias: traços de personalidade e fatores de performance. Traços de personalidade são as características da própria fruta, como por exemplo, o seu sabor. Fatores de performance são referentes ao modo que as uvas crescem, como a fruta fica madura e quão rápido podem chegar de 0 a 100km/h.

Traços de personalidades – a cor da pele da uva é a mais importante distinção entre as variedades das uvas. Cada variedade de uva é considerada uma variedade branca ou uma variedade vermelha (ou preta). Isto se baseando na cor da casca da uva quando ela está madura. Poucas uvas de pele vermelha são profundamente mais subdivididas em polpa vermelha, ao invés de terem polpa branca. Variedades individuais de uvas também se distinguem umas das outras pelos seus:

- Compostos aromáticos – algumas uvas possuem aromas e sabores florais enquanto outras possuem notas de ervas ou frutas. Algumas possuem aromas e sabores neutros.

- Níveis de acidez – algumas uvas são naturalmente carregadas com altos níveis de ácido, o que influencia os vinhos feitos dessa uva.

- Espessura da casca e tamanho individual das uvas – uvas negras com cascas grossas naturalmente possuem mais tanino do que uvas com peles mais finas. O mesmo acontece na relação pequenas-grandes uvas, pois nas pequenas uvas a percentagem de pele/suco é maior. Mais tanino na uva, mais firme e tânico será o vinho.

Os compostos de traços de personalidade de qualquer variedade de uva são consideravelmente evidentes em vinhos feitos dessa uva. Um vinho Cabernet Sauvignon é quase sempre mais tânico e um pouco mais baixo em teor alcoólico do que um Merlot, por exemplo, por causa da natureza dessas duas uvas questão.

Fatores de performance – os fatores de performance que distinguem as variedades de uvas são importantes para o crescimento das uvas, pois estes fatores determinam se será fácil ou difícil cultivar essa ou aquela variedade de uva em determinado quintal. Ou até mesmo se essa variedade pode ser plantada ali naquele solo. Esses fatores são:

- Qual o tempo que a uva precisa pra ficar Madura? Em regiões com pouco tempo de crescimento por causa das estacões, as uvas que são colhidas mais rápidas se dão melhor no local.

- Quão denso e compacto os cachos são. Em temperaturas mais quentes e húmidas, os cachos mais densos, algumas uvas podem apresentar problemas de mofo.

- Quanto de vegetação a variedade de uva tende a crescer? Em solos férteis, uma uva que cresce muitas folhas e galhos podem ter muita vegetação ao ponto das uvas não receberem a luz do sol.

As razoes por que algumas uvas se dão extremamente bem em algumas regiões e geram excelentes vinhos como resultado são tão complexas que os produtores de vinho ainda não conseguiram compreender direito. A quantidade de frio ou calor, a quantidade de vento e chuva (ou a falta dela) e a falta de raios de sol fortes no outro lado de uma colina, por exemplo, são fatores que determinam a performance de uma uva.

Em todo caso, não existem dois vinhedos no mundo com a mesma combinação desses fatores. Ou na linguagem, precisamente o mesmo terroir.

Mas falando nisso, como as uvas ficam maduras? Quando as uvas não estão ainda maduras, elas contem uma grande quantidade de acido e muito pouco açúcar, o que vem a ser verdadeiro pra qualquer fruta, e o sabor não é muito legal. Quando o amadurecimento começa a progredir, as uvas ficam mais doces e menos ácidas, apesar de sempre reterem algum acido e então seus sabores passam a ficar mais ricos e mais complexos.

A pele então fica mais fina e até mesmo os caroços também ficam maduros, algumas vezes mudando de cor de verde pra marron. O estágio em que são colhidas é um grande fator no estilo do vinho.