segunda-feira, outubro 18, 2010

Nunca fui petista

Diz o ditado que quem não é comunista antes dos vinte anos de idade não possui coração. E que quem continua comunista depois dos vinte anos de idade não possui cérebro. Baseado nisso, então eu não tenho coração, pois nem na minha adolescência eu me deixei levar por esses preceitos ilusionistas.

Tudo bem, vá lá, ninguém mais hoje em dia quer ser comunista. Hoje em dia a discussão corre em torno de governar de forma mais social ou mais voltada à economia, embora ainda exista um grupo que adora a ideia de totalitarismo, a ver os seguidores de Chavez e Castro.

Bem, fiz todo o meu primeiro grau num colégio católico, o Nossa Senhora das Neves e por lá, não havia manifestação política, apesar de alguns comentários velados de alguns professores de história e geografia. Mas eram tão velados que ninguém nem entendia. O único petista que eu conhecia era uma tia minha, que era professora da UFRN. Eu a enxergava mais como um ser exótico do que como um ser a ser levado à sério. Inofensiva.

Mas quando fui fazer o meu segundo grau, fui pra Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, a famosa ETFRN. Lá sim, eu pude conhecer de perto a militância esquerdista de perto. Aliás, conheci por dentro. Amigos e amigos de amigos faziam parte do grémio estudantil. Através do meu amigo Zé Soares Júnior, um esquerdista empedernido, mas comedido, conheci sujeitos como Zé Humberto, Marconi e Valdemar, esses extremistas loucos.

Zé Humberto, por exemplo, nunca era visto dentro da sala de aula. Fosse dia, fosse noite, lá estava ele sentado naqueles banquinhos em frente ao ginásio. Ele nutria um verdadeiro ódio contra aqueles que não se alinhavam com suas ideias e modo de vida. Um dia olhou para os meus tênis e começou as esbravejar que eram tênis de burguês. Como eu podia usar um par de ténis daqueles? Isso era um absurdo, gritava ele, pulando como se o chão tivesse quente e apontando pros meus pés.

Zé Soares me contou, achando divertido, que certa feita foram beber na Redinha e encontraram o cantor e compositor Toquinho e o louco do Zé Humberto começou a berrar, chamando Toquinho de canalha, porque nunca tinha feito música engajada e coisa e tal. Perguntava: “Toquinho, quem é você, Toquinho? O que você fez pela música popular brasileira, Toquinho? Toquinho, tu és um merda, Toquinho filho da puta!!!!!”.

O músico, lógico, deixou o local e mudou-se pra paragens menos hostis. Acho que esse foi o ponto máximo da vida de Zé Humberto, isto é, ter “desafiado” Toquinho. Essa história rodava naquela rodinha como se fosse um grande feito. Marconi era do mesmo jeito de Zé Humberto.

O outro citado era justamente o Valdemar, que atendia pela alcunha de “Assombroso”. Valdemar era inclusive o presidente do Grêmio. Também pouco ia às aulas. Não sei como e nem em quanto tempo conseguiu pegar o diploma de segundo grau, mas o fato é que pegou. Aliás, uma característica facilmente identificável dessa gente: eles não gostam muito de estudar e trabalhar. Gostam mesmo de tumultuar, discutir ideias e atrapalhar os outros, mas fazer esforço mesmo, jamais.

Até então, como eu disse, eu não tinha a menor ideia se eu iria votar em direita ou esquerda. Mas conhecendo os parasitas da esquerda, suas ideias e atitudes, comecei a me pender pra o outro lado. Primeiro porque eu era hostilizado por não ir jogar pedras e trocar porrada com a polícia em frente a ETFRN quando tinha greve. Segundo porque eu frequentava as aulas e isso é uma atitude burguesa. Ora, em que mundo nós vivemos?

Os professores então, Deus nos acuda. Tinha um chamado Hugo Manso, que fazia tudo, menos dar aula e conhecer o conteúdo. Foi meu professor de máquina frezadora e o conhecimento dele pra fazer os cálculos dos dentes de uma engrenagem eram similares aos meus conhecimentos sobre física quântica: zero.

Mas conversar merda e propaganda política era com ele mesmo. Era até engraçado. Aula de Hugo Manso, ele escorado na frezadora, falando mal do diretor da escola, falando mal dos Maias e Alves e falando mal de tudo o que se possa imaginar. No final, todo mundo fez uma engrenagem com o mesmo numero de dentes e Hugo Manso deu 10 pra todo mundo. O cara era legal e o sistema era uma merda, então contra o sistema, ele aprovava todo mundo.

Com essa base maravilhosa, eu comecei a desconfiar dessa turma. E fui ler. Ler e ler. Comecei a ter diferenças colossais com as ideias petistas e esquerdistas brasileiras de forma geral. Mas tudo isso continuava no campo das ideias. Eu respeitava Zé Humberto, Júnior, Marconi, Valdemar, Hugo Manso e todos os petistas e esquerdistas, pois acreditava que apesar de falta de aptidão deles pro trabalho e pro estudo, eles eram pessoas honestas e sinceras nos seus propósitos.

Pensava de coração que eles eram cavalheiros que, embora tivessem métodos diferentes, queriam o mesmo que eu, que era um mundo melhor, uma sociedade mais respeitada e respeitável e um país melhor. Nunca tive ódio deles por causa disso mesmo. Ora, se eu quero ir pra Roma fazendo uma escala em Nova York e o cara quer fazer uma escala em Moscou, tudo bem, afinal o nosso objetivo é o mesmo.

Mas o meu ódio começou de verdade mesmo quando o PT chegou à presidência da república. O ódio foi duplo. Primeiro por eu ter me deixado enganar por esses “coitadinhos” do PT. O sujeito que saiu do nordeste, perdeu um dedo e virou líder sindical. Enganar no sentido de achar que eram pelo menos honestos, quero dizer. E segundo porque descobri de verdade que são uma quadrilha de ladroes, altamente qualificada e eu nunca gostei de bandido.

Quadrilha essa que deseja tanto o dinheiro e o poder que fazem, de maneira muito mais descarada e sem pudores, acordos e falcatruas como nenhum outro ladrão fez nesse país. Ladroes da qualidade de ACM, Paulo Maluf, Sarney e Jader Barbalho.

O PT traiu todo mundo. José Dirceu, José Genoino e Lula meteram uma pedaço de pau no ânus de quem sempre acreditou neles. No ânus daqueles que foram às ruas bradar por Diretas Já, daqueles que foram as ruas pra derrubar Collor. No ânus daqueles meninos crédulos e tolos que foram recrutados nas escolas e universidade e que morreram tentando derrubar o governo militar.

Eles defecaram pra tudo isso. Defecaram e dão risada disso dentro dos seus quartéis. Ficaram contra a Constituição, ficaram contra o Plano Real, ficaram contra tudo o que foi tentado ser feito pra melhorar o país. Fizeram a oposição mais ferrenha e desleal que se tem noticia. E hoje tentam empurrar Dilma Roussef, uma criminosa, pra ser o presidente do Brasil. Graças a Deus não vivi um só instante no Brasil governado pelo metralha Luís Inácio. Moro no exterior desde o governo FHC. E caso Dilma vença as eleições, aí sim, eles vão botar mesmo pra derreter.

O PT fala de avanços sociais, mas alguém já viu esse nível de criminalidade que assusta o país hoje em dia? O brasileiro acha normal não poder sair à noite. Conversando com um tio pelo telefone, ele me disse, sem nem perceber o tamanho da merda que está metido, pois o ser humano como sendo bicho de costume, não nota as mudanças ao redor. Ele disse: Lá na minha casa de praia está tranquilo, eu posso ficar bebendo na varanda até umas 9 da noite, sem problema. Depois disso não, temos que entrar, pois já fica perigoso.

Você percebeu? E ele estava contando isso como uma vantagem. Poder ficar até às 9 da noite, na varanda da própria casa? Da casa? Da propriedade dele? Porra, bom demais, não? Pessoas que vem me visitar acham o máximo a gente poder sair à noite de casa. O máximo poder sair à noite. Você tá percebendo o tamanho do poço de merda em que o Brasil está metido? Não percebeu ainda? Então vote em Dilma Roussef e reze pra que quem sabe, você só trabalhe até as 4 da tarde, pois depois disso, as ruas serão dos bandidos e você só estará seguro debaixo do seu colchão.

Amigos e conhecidos são rendidos todos os dias. Chegando em casa, dormindo, ninguém tem mais paz em canto algum. Alguém por favor, compare os números da violência nos governos FHC e Lula, já que eles gostam tanto de forjar números e me digam por favor o resultado.

Eu discuto com alguns amigos petistas e eles possuem um branco, alias, um buraco negro quando o assunto é a canalhice do PT. O roubo do PT. Os crimes da gang. Eu mando um email falando sobre isso e eles não respondem. Sabe qual é a máxima canalha deles? O PT rouba mas faz um governo visando o social, e daí?

E daí um cacete. Rouba tem que sair ou ir pra cadeia. Um cargo político não é pra enriquecimento pessoal. Se isso já virou normal no Brasil, vamos logo explodir essa merda e começar tudo de novo. Está tudo errado, está tudo errado.

E eles ainda gritam aos quatro cantos que o país melhorou. Melhorou sim. Melhorou muito pro filho de Lula, pra Dirceu, pra Delúbio, pra Duda Mendonça, pra Palloci, pros traficantes, pros ladroes, pro MST. Está uma beleza.

Que a terra lhes seja leve!!!

domingo, outubro 17, 2010

Vale a pena ler 33: O criador do futebol lucrativo

Fui eleito presidente da FIFA apenas na primeira vez, quando derrotei o inglês Stanley Rous por 68 votos a 52. A partir daí, sempre me reconduziram por aclamação. Eu ficava porque todos me pediam. No meu último mandato, houve um novo movimento nesse sentido, mas tudo na vida tem um limite. O difícil não é entrar, é saber sair. Afastei-me da Fifa em seu auge, com recursos, competições e uma política de desenvolvimento do futebol no mundo inteiro que ela nunca teve. Além disso, deixei felizes os nossos funcionários, que ganhavam excepcionalmente bem quando saí. Por exemplo, em números de 1998: Uma secretária trilingue recebia, em média, 15.000 dólares por mês. Os chefes de departamento, 25.000 dólares cada um. O secretário-geral, 100.000 dólares.

Eu não recebia nada. A Fifa me pagava as viagens, incluindo alimentação e um automóvel a meu dispor em cada cidade a que chegava. Evidentemente, as passagens e os hotéis eram de primeira classe, pois em outras condições eu não iria a lugar nenhum.

As viagens cansavam, mas elas eram parte de meu trabalho. Não conheço ninguém que viajou mais do que eu. Fazia, em média, 800 horas de vôo por ano. Portanto, em 24 anos de Fifa foram 19.200 horas. Essa é a marca que um comandante de Jumbo completa perto da aposentadoria. Como presidente da antiga Confederação Brasileira de Desportos, entre 1958 e 1974, devo ter feito mais de 10.000 horas. Ou seja, passei das 30.000 horas.

Fui recebido por todos os reis, presidentes e primeiros-ministros dos países que visitei. Estive com Reagan, Bush e Clinton nos Estados Unidos, Brejnev, Gorbachev e Ieltsin na Rússia, para citar apenas esses seis. Alguns se tornaram meus amigos pessoais, como o rei Fahd, da Arábia Saudita. Ele me trata como se eu fosse uma pessoa de sua família. Outra feita, encontrei-me com Yasser Arafat e consegui do rei Fahd uma ajuda de 100 milhões de dólares para o desenvolvimento do esporte na Palestina.

Os estudos que realizamos na Fifa mostravam que o futebol movimentava 250 bilhões de dólares por ano na economia mundial, no meu último ano de presidente. Levam-se aí em conta salários de jogadores, bilheteria dos estádios, publicidade, transmissões de televisão, venda de material esportivo, passagens aéreas, ocupação de hotéis, turismo, indústrias paralelas e muito mais. A maior empresa do mundo, a General Motors, faturava 170 bilhões de dólares por ano no mesmo periodo. Pelos mesmos cálculos, o futebol empregava, direta ou indiretamente, 450 milhões de pessoas.

Quase 7% da população da terra trabalhava direta ou indiretamente com o futebol. A estimativa é bastante aproximada. Se contarmos pouco mais de 2 milhões de pessoas por país filiado já atingiremos esse número. Para dar uma idéia, até poucos anos atrás as mulheres não jogavam futebol. Desculpem a falta de modéstia, mas quando cheguei à Fifa o futebol não era nada. Posso dizer hoje que cumpri minha missão.

A missão de transformar o futebol na maior organização do mundo. Até 1974, a Fifa, no intervalo entre uma Copa do Mundo e outra, recebia empréstimos da União Européia de Futebol, a Uefa, para poder sobreviver. Ela promovia duas competições: a Copa, com dezesseis participantes, e o torneio de futebol nos Jogos Olímpicos. Hoje em dia temos dez grandes competições. Quando o Brasil foi tricampeão mundial, em 1970, recebemos como prêmio 600.000 dólares. No Mundial da França, cada seleção ganhou 1 milhão de dólares por jogo. Não há nada igual a uma Copa do Mundo.

Trinta e dois times é um bom número. Com dezesseis times, sistema que vigorou até 1978, tínhamos 32 jogos em 25 dias. Em 1982, com 24 equipes, passamos a 52 jogos em trinta dias. Com 32 seleções, o que aconteceu pela primeira vez em 1998, temos 64 jogos em 32 dias. Em todos os casos os dois finalistas disputam sete partidas. Os jogadores não sofrerão nenhum desgaste adicional.

Quem tem 200 filhos não pode pensar somente no interesse de dois ou três. O futebol africano, que era visto como simples curiosidade, hoje se encontra em franco progresso. Seus melhores jogadores atuam nos grandes clubes europeus. De outro lado, é preciso lembrar que, quando eu aumentei o número de participantes de dezesseis para 24, a receita da Copa passou de 60 milhões para 500 milhões de dólares.

O futebol ganhou muito desde que o empresário alemão Horst Dassler, dono da Adidas, criou a International Sport Leisure, a ISL, em 1974, que se tornaria a maior empresa internacional de marketing esportivo. Mas, ao contrário do que pensam, eu jamais tive ligação alguma com empresas que assinaram contratos com a Fifa. A Adidas já servia à Fifa quando assumi a presidência. Ela fornece material esportivo e em troca ganha publicidade. O que o senhor Dassler fez foi permitir que a Fifa firmasse, em 1975, um contrato muito importante com a Coca-Cola para o patrocínio de algumas de nossas competições. Certa vez, um jornalista inglês perguntou qual era meu interesse nesse contrato. Eu respondi que era tomar um copo de Coca-Cola uma vez por ano.

Os patrocínios da ISL chegavam a 1 bilhão de dólares na minha gestão. Ela ganhou a concorrência porque ninguém apresentou proposta melhor. Tínhamos também contratos com a televisão americana, no valor de 500 milhões de dólares, outros 100 milhões da Adidas e mais 100 milhões da Coca-Cola. Tudo isso era exaustivamente discutido dentro da Fifa. Primeiro, na comissão de finanças. Depois, pelos 24 membros do comitê executivo. Todos os nossos contratos foram aprovados por unanimidade e depois examinados com minúcia por escritórios de advocacia. Só então eu assinava, não sem antes ler com a maior atenção. Eles eram redigidos em quatro idiomas: inglês, francês, espanhol e alemão. Alemão eu não falo, meu inglês não é forte, mas espanhol e francês eu conheço a fundo.

Não sou teimoso, sou é determinado. Perdi meu pai com 18 anos, comecei a trabalhar cedo e um dia decidi que nunca teria patrão. Venci todos os meus desafios. Quando jovem, fui atacado pelo tifo negro e fiquei 120 dias preso a uma cama. O médico chegou a preparar minha mãe para o pior, lembrando que, entre 1.000 vítimas da moléstia, uma se salva. Pois ainda estou vendendo saúde. Nado 1.500 metros por dia, tenho uma taxa de colesterol abaixo da média e os médicos constataram que minha próstata é a de um homem de 55 anos.

Meu pai é que era uma pessoa de sorte. Em 1912, ele comprou uma passagem para o Titanic. Atrasou-se e, quando chegou ao Porto de Southampton, não pôde embarcar: o navio tinha acabado de partir para sua primeira e última viagem. Isso sim é que é sorte. Minhas realizações não se devem à sorte. Devem-se ao trabalho.

Desde que a televisão passou a transmitir os jogos com regularidade, os estádios gigantescos deixaram de ser necessários. Mesmo no Brasil, por motivos de segurança, não existem mais acomodações para receber aquelas multidões de antigamente. Em minha opinião, o Maracanã deveria ser implodindo. Ele está superado. Em seu lugar, deveria erguer-se um novo, para no máximo 80.000 pessoas, com estacionamento, melhor utilização do espaço, segurança e conforto. Poderia ter hotel, supermercado, shopping center, o que permitiria sua utilização permanente. A idéia, aliás, não é minha. Fizeram exatamente isso com o velho estádio de Wembley, em Londres. Em seu lugar, ao custo de 200 milhões de dólares, foi construído um complexo moderníssimo.

Em 1985, o México sofreu um terremoto terrível, no qual morreram pelo menos 5.000 pessoas, mas no ano seguinte o país realizou uma maravilhosa Copa do Mundo.

Não era o meu desejo que a copa de 2002 tivessem duas sedes. Foi a decisão do comitê executivo da Fifa. Os dois países tinham diferenças consideráveis, como população, economia e número de cidades em condições de sediar a Copa. Eram doze no Japão e apenas duas na Coréia.

O que eu disse sobre a Lei Pelé é que os filiados à Fifa são obrigados a cumprir seus estatutos. Quem não se enquadra deve sair. Alguns aspectos do projeto se chocavam com aqueles estatutos, mas foram retirados.

Pelé foi o maior jogador do mundo, mas administrar é outra coisa. Desculpem mais uma vez a imodéstia, mas fui presidente da CBD e saí de lá com três títulos mundiais. Quando assumi a Fifa, ela não tinha nada. Hoje acho que é a maior organização do mundo, pelo que gera de emprego, de dinheiro e de alegria em todos os continentes.

Não havia razão para que eu convidasse Pelé pra cerimonia de sorteio da copa. Nós convidamos os representantes dos países finalistas e jogadores das novas gerações. O que eu tinha de fazer por ele eu fiz. Há alguns anos, quando seus contratos de publicidade estavam caindo, eu o levei a vários países para ajudá-lo. Deixe ele ficar no lugar dele que eu fico no meu.

* Por João Havelange, nascido em 1916, foi presidente da FIFA entre 1974 e 1998 e também foi presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD, a antiga CBF) entre 1958 e 1975. 

sábado, outubro 16, 2010

Imigração 2: os problemas dos dekasseguis

Os brasileiros que trabalhavam no Japão no final dos anos 1990 enfrentavam problemas que contradiziam as impressões dadas pelas maravilhas da imigração. Na verdade, a vida de um trabalhador brasileiro no Japão naquela data nada tinha de confortável ou próspera.

O dia-a-dia das fábricas era pesado, repetitivo e autoritário. O relacionamento com os japoneses era geralmente formal e restrito ao local de trabalho. A maioria dos dekasseguis, como são chamados os trabalhadores estrangeiros, só se atreviam a gastar o essencial, guardando o dinheiro suado para o dia de voltar pra casa. Sem luxos, sem eletrônico, sem lazer, somente poupança.

A única coisa que os fazia trabalhar todo dia nesse ambiente hostil de autoritarismo e discriminação social era o sonho de abrir um negócio por conta própria ou comprar a casa própria, quando voltassem pro Brasil.

No final da década de 1990 esse sacrifício não estava valendo tanto a pena. Talvez tenha valido quando a prosperidade nipónica estava de vento em popa e se podia dobrar o salário com horas extras. Mas a situação havia mudado e a recessão fez minguar a oferta de empregos e praticamente acabaram-se as horas extras.

A procura por trabalhadores estrangeiros havia caído quase que 80% e os salários que facilmente chegavam a 5 mil dólares, nessa época não chegavam a 3 mil dólares mensais. Isso era muito pouco, pois só pra se ter uma ideia, na mesma época, uma laranja custava 1 dólar. E pra piorar, eles ganhavam em Ienes, que estavam se desvalorizando à passos largos com relação ao dólar.

A saída em massa dos brasileiros pro Japão se deu no começo dos anos 1990, quando se vivia no Brasil um período de grande falta de esperança. No final da década de 1990, havia 220 mil brasileiros trabalhando no Japão, na sua maioria, descendentes de japoneses.

A maioria deles entrava no Japão seguindo o seguinte esquema: empresas de mão-de-obra pagam a passagem do trabalhador e vivem num sistema de vales e contas que nunca são pagas, escravizando os pobres diabos que vão em busca de uma vida melhor. E ainda moram nos alojamentos e tem que pagar gás, luz, aluguel e até o aluguel da bicicleta. Nada é de graça. Lembra muito aqueles trabalhadores do garimpo ou da borracha, que nunca conseguiam pagar duas “dívidas” com os donos do local.

Chegando lá, o trabalhador aprende logo duas palavras: Hayaku (mais rápido) e damê (está errado). Os japoneses são metódicos e inflexíveis e pecam pela falta de criatividade. O sistema japonês detesta reclamações por parte dos funcionários e detesta também qualquer mudança. Só falavam com os funcionários estrangeiros aos berros e pra mostrar um trabalho, as vezes, os estrangeiros são puxados pela gola.

Li há algum tempo um artigo no Toronto Star que dizia que o Japão estava com enormes problemas por causa da força de trabalho que está envelhecendo e eles não estão conseguindo preencher essa lacuna por se recusarem a criar leis de imigração decentes, que respeitem o estrangeiro. Tomara que se fodam, pra deixarem de ser intransigentes.

No meu trabalho, um japonês derrubou um pote de café no chão da cozinha. Uma senhora canadense estava ao lado dele. Ele começou a sair e a senhora perguntou se ele não iria limpar aquela sujeira, no que ele respondeu que não, que ele era homem e homem não limpa porra nenhuma. A mulher disse só se for no seu país, pois aqui não importa se quem sujou é homem, mulher ou macaco. Sujou tem que limpar.

Ele abaixou-se e limpou com papeis toalha. Eu que assistia a tudo quieto, só aumentava o constrangimento daquele sujeito, que por estar limpando o chão, acho que iria se matar de tanta vergonha. E a mulher ao lado dele supervisionando. No final ele ainda disse: se minha mulher me visse limpando o chão iria ficar altamente ofendida, pois o marido dela não foi feito pra isso. É brincadeira? Eu só tinha vontade de chutar a cabeça dele enquanto ele estava abaixado. Eu pensava se ele é arrogante assim aqui, imagine então essa belezura lá no Japão, na casa dele?

Outro japonês do trabalho criticou um canadense pois o mesmo estava de papo com a faxineira. Ele queria saber como era possível um cara que era engenheiro abrir a boca pra falar com uma faxineira? Aquilo pra ele era inadmissível.

Vou dizer. Temos que ter um saco do tamanho do de papai noel.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Alguns segredos das variedades das uvas

A beleza de tudo é que o vinho é um produto da agricultura, nascido da terra, da plantação da uva e do trabalho duro de seres humanos. Literalmente e emocionalmente, as uvas são o elo entre a terra e o vinho. As uvas também nos dão um dos modos mais fáceis de classificar os vinhos ou de fazer sentido nas centenas de tipos de vinhos que existem.

Porque as uvas importam? Porque as uvas são o ponto inicial de cada vinho e por conseguinte, elas são amplamente responsáveis pelo estilo e personalidade de cada vinho. As uvas que fazem um vinho em particular dita a estrutura genética deste vinho e como ele irá responder com relação a tudo o que o fabricante faça com ele.

Tente se lembrar do último vinho que você bebeu. Qual era a cor? Se era branco, as chances são de que tenha vindo de uma uva branca. Se era rosé ou tinto, era porque ele veio de uvas vermelhas.

Ele tinha um cheiro de ervas ou de terra ou era frutificado? Quaisquer que fosse os aromas, eles vêm principalmente das uvas. Ele era firme e tânico ou soft e voluptuoso? Agradeça as uvas com o consentimento da mãe natureza e do fabricante do vinho.

Uma específica variedade de uva ou variedades que faz qualquer vinho é amplamente responsável pelas características sensoriais que o vinho proporciona, desde a sua aparência até os seus aromas, sabores, e seu perfil álcool/tanino/acidez.

Como as uvas crescem, a quantidade de sol ou de humidade que elas pegam, por exemplo, ou quão maduras elas estão quando são colhidas podem enfatizar certas características mais do que outras. Cada variedade de uvas reage de maneira particular às técnicas agrícolas e de fabricação que são submetidas.

Quando se fala em variedade de uva se fala da uva de um específico tipo de plantação. Por exemplo, a uva de um vinho Cabernet Sauvignon ou a uva de um vinho Chardonnay.

O termo variedade na verdade um significado especial nos círculos científicos. Uma variedade é uma subdivisão de uma espécie. A maioria dos vinhos do mundo é feito a partir de uma variedade de uva que pertence a espécie Vinifera, que por sua vez é uma subdivisão da Vitis. Essas espécies são originárias da Europa e da Ásia Ocidental. Outras espécies distintas da Vitis são nativas da América do Norte.

Uvas de outras espécies podem também fazer vinhos. Por exemplo, a uva Concord, que faz o vinho Concord, assim como faz também suco de uva e gelatina, pertence a uvas nativas americanas da espécie Vitis labrusca. Mas as uvas destas espécies tem um gosto muito diferente das uvas viníferas. O gosto delas é conhecido como foxy. O numero de uvas que não são viniferas é muito inferior, pois seu sabor é menos popular do que vinho.

Flocos de neve e impressões digitais não são exemplos únicos da variedade da natureza. Dentro do tipo Vitis e da espécie Vinifera, existem mais de 10 mil variedades de uvas. Se os vinhos de cada uma dessas espécies estivessem sendo comercialmente exploradas e você bebesse uma variedade diferente todo dia, você teria que gastar mais de 27 anos pra saborear todas.

Não estou dizendo que você não iria querer fazer isso, mas 10 mil variedades de uvas que possuem a habilidade de fazer um vinho extraordinário, uvas que tendem a fazer um vinho apenas normal e uvas que fariam vinhos que somente os pais iriam gostar. Muitas variedades são uvas obscuras cujos vinhos raramente entram no comercio internacional.

Se um sujeito que amasse muito vinho e que tivesse tempo disponível pra explorar as estradinhas da Espanha, de Portugal, da Itália e da Grécia, iria encontrar umas 1500 espécies de vinhos, que daria apenas 4 anos de bebedeira diária com uvas diferentes. Mas a variedade de uvas que você encontra na sua vida normal de bebedor de vinho provavelmente irá chegar perto do número de 50.

Sabe o que é a ameaça da phylloxera? Se existisse uma lista de frutas em extinção no final do século 19, Vitis Vinifera certamente estaria nela. A espécie inteira foi quase erradicada do planeta terra por um bichinho pequeno chamado phylloxera, que imigrou pra Europa, vindo da América e empestou as raízes das plantações de uvas viníferas, extinguindo plantações inteiras no continente europeu.

Até hoje, nenhum remédio foi encontrado pra proteger as raízes viníferas da phylloxera. O que salvou as espécies foi o enxerto de uvas viníferas nas raízes de espécies norte americanas que são resistentes ao inseto. A prática de enxertar parte da fruta da Vitis vinífera dentro de outra espécie resistente ao phylloxera continua ate hoje em todo lugar do mundo onde a phylloxera está presente e vinho decente é fabricado.

A prática é enxerto da frita é chamada de Scion e a parte da raiz é chamada rootstock. Miraculosamente, cada variedade de uva mantém suas características próprias, apesar de serem criadas em cima de uma raiz alienígena.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Fatos para serem lembrados 9: Putin chegava ao poder na Rússia

Na virada do milénio, chegava ao poder na Rússia um homem sem credenciais como democrata. Vladimir Putin era um homem saído dos porões da KGB e que até pouco tempo antes disso, pouca gente tinha ouvido falar. Quem escolheu o novo presidente da Rússia foi Boris Ieltsin, que tinha sido o presidente desde o fim do comunismo em 1991. Ieltsin renunciou e deixou o seu pupilo no seu lugar.

Putin tinha 47 anos de idade e recebia nas mãos uma verdadeira “promoção”. A economia ia de ladeira abaixo, havia uma guerra selvagem numa província rebelde, a corrupção corroía o aparelho estatal e as extravagancias dos novos ricos eram um despautério onde os aposentados catavam restos de comidas no lixo e onde a expectativa de vida da população estava em queda.

Como Ieltsin indicou Putin como sucessor, a população aceitou de bom grado e votou pesadamente nele quando chegaram as eleições. Putin era uma mão forte que colocava o país no caminho de ordem novamente. Além disso, a sua ofensiva bélica implacável contra os separatistas de Chechénia fez Putin ter os votos da maioria dos russos.

A Rússia é o maior país do planeta, com 11 fusos horários e compreende do leste da Europa, passando pelo norte da Ásia e terminando no oceano pacífico. Tinha exército de massa, aviões caças de última geração, submarinos nucleares e cientistas de primeira linha. Alem de imenso territorialmente, possuía etnias diferentes que falavam mais de 100 línguas e dialetos diferentes.

Apesar de estar bagunçada, a Rússia era dona do segundo maior arsenal nuclear do planeta e dispunha de recursos naturais incomparáveis e um capital humano com alta qualificação. Porem, desde o final da URSS em 1991, o PIB era praticamente a metade.

O desemprego era de 12% e mais de um terço da população vivia abaixo da linha de pobreza. Criminalidade estava em ascensão, desde gangs de jovens ate mafiosos de grande porte. A corrupção tomava conta da administração pública.

O que se via na Rússia era uma nação onde ninguém pagava impostos, ninguém respeitava uma fila, os balconistas não se sentiam na obrigação de atender os fregueses e todos eram corruptos. O ícone dessa gente era Boris Berezovsky, um megaempresário que, na sombra, controlava a política, a economia e a vida dos russos. Berezovsky era o patrono de Ieltsin. Foi ele, também, que abençoou a indicação de Putin à presidência.

segunda-feira, outubro 04, 2010

A Sadia – Parte 2

Bem, dando continuidade à história da Sadia. Quando o neto predileto do seu Attilio Fontana, Luiz Furlan era o presidente do conselho, foi que começaram as aplicações financeiras. Em 2003, ele deixou o cargo pra se tornar ministro do Desenvolvimento de Lula e antes de sair, ele colocou o seu pai, Osório Furlan como seu representante no conselho. Osório este que havia sido demitido pelo próprio Attilio, em 1983.

Na apresentação que Oscar Malvesse fez na Sadia em 2007, ele disse que o lucro operacional (que vinha das vendas dos produtos) representava apenas 57% dos ganhos da empresa e que os outros 43% provinham de transações financeiras. Nas grandes empresas, esses ganhos com operações financeiras não passam de 10% do lucro total.

Entre 2002 e 2007, as vendas da Perdigão cresceram 73% a mais do que as da Sadia.

Em Setembro de 2008, o presidente Walter Fontana Filho, estava tentando comprar o Frangosul, do grupo francês Doux, o maior produtor europeu de aves e embutidos. A Sadia iria desembolsar 1,2 bilhão de reais por essa empresa. Pouco tempo depois, o diretor financeiro, o baiano Adriano Ferreira mandou cancelar a compra da Frangosul, pois havia perdido o controle das operações de câmbio e que a Sadia estava com 5 bilhões de dólares a descoberto no mercado de derivativos.

A Sadia tinha fechado posições de câmbio a 1,60 real e apostado que o dólar não subiria. Mas naquele dia, a moeda chegou a pouco mais de 1,80 e essa diferença, pelo contrato com os bancos, tinha que ser paga em dobro. São as chamadas operações 2 por 1. Com isso, a cada subida do dólar, a Sadia tinha que fazer um depósito na BMF para honrar seus compromissos. Como era obrigada a zerar diariamente essas posições, o caixa da empresa e sua liquidez estavam ameaçados.

A sangria começou com a implosão do mercado imobiliário americano, que fez com que o dólar começasse a subir. Adriano estava mantendo o quadro em segredo e já havia gasto mais de 500 milhões de reais pra cobrir as posições, usando o capital de giro da Sadia.

Walter Fontana então convocou uma reunião emergencial com membros da direção. Entre eles estavam Cassio Casseb, ex-presidente do Banco do Brasil, Eduardo D’Ávila, vice-presidente do conselho de administração, Roberto Faldini, conselheiro responsável pelo comité de auditoria, José Antônio Gragnani, da corretora Concórdia e João Ayres Rabello, executivo contratado poucos meses antes pra tocar o projeto da abertura de um banco da empresa, chamado Banco Concórdia.

Trabalharam duro até a noite e conseguiram reduzir a exposição da Sadia de 5 pra 3,4 bilhões de dólares. Morria ali quase um terço do problema. Mas as coisas iriam piorar ainda mais. Tentaram pegar 1,5 bilhão de reais da Fundação Attilio Fontana, mas o presidente da fundação não deixou, alegando que ali Attilio tinha colocado 30% do seu património pessoal, que não seria tocado. Os familiares foram então avisados que, do dia pra noite, a maior empresa de alimentos do país estava a beira da falência.

Walter, engolindo o orgulho, foi pedir ajuda ao primo Luiz. Luiz era dono de 23% das ações da Sadia, havia saído do governo meses antes e em vez de retornar a Sadia, se envolveu num projeto ambientalista na Amazônia. No momento da bomba, Luiz estava no Japão participando de uma reunião do conselho da Panasonic. O prejuízo total com os derivativos foi de 2,5 bilhoes de dólares.

Aí entra o PT. Furlan, que havia sido ministro de Lula, procurou o presidente pra pedir ajuda. Eles queriam um empréstimo do BNDS. Lula entregava de bandeja a Sadia para as mãos da concorrente Perdigao. Do mesmo jeito que forçou a venda da Brasil Telecom pra Oi, Lula viu a oportunidade de criar uma grande empresa nacional no setor de alimentos.

Surgia assim a Brasil Foods, com 25 bilhoes de reais em vendas, sendo 10 bilhoes somente de exportacoes. Contava com 4,2 bilhoes em investimentos e 120 mil funcionários, espalhados por 64 fábricas.

A Sadia tinha 32% da nova empresa, onde 12% eram da família, contra 68% da Perdigao, que tinham também a presidência executiva da empresa.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Peekaboo Day Care

Luisa e Amanda no primeiro dia delas no Peekaboo. Setembro de 2008.
 
Quando as minhas filhas completaram 2 anos de idade, minha sogra começou a ideia de colocar as meninas numa creche. Eu não gostei da ideia, uma vez que eu contava com a educação gratuita, um dos brindes canadenses em troca dos impostos excessivos que pagamos. Como o ensino gratuito só começa na Júnior Kindergarten, ou seja, quando a criança tem 4 anos, eu estava disposto a esperar esses dois anos a mais. Ainda porque, tínhamos trazido uma babá do Brasil pra ficar com as meninas nesse período.

Porem, minha mulher gostou a idéia e pra ter sossego, eu concordei com o processo e as meninas começaram a ir pra creche. Fizemos umas pesquisas e encontramos a Peekaboo.  Felizmente, a resposta foi excelente. Eu não sei o que seria delas caso não tivessem ido pra lá desde cedo. Aprenderam desde o inglês fluente, passando por convivência social e outras regras e hábitos que estão ajudando bastante a elas nessa nova fase, de Júnior Kindergarten. Enfim, elas entraram na Peekaboo em Setembro de 2008 e saíram agora, dois anos depois, em Setembro de 2010. As pessoas lá são maravilhosas, desde a coordenadora Tanya e a vice-coordenadora Sam, até as professoras. Jennifer foi a primeira e por fim, tiveram Katie, Patricia e Lindsay. Todas muito atenciosas com as meninas e com muito cuidado.

Todo o tempo que elas passaram lá foi maravilhoso. A independência cresceu significantemente e elas criaram amizade com duas meninas e formavam sempre o mesmo quarteto. Engraçado como até nessa idade as amizades são formadas de maneira mais forte do que com outras pessoas. O quarteto era sempre o mesmo: Amanda, Luisa, Victoria e Madelaine.

Luisa e Amanda no último dia no Peekaboo. Setembro de 2010.

Foi uma decisão que eu não me arrependo. Até mesmo quando as meninas estavam indo embora, as professoras faziam um trabalho psicológico nelas, convencendo-as de que era preciso mudar de escola, pois elas estavam crescendo e a nova escola era de meninas grandes. Elas aceitaram numa boa e chegaram na nova escola bem contentes, conscientes de que era preciso mudar. Nem falam mais na Peekaboo. Até nisso tudo funcionou direito. Assim, quem puder e quiser, eu recomendo essa creche. As meninas ficavam lá desde 7 da manhã até 6 da tarde. Recomendamos pra um casal amigo nossa de brasileiros e eles estão adorando.

Agora estamos vivendo uma nova fase. Elas começaram a natação em fevereiro de 2010 e já estão no nível 4 das crianças. Também começaram as aulas de Ballet. Tudo tem sido novo e proveitoso. A Júnior Kindergarten na escola católica, a natação, o ballet, ufa, já estão com agenda de menina grande.

domingo, setembro 19, 2010

Vale a pena ler 32: Especular é preciso

Os especuladores em geral nunca tiveram boa imagem no mercado financeiro, e os especuladores com moedas sempre foram considerados os piores da espécie. São chamados de indivíduos apátridas, gananciosos, irresponsáveis. A essa imagem era oposta outra: a dos dirigentes dos bancos centrais, os bonzinhos patrióticos, responsáveis, respeitáveis, lutando bravamente pelo valor adequado de suas moedas.

Quando se vê o mercado de moedas com mais realismo, no entanto, esses estereótipos caem por terra. Os supostos malvados, os especuladores, são geralmente diretores financeiros de empresas, banqueiros, financistas, e mesmo dirigentes de instituições nacionais que agem motivados pelos melhores interesses de suas empresas, bancos ou nações e não por interesse pessoal. Hoje esses cidadãos compram ou vendem moedas para se antecipar a valorizações ou desvalorizações cujas tendências estão visíveis para quem sabe interpretar os sinais do mercado.

Antes, o mercado financeiro internacional vivia a mercê dos ministros das finanças das grandes nações. Hoje, as nações estão à mercê dos mercados financeiros, dos banqueiros e dos tesoureiros das multinacionais. Sim, é verdade. Houve uma mudança de 180 graus. Mas veja. Hoje, um dirigente financeiro recebe informações, por exemplo, sobre a inflação em certa moeda. Ele faz, então, algumas chamadas telefônicas, aperta alguns botões de seus computadores e dispara decisões que afetam o preço daquela moeda. Quando muitas decisões do mesmo tipo são tomadas, elas acabam forçando a mudança no preço da moeda, substituindo, na prática, o que os ministros das Finanças faziam no passado. Mas e daí? É fácil culpar um estereótipo (os especuladores) pela instabilidade das moedas. Mas qual é a causa verdadeira? Não é, no caso, a política governamental responsável pela inflação? Mais ainda: ao estudar casos como esse sempre se descobre que os especuladores são os que estão dizendo a verdade sobre o valor da moeda. Sistematicamente, é o governo e o dirigente do banco central que têm motivos políticos para ignorar a realidade. Nos dias de hoje, o valor de uma moeda, assim como qualquer outro valor, não pode ser determinado na clausura de uma sala de reuniões.

A queda da moeda da Malásia no final dos anos 1990, por exemplo, pode ser atribuída a muitos fatores. Os especuladores têm pouco a ver com o problema. Um dos fatores principais foi o fato de os bancos do país terem tomado muitos empréstimos dos EUA e do Japão a juros baixos e os terem usado para financiar uma intensa atividade de construção civil, prédios, arranha-céus, aeroportos a taxas de juro muito altas.

Os que tomaram o dinheiro emprestado, que ficaram com enormes dívidas em dólar, é que se lançaram a vender a moeda do país e a comprar dólares freneticamente, para se proteger, quando sentiram a fraqueza da moeda local. Portanto, é completamente errado culpar os especuladores nesse caso. E, em geral, também não é verdade. Ao contrário: são os especuladores, no seu movimento permanente de comprar e vender moedas, o tempo todo, milhares de vezes pelo mundo, que criam a liquidez necessária para o bom funcionamento do mercado monetário internacional.

Reservas em dólar permitem que se impeça uma mudança brusca no preço da moeda e uma fuga de dólares do país motivada por uma grande venda de moeda local, seja essa venda decorrente de uma negociação comercial qualquer, seja essa venda de caráter especulativo. Um banco central deve ser capaz de amortecer as flutuações monetárias mais selvagens. Mas isso nada tem a ver com a proposta de banir a especulação.

Quanto a criar um mecanismo internacional, eu não acho que seja necessário. Os dirigentes do banco central americano estão em contato permanente com os dos bancos centrais alemão, japonês, brasileiro... É claro que todos esses bancos são independentes uns dos outros, as conversações são informais. Deveria haver um mecanismo formal? Não creio. As nações são independentes. Cada uma tem suas próprias motivações.

Diziam que o mercado futuro teve participação direta na quebra da bolsa de New York em 1987. De início, o mercado futuro de moedas foi escolhido como bode expiatório da crise. Cerca de noventa estudos feitos após aquela quebra incluindo o do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), no entanto, chegaram à conclusão oposta: a de que nosso mercado tinha contribuído para evitar que o crash tivesse sido pior, porque abriu válvulas de escape para a especulação, para os negócios futuros. Eu diria que, hoje, como regra, quanto mais a estrutura financeira de uma nação se desenvolve, mais a especulação é bem-vinda.

Muita coisa mudou desde a quebra de 1987. Foram criados alguns sistemas de suspensão temporária de vendas de ações na Bolsa de Nova York e de vendas de contratos futuros de ações aqui na CME. O Fed aumentou o número de horas de atendimento para garantir a liquidez aos bancos em situações de crise. Os grandes bancos internacionais, que são os garantidores em última instância dos contratos na CME, também aumentaram o colchão de liquidez para essas emergências. Neste crash de 1997, embora uma fortuna muito maior tivesse trocado de mãos, pois foram 2,5 bilhões em 1987 e 3,7 bilhões em 1997, tudo se fez em calma. Eu fiquei em casa e dormi tranquilo.

Estou operando no mercado futuro. Faço isso quase todos os dias, mesmo quando viajo. Já operei o mercado da ante-sala de gabinetes ministeriais. Além de sexo, é a única coisa que me diverte. O resto é meio enfadonho...

Dizem que os riscos acumulativos dos instrumentos financeiros podem criar um risco sistémico no sistema económico mundial e que isso pode colocar em xeque a própria sobrevivência da civilização ocidental. Bem, isso não é algo que eu ignore. Não sei que tipos de efeitos cumulativos podem ter se desenvolvido, e isso me preocupa. Não defendo que o sistema seja totalmente desregulado. Acho, por exemplo, que as crises na Malásia, Indonésia, Tailândia e Coréia foram decorrentes de falta de controles.

Emprestaram dinheiro sem as necessárias salvaguardas. O ministro piscava e os banqueiros achavam que era uma garantia. Podia ser um tique, um defeito físico no olho do ministro. Isso não é salvaguarda para o sistema financeiro. Eu me preocupo com sinais desse tipo.

No início dos anos 80, eu dizia que o dinheiro americano era essencial pra lubrificar as engrenagens da economia mundial mas que ao mesmo tempo, quanto mais dinheiro americano pelo mundo, maior era o risco de uma crise financeira. Mas isso eram outros tempos. Isso era quando os EUA tinham dois déficits enormes: o fiscal e o da balança comercial, quando o ouro chegou a 800 dólares a onça e quando nós estávamos sendo pesadamente financiados por dinheiro de fora.

Os deficits acumulados deixaram os EUA como os grandes devedores do planeta. A divida publica América chegou a ser de 5,3 trilhões de dólares e os japoneses de repente começaram a vender os títulos to tesouro americanos. Na verdade, o déficit fiscal persistiu por muito tempo em consequência da taxa de juro muito alta que foi usada para controlar a inflação americana da segunda metade dos anos 70. Mas não se pode menosprezar o fato de que a taxa de juro americana hoje está baixa e que isso tem propiciado um crescimento espetacular da economia, o que ajuda a resolver problemas acumulados.

Meu pai era um socialista. Mas eu sou um capitalista, é claro. Nesse sentido eu não o segui. Mas ele era também um humanista, um crente na igualdade dos homens, na igualdade entre homens e mulheres, entre as raças. Nisso eu o copio. E copio minha mãe também: ela foi uma das primeiras ativistas do movimento pela igualdade das mulheres, e eu me orgulho de ter sido um dos autores da proposta de eliminar a proibição prática que havia contra a presença de mulheres no pregão da CME.

* Por Leo Melamed, imigrante polonês que chegou ao Estados Unidos em 1941. É ex-chairman da Chicago Mercantile Future, a bolsa de mercados futuros de Chicago.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Imigração 1: a torneira havia fechado

No Censo dos Brasileiros no Exterior realizado entre Dezembro de 1995 e Dezembro de 1996, pode-se ver um movimento curioso. O grande êxodo de brasileiros parecia ter perdido a força. Qual era a magica? Talvez a moeda forte e a estabilidade económica do governo FHC? Depois de crescer sem parar entre 1985 e 1995, o numero se estabilizou nessa época.

Em 1995 contava-se 1,325,169 e em 1996 contava-se 1,560,162. Um salto de 17%, que correspondia mais ao rigor na verificação dos dados do que a um fluxo migratório.

Com exceção do Paraguai e dos países vizinhos, o grosso dos brasileiros vivia em áreas urbanas. O país que tinha a maior concentração de brasileiros eram os Estados Unidos, com cerca de 600 mil brasileiros. Vinham seguidos pelo Paraguai e pelo Japão, que ocupavam a segunda e terceira posições, respectivamente.

No caso de Chicago, a quantidade de brasileiro aumentou em 50% em um ano, pois a cidade estava se tornando um pólo de imigração de brasileiros. Em Nova York e Boston, destino típicos dos brasileiros em busca de vida melhor, a população estimada das comunidades continuou a mesma.

A perspectiva de fazer trabalhos considerados sub-empregos ainda atraia os brasileiros com poucas qualificações profissionais. A diferença é que alguns dos indivíduos estudados e com recursos também estava indo embora.

Lisboa viu a comunidade aumentar em 120% no período do Censo. Em Moscou, um grupo de empresários tentavam tirar vantagem do vale tudo capitalista que ocupou o lugar do comunismo. Em Dublin, na Irlanda, os brasileiros criavam cavalos puros-sangues.

Em Munique, na Alemanha, o maior número de brasileiros era formado por músicos. No Líbano, eram pequenos agricultores e comerciantes no Vale de Bekaa. Inclusive um paulista já foi ministro e nessa época, tinha sido eleito deputado.

Outro grupo em expansão eram as brasileiras casadas com estrangeiros, sobretudo na Alemanha, Áustria, Suíça e Itália. Na Coreia do Sul predominavam os pilotos brasileiros. E por ai vai.

Nessa época, eu tinha um sonho de morar fora. Apenas um sonho, que viria a se concretizar poucos anos mais tarde. Não sabia ainda, mas em pouco tempo após esse Censo, eu estaria integrando essas estatísticas.

terça-feira, setembro 14, 2010

O que é um vinho ruim?

Estranhamente, o direito de declarar que um vinho é bom porque você gosta não te dá o mesmo direito de dizer que ele não é bom somente porque você não gosta. Nesse jogo, você faz as suas próprias regras, mas você não pode forçar outras pessoas a aceita-las.

O fato é que existem pouquíssimos vinhos ruins no mundo de hoje comparado com 20 anos atrás. E muitos vinhos que chamamos de ruins são apenas garrafas ruins de vinhos e não o vinho todo de uma marca. Ou seja, garrafas que foram manuseadas de maneira errada e o vinho dentro delas ficou estragado. Estas são algumas características de um vinho considerado ruim:

Fruta mofada – já comeu uma fruta do fundo de uma jarra que tinha um gosto de poeira, de papelão? Sim, mofada? O mesmo pode ocorrer com um vinho, se o vinho for feito de uvas que não estavam completamente frescas e saudáveis quando colhidas. Isso dá um vinho ruim.

Vinagre – na evolução natural das coisas, o vinho é apenas um estágio de passagem entre o suco da uva e o vinagre. Muitos vinhos de hoje ficam pra sempre no estagio de vinho devido a tecnologia ou quando são muito bem-feitos. Se você encontra um vinho que já se transformou em vinagre, isso é um vinho ruim.

Cheiro de químico ou de bactéria – o cheiro mais comum encontrado é acetona ou até mesmo cheiro de ovo podre, borracha queimada ou alho estragado. Se encontrar um desses cheiros, isso é um vinho ruim.

Oxidação – um vinho oxidado cheira fraco, cozido, sem vida e terá o mesmo sabor fraco, cozido e sem vida, pode ter certeza que foi oxidado. Pode ter sido um vinho bom um dia, mas o oxigénio de alguma forma adentrou a garrafa e matou o vinho. Isso é um vinho ruim.

Aromas e gosto cozidos – quando um vinho foi estocado ou transportado no calor, ele pode ficar cozido ou assado. Geralmente, terá um vazamento pela rolha ou a rolha é empurrada pra cima um pouco. Quando isso acontece, terás um vinho ruim.

Rolha – esse é problema mais comum. O vinho fica com cheiro de papelão molhado e fica pior ainda com o contato com o ar, diminuindo a intensidade do sabor original do vinho. Ele é causado por uma rolha com problema. Todo vinho que é fechado com rolha de cortiça corre esse risco. Rolha ruim gera um vinho ruim.

Numa análise final, você gosta? Não devemos ficar por muito tempo martelando o que pode acontecer com um vinho pra ele ficar ruim. Se você encontrar um vinho que tenha se estragado ou simplesmente um vinho que você não gosta, ou até mesmo um vinho que seja considerado bom em todos os sentidos e você não gostou, não compre mais dele e prove outro vinho. Beber um vinho que seja considerado bom mas que você não gosta é o mesmo que assistir a uma série de TV que você detesta, mas assiste pois todos gostam. Você não está gostando, não assista. Mude o canal. Procure outro show.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Fatos para serem lembrados 8: A devolução do Canal do Panamá

As terras onde fica o Panamá hoje em dia foram arrancadas da Colômbia pelos Estados Unidos na base da diplomacia do canhão e foram levados à independência em 1903.

Quase 100 anos depois, no final dos anos 1990, O Canal do Panamá, que une os dois maiores oceanos do planeta, foi devolvido ao Panamá. Os americanos devolviam ao governo panamenho uma das maiores obras de engenharia do século 20.

A assinatura de devolução do Canal foi assinada em 1977 e dava o direito dos Estados Unidos intervirem militarmente na região caso a livre navegação nessa passagem estratégica seja ameaçada por algum ditador maluco.

A vontade de passar pelo Istmo do Panamá existia desde do tempo dos navegadores que descobriram o Novo Mundo. Quando chegaram à região, os espanhóis não se conformavam com a sacanagem da natureza: uma faixa de menos de 100 quilômetros impedia a navegação entre os oceanos, o que evitaria uma volta continental.

Em 1534, o imperador Carlos V encomendou um plano pra retirar a faixa de terra. Com a tecnologia disponível na época, tudo não passava de um sonho. Mas em 1879, a França disse que conseguiria tal feito. A França havia acabado de abrir o Istmo de Suez, no Egito, e construído com isso um canal com o dobro da extensão do que pretendido no Panamá. Por isso estavam tão confiantes.

Ferdinand de Lesseps, que chefiou a construção do Canal de Suez, subestimou a tarefa no Panamá. Morreram ali 20 mim trabalhadores. Eles chegaram ali em Janeiro de 1881 e encontraram um cenário hostil, com aranhas, cobras peçonhentas, e logo descobriram que uma coisa era escavar no terreno desértico do Egito e outra era tentar cortar ao meio uma montanha tropical pra fazer um canal no nível do mar. as chuvas torrenciais no Panamá que duram dois terços do ano causavam deslizamentos de terra soterrando trabalhadores e equipamento.

Se isso não fosse o suficiente, os trabalhadores morriam feito moscas, devido à febre-amarela e malária. E não só eles. Os administradores e seus familiares também morriam dos efeitos dessas doenças.

Os franceses concluíram 25% das escavações e em 1888, a Companhia Universal do Canal Interoceanico quebrava e os franceses deixavam a obra inacabada. Foi quando chamaram os Estados Unidos pra entrarem em cena. O país tinha o maior interesse em reduzir os 14 mil quilômetros que separavam Nova York de San Francisco, que tinha que ser feita pela Terra do Fogo, na extremidade da América do Sul. Assim como, queriam dominar essa passagem de ligação entre Pacifico e Atlântico.

O então presidente americano Theodore Roosevelt decidiu comprar a história e mandou bala. De quebra, conseguiu a independência do Panamá e criou bases para as operações militares americanas no continente.

Em 1904, os americanos sofriam tanto quanto os franceses com a chuva e a febre-amarela. Porem, John Stevens, o engenheiro chefe da obra, com 52 anos de idade, tinha experiencia em terras hostis pois houvera trabalhado em muitas construções de estradas de ferro no oeste dos Estados Unidos.

Havia enfrentado índios, matilhas de lobos e condições primitivas de sobrevivência. Ele percebeu que antes de continuar cavando, ele teria que erradicar as doenças. Deu carta-branca ao médico William Gorgas pra erradicar a febre-amarela.

Os franceses, apesar de terem construídos modernos hospitais, cometeram o erro de deixar baldes de água perto das camas dos pacientes pra afastar as formigas. E com isso espalhavam pelo hospital os focos de atracão dos mosquitos transmissores das doenças. Gorgas encontrou o erro e no final de 1905, a febre-amarela estava controlada.

Ainda assim, o total de mortos americanos foi de 5000, a maioria por soterramento. Em 1906, chegaram a um consenso: se o clima, o relevo e a vegetação tornam inviável fazer o talho no continente, porque não fazer com que os navios escalassem os obstáculos?

Decidiram então construir as oclusas e só assim o projeto deslanchou. Stevens abandonou a obra, que passou a ser tocada por um tenente-coronel chamado Thomas Goethals. A Passagem Culebra, hoje chamada de Gaillard, foi vencida com seus 12,6 quilômetros de extensão. O Rio Chagres foi represado, dando origem ao lago artificial Gatun e assim, em 1914, a navegação mundial ganhava um importante atalho.

Com 33,5 metros de largura e 306 metros de altura, as oclusas são o grande segredo do canal, que chegam a levar os navios a 26 metros acima do nível do mar. o sistema é baseado apenas na força da gravidade, que faz com que a água do Lago Gatun vá enchendo os degraus formados pelas oclusas, elevando o navio de patamar.

Separando cada estágio, estão outros pontos fortes da obra, que são as majestosas portas de aço, que na eclusa de Miraflores chegam a ter 25 metros de altura e pesam mais de 700 toneladas. Para que suas dobradiças não fossem sobrecarregadas, entrou em cena o princípio de Arquimedes. Impermeáveis e ocas, as portas abrem e fecham sobre as águas, recebendo um empuxo que alivia o seu peso monumental.

A represa que possibilitou o nascimento do canal, é responsável por gerar energia elétrica pra própria sustentação do Canal e assim como, para municípios vizinhos. Com a devolução dos Estados Unidos, o dinheiro do pedágio, que soma quase 2 bilhões de dólares por ano, passou a ser todo do governo do Panamá, que está engajado numa obra de alargamento do Canal, iniciada pelos Estados Unidos.

domingo, setembro 12, 2010

A Sadia - Parte 1

Uma das maiores empresas brasileiras levou um baque no ano passado. Anos e anos de história e esforço do seu fundador, Attilio Fontana, foram por água abaixo. Em 1986, abriram uma corretora, a Concordia, em homenagem ao nome da cidade onde a empresa foi fundada. A intenção era apenas operar com as ações da empresa, mas com óptimos resultados, passou a oferecer os serviços à terceiros. Sem saber, esse foi o primeiro passo pra derrocada da Sadia.

A história da Sadia começava em 1943, quando o gaúcho Attilio Fontana anunciou a sua saída da empresa que era sócio, a Moinho Concordia. Como ele era um comerciante conhecido e tinha bom nome na redondeza, atendeu a um pedido do prefeito pra entrar na sociedade e evitar a falência do moinho, que incluía também um frigorifico. Com a entrada de Attilio, o negócio saiu do vermelho.

Os sócios imploraram pra que ele não saísse e Attilio disse que ficaria se lhe dessem mais de 50% do negócios e fosse o controlador. E que todos os sócios teriam que lhe vender suas ações pela metade do preço e que se quisessem poderiam sair que ele pagava o dinheiro à vista, mas que poderiam continuar como sócios minoritários, caso desejassem. A maioria concordou e escolheram permanecer na sociedade. Naquele dia, Attilio decidiu o passo fundamental da sua carreira de empresário. Deixava de ser comerciante pra se tornar industrial.

Attilio nasceu em 1900, em Santa Maria da Boca do Monte, no Rio Grande do Sul. Descendente de italianos, falava com carregado sotaque e só vestiu sapato pela primeira vez aos 15 anos.

Bem, o primeiro desafio de Attilio no Moinho Concordia foi comprar maquinário pro frigorífico, mas como o mundo estava em guerra e o comércio oceânico havia parado, ele comprou o maquinário de um frigorífico que havia falido em Guaporé, RS.

Em Novembro de 1944, as máquinas entraram em operação no frigorífico e o produto principal era o porco, que virava linguiça, salsicha, salame e banha. Em seis meses, já abatiam 200 porcos por dia e Attilio mudou o nome da empresa pra Sadia, onde as duas primeiras letras eram de SA (Sociedade Anonima) e DIA eram as três últimas letras de Concordia.

A empresa começou a usar técnicas novas de higiene e conservação através de um sobrinho de Attilio, chamado Victor, que se formara em engenharia química. Também investiu em frangos e perus e mandou empregados estudarem técnicas de alimentos semi-prontos e congelados nos Estados Unidos e Europa. E abriram escritórios em São Paulo e no Paraná. Attilio entrou pra política, chegando a senador da república.
No começo dos anos 50, a Sadia sofria com as perdas de produtos perecíveis, por causa dos longos trajetos dos caminhões entre Concordia e os grandes centros consumidores e os produtos chegavam aos consumidores quase na data de validade.

Omar, filho de Attilio, teve a ideia de transportar a carga de avião e alugou um Douglas DC3 da Panair. A Panair só cedia os aviões aos domingos, então a Sadia o comprou. Outro problema surgia: o alto preço da gasolina dos aviões. Assim para ter acessos aos benefícios fiscais que o governo dava às companhias aéreas, entre eles a redução do preço do combustível de avião, Omar Fontana sugeriu que se arrendassem mais dois aviões, caracterizando assim a existência de uma empresa aérea. Com essa pequena frota foi criada em 1955, a Sadia Transportes Aéreos.

O transporte por avião deu uma vantagem competitiva à Sadia. Seus produtos chegavam aos consumidores mais rápido do que os produtos dos concorrentes. Nas horas ociosas, os aviões eram usados pra servir a terceiros. Com o tempo, a Sadia Transportes Aéreos virou a Transbrasil, que chegou a ter mais de 20 jatos e rotas pro exterior. Mas quando isso aconteceu, a Sadia não usava mais o transporte aéreo, pois com a melhoria das estradas e com os caminhões refrigerados, era mais barato fazer o transporte por terra. Em 2001, depois da morte de Omar Fontana, a Transbrasil quebrou.

Attilio morreu em 1989. Em 1994, o comando da companhia foi transferido pra terceira geração da família, a dos netos de Attilio. Luiz Fernando Furlan, o neto predileto, assumira a presidência do conselho de administração. Walter Fontana Filho, assumia a presidência executiva. Eles foram escolhidos pelas nove famílias dos filhos do fundador, alem dos sobrinhos, que juntos somavam quase 100 herdeiros.

Então, entre 1994 e 2003, Luiz e Walter não se falavam, o gerava muita confusão entre ordens e contra ordens, deixando os executivos perdidos. Luiz não falava com Walter pois esse denunciou falcatruas do pai dele, Osório Furlan, um genro de seu Attilio que fora colocado pra fora da empresa em 1983. A raiva de Luiz por Walter nunca passou.

Por isso o crescimento da empresa foi meio desviado. As últimas filiais de peso que a Sadia abriu, que foi em Tóquio, Milão e Buenos Aires, foram abertas no começo dos anos 1990. E fizeram também poucas aquisições. Em 1999, compraram a Miss Daisy, de sobremesas geladas e a Granja Rezende, de pesquisa genética e produção de aves e suínos.

Mas apesar das brigas, a Sadia crescia. As exportações saltaram de 500 milhões de dólares em 1994 pra 2,3 bilhões de dólares em 2007. O valor de mercado da empresa passou de 450 milhões de dólares pra 3,8 bilhões de dólares no final de 2007. Em 2007, a Sadia pagou 74 milhões de dólares em dividendos.

Por outro lado, a Perdigão, maior concorrente e originária também de imigrantes italianos, estava a beira da falência em 1994, quando foi comprada por 9 fundos de pensão, entre eles o Previ dos funcionários do Banco do Brasil. A Perdigão foi oferecida à Sadia, que não se interessou. Os fundos contrataram Nildemar Secches, um executivo vindo do BNDS. Em 2007, a Perdigão reestruturada atingiu o valor de 4,6 bilhões de dólares, superando a Sadia pela primeira vez na história das duas companhias.

Em 2002, o economista Oscar Malvessi mostrou aos executivos da Sadia que desde 1996, o lucro da Sadia vinha em grande parte de transações com papel e não mais com frango e peru. O seu Attilio já havia dito que não desejava que isso acontecesse. E foi por isso que as coisas deram errado.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Vale a pena ler 31:desmistificando o transplante

Quando a nova lei de transplante foi aprovada, no governo FHC, as pessoas saiam dizendo que estavam com medo de ter seus órgãos retirados durante uma fase de coma, sem que a morte tivesse ocorrido. Esse medo não tem fundamento algum. Ninguém será prejudicado ou terá a morte acelerada por causa dessa lei. Gostaria de deixar isso bem claro. A comunidade médica entende o instante da morte como aquele momento em que o cérebro do doente deixa de funcionar. Não comanda mais as funções vitais do organismo. É o que se chama de morte encefálica. O coração bate, existe pressão arterial, os rins ainda funcionam. O corpo está quente. Mas o quadro é irreversível. Ainda assim, com lei nova ou sem ela, com direito a transplante ou sem, o cérebro já se foi e essa pessoa está morta. Quando há interesse no transplante, essa pessoa tem seus órgãos mantidos em funcionamento por meio de aparelhos, de forma que sejam preservados.

Não há a menor possibilidade de haver uma confusão entre a morte encefálica e o coma profundo. Seguindo padrões internacionais, um protocolo do Conselho Federal de Medicina recomenda uma série de provas clínicas antes do anúncio da morte. Esses exames são realizados duas vezes: no momento da morte encefálica e seis horas depois. São provas de que o cérebro realmente ficou indisponível, de que se encontra em situação irreversível. Para garantir a fidelidade, os testes são feitos por dois médicos. Um deve ser neurologista e nenhum deles pode fazer parte da equipe de remoção de órgãos ou da de transplante. Exige-se também um teste complementar para justificar a morte encefálica. Um exame gráfico, como tomografia ou eletroencefalograma, mede por imagens ou gráficos a atividade cerebral.

As pessoas que acham que vão entrar no hospital e acordar sem os rins, o fígado ou as córneas estão com um receio infundado. Mas esse medo todo deixa uma lição, que é a falta de confiança de parte da sociedade nos médicos e no sistema de saúde. Quem pode acreditar que a saúde funciona quando vê as imagens de pessoas jogadas nos corredores dos hospitais sendo tratadas de forma improvisada porque faltam médicos e leitos? Cenas como essas poderiam produzir até mesmo outra pergunta. Por que devo acreditar que o médico não vai simplesmente me deixar morrer apenas para tirar meus órgãos? Outras tantas perguntas desse tipo podem ser feitas, mas as pessoas precisam ter claro que os médicos têm ética, guiam-se por ela e não ganham nada fazendo o que é errado. São pagos para salvar a vida dos doentes que lhes caem nas mãos e, em caso de óbito, devem lutar para que seus órgãos não sejam desperdiçados.

Quando assumi a chefia do serviço de procura de órgãos do Hospital das Clínicas, em São Paulo, fiquei muito chocado com o caso de um jovem de 20 anos, vítima de acidente de carro. Ele foi atendido num hospital municipal e ali se tentou um hospital melhor, que dispusesse de um aparelho de tomografia. Enquanto os funcionários procuravam por uma ambulância, o jovem teve morte encefálica na maca, no corredor do hospital. Procurados, os pais do rapaz aceitaram a doação, mas ninguém explicou a eles que, para que os órgãos fossem retirados, o corpo teria de ser removido. Um médico de nossa equipe foi até lá para fazer a captação do cadáver. Os pais do rapaz entraram em parafuso quando viram chegar uma ambulância toda equipada e souberam que o filho seria transferido para um hospital de grande porte onde ficaria na UTI para ser submetido a todos os exames que não foram feitos enquanto ele estava vivo e agora, com ele morto, se realizariam. Em crise, os pais acabaram recusando a doação. Afinal, como convencer o pai de um menino que morreu por falta de recursos que ele vai beneficiar outros doentes? Fica no ar a impressão de que a luta pelo órgão é mais importante do que a luta pela vida. Mas não é assim. Para salvar uma vida, às vezes o médico dispõe de minutos, e o relógio é seu maior inimigo. Quando acontece a morte, consegue-se a doação bastando para isso manter o corpo ligado a aparelhos e o coração bombeando. Com isso se ganham horas. O programa de transplante é muito bonito, mas é preciso olhá-lo com frieza porque ele convive com a ineficiência do sistema de saúde.

Sou obrigado a reconhecer que isso mexeu comigo. Quase fiquei maluco. De repente, posso estar colocando um cadáver na UTI, ligo o que tem de mais complexo e moderno em termos de aparelhagem para cuidar de um morto, enquanto, ao lado, há um paciente morrendo. Gastei muito dinheiro com meu terapeuta. Temos de lembrar que pegaremos a rebarba dos doentes que estão sendo malcuidados nos prontos-socorros. Será que a gente não está pegando doentes que poderiam ter sido mais bem atendidos? O que me conforta é que cada doador pode salvar a vida de, em média, oito pessoas. É o que me faz continuar. Além disso, uma quantidade enorme de pessoas vive, hoje, num estado de debilidade permanente. São doentes passíveis de ser tratados. E esse tratamento é o transplante. Essas pessoas têm uma restrição à vida muito importante. Sem o transplante, morrerão. A maioria tem entre 20 e 50 anos, uma faixa etária produtiva para a sociedade. Costumo citar a frase de um rabino de Israel: "Salvar uma vida está acima da dignidade dos mortos".

Só podemos convencer as pessoas sobre a importância da doação com campanhas de esclarecimento. As pessoas devem ser informadas sobre o que é a morte encefálica, a importância da doação, que a retirada dos órgãos não desfigura o cadáver. Se isso tivesse sido feito, não haveria tanta revolta e recusa a doar. Além disso, alguém que se declara hoje "não doador" imagina que jamais precisará de um órgão. Ninguém está livre de pegar uma virose, desenvolver uma doença cardíaca e ser obrigado a entrar numa fila de transplante de coração. As pessoas não entendem isso. Ninguém tem certeza se algum dia não será o último na fila de um transplante. Essas pessoas que estão carimbando seus documentos para evitar a doação deveriam também mandar carimbar que não querem ser receptoras. O egoísmo é inerente ao ser humano, mas deve ser repensado em algumas situações. A doação de órgãos é uma delas.

Eu peço uma autorização à família do morto, pois se não retirar os órgãos, serei processado por quem está na fila. Por outro lado, seu eu retirar os órgãos de todo mundo, alguma família reclamará que não autorizou a retirada. O que me faz pedir a autorização é um sentimento de ordem moral, que para mim vem antes da ética. Ao retirar os órgãos sem o consentimento dos parentes, posso piorar a dor deles. Eu informo sobre a lei. Tento convencer a família de que infelizmente o paciente morreu. Que isso não era a vontade de ninguém, mas ele está morto. E, agora, a gente precisa desses órgãos. A gente precisa preparar a população para não recusar a doação. Mas é a família que tem de tomar essa decisão. A lei me dá esse direito. Ter todo o poder nesse campo é complicado. Por que tenho de assumir esse ônus sozinho?

É preciso definir o que é oferta. Nem todos os hospitais têm meios de manter um corpo em condições de transplante. Portanto, ainda que haja uma nova lei, ainda que a doação seja maçiça, há um limite inevitável, que é o da falta de estrutura. Acontece que, com a lei, os médicos poderão contar com os órgãos dos pacientes que morrem em hospitais com estrutura. As chances de arrecadação de órgãos aumentam, portanto.

É uma lei correta, bem-feita, que cobre tudo. Diz que todo mundo é doador, a não ser que se recuse por escrito na carteira de identidade. Estabelece que cada Estado brasileiro tem de montar uma lista de pessoas que precisam de doação deste e daquele órgão. E ninguém pode furar essa fila, a não ser que os testes apontem uma incompatibilidade qualquer entre o órgão do doador e o organismo do receptor. A lei regula como se fará a retirada do órgão, para onde esses órgãos devem ser mandados, e também atinge os médicos e os hospitais que farão o transplante. Pela lei, os hospitais que retiram os órgãos devem ser cadastrados nas secretarias de Saúde. Os que não fazem parte do cadastro são obrigados a notificar a existência de um possível doador. As equipes médicas só podem fazer transplantes quando autorizadas. A vigilância é contínua. Não há o perigo de um médico sair arrancando órgãos por aí.

Com a lista única, a família perde o direito de decidir que o órgão de um filho seja usado pra um irmão. É um ônus, sem dúvida, mas é a figura do direito coletivo se sobrepondo ao direito individual. Se a captação é única, a oferta de órgãos aumenta e a fila de espera diminui. Todo mundo será beneficiado porque a lista rodará mais rápido. A lista única é um dos melhores pontos da lei. As equipes de transplantes têm agora de cadastrar seus doentes nas secretarias estaduais de Saúde e aguardar a vez.

Acho pouco provável que essa lei facilite o comércio de órgãos. A tecnologia para o transplante é muito cara e a mão-de-obra precisa ser muito especializada para alguém montar um serviço paralelo. Mas quem o fizer estará amparado legalmente. Isso por conta da brecha deixada a respeito daquele transplante que é feito entre dois seres vivos. Antes, esse tipo de procedimento só tinha autorização para ser realizado entre parentes. Agora, qualquer pessoa considerada capaz pode dispor de tecidos, órgãos e partes de seu corpo para fins de transplantes e terapêuticos.

Solicitei à Polícia Federal uma pesquisa sobre esses mitos urbanos que contam histórias de tráficos de órgãos. Não encontraram uma só ocorrência. O Brasil não tem estrutura para isso. Para fazer um transplante é preciso ter um local físico com no mínimo dois centros cirúrgicos e um laboratório de imunogenética para cruzar o sangue do doador com o do receptor para ver se o órgão não será rejeitado. Além disso, é preciso dispor de um número enorme de doadores para acertar um que tenha o perfil genético parecido com o do receptor. Não é coisa que se monte no boteco da esquina.

* Por Milton Glezer, 52 anos, ex-coordenador da Organizacao de Procura de Orgaos do Hospital das Clinicas de Sao Paulo, o maior centro de transplantes do Brasil.

terça-feira, setembro 07, 2010

Muddy Waters

Todo ultimo dia do mês estarei fazendo um top ten das musicas mais acessadas no site Discografia Obrigatória. Interessante ver como continua um alto interesse nas músicas de Muddy Waters. Hoochie Coochie man continua sendo a mais acessada do site no mês de Agosto teve 31 acessos. Deu uma caída com relação ao mês de Julho, pois teve 46 acessos no mês passado. Porem, continua sendo a líder do top tem por dois meses seguidos.

Bill Haley and His Comets continuam também na mesma posição, o segundo lugar, com Rock Around the clock, repetindo o feito de Julho. Só que tiveram mais acessos, chegando ao número de 28, quase encostado na primeira colocada.

The Platters e sua Only you também permaneceu em terceiro lugar, repetindo a proeza do mês passado, mas também aumentou pra 20 acessos, quando em Julho teve 18 acessos.

A partir da quarta colocação do top ten a coisa começa a se alterar. The Drifters com Money honey ocupam a quarta colocação de Agosto, com 17 acessos. Em Julho estavam na sexta posição com apenas 9 acessos. A quarta colocada de Julho, Too much monkey business, com 16 acessos em Julho, saiu do top ten de Agosto.

A primeira novidade do top ten é Elvis Presley, com Love me tender ocupando a quinta posição, também com 17 acessos. Não constava no top tem de Julho. A quinta colocada de julho era Carl Perkins com Blue Suede Shoes, que teve 10 acessos.

A sexta colocada do mês de Agosto é Ray Charles com I got a woman, que obteve 12 acessos. Era a oitava do mês passado, quando obteve 7 acessos.

Muddy Waters novamente com Mannish boy conseguiu alcançar a sétima posição com 11 acessos. No mês passado ela foi a nona colocada com 7 acessos.

A oitava colocada foi Little Richard com Tutti-Frutti, que caiu de posição, teve 10 acessos. No mês passado teve 7 acessos, mas era a sétima colocada. Estão precisando de mais acessos pra se manterem no top ten.

A nona foi Carl Perkins com Blue suede shoes com 10 acessos. No mês passado ela era a quinta colocada com o mesmo número de acessos. E por fim, pra fechar o top ten, outra estreante: Crazy arms, com Jerry Lee Lewis, com também 10 acessos.A décima do mês passado era justamente The Penguins, com Earth Angel.

Por fim, notou-se que:

Mantiveram-se na mesma posição: Hoochie Coochie man, Rock around the clock e Only you.

Subiram de posição: Money honey, I got a woman e Mannish boy.

Caíram de posição: Tutti-Frutti e Blue suede shoes.

Sumiram do top ten: Too much monkey business e Earth angel.

Apareceram no top ten: Love me tender e Crazy arms.

Até agora, tivemos 12 canções que apareceram no top ten. No mês de Agosto, os acessos somados do top tem chegaram ao número de 166, uma ligeira subida em relação aos 150 de Julho, ou seja, 11.1%.

Muddy Waters foi o único artista a ter duas músicas no top ten nos dois meses computados até agora. 53 em Julho e 42 em Agosto, totalizando 95 acessos em dois meses.

1 – Muddy waters com Hoochie Coochie man, 31 acessos (10)
2 – Bill Haley and His Comets com Rock around the clock, 28 acessos (6)
3 – The Platters com Only you, 20 acessos (12)
4 – The Drifters com Money Honey, 17 acessos (3)
5 – Elvis Presley com Love me tender, 17 acessos (36)
6 – Ray Charles com I got a woman, 12 acessos (15)
7 – Muddy Waters com Mannish boy, 11 acessos (21)
8 – Little Richard com Tutti-Frutti, 10 acessos (13)
9 – Carl Perkins com Blue suede shoes, 10 acessos (26)
10 – Jerry Lee Lewis com Crazy arms, 10 acessos (41)

quarta-feira, setembro 01, 2010

O que é um bom vinho?

Um bom vinho é, antes de tudo, um vinho que você goste de beber. Até porque a única proposta do vinho é dar prazer pra aquele que está bebendo-o. Mas, indo mais profundamente, o quão bom um vinho é depende de como é mensurado, baseado em padrões mais menos estabelecidos, gerando resultados dados por experts treinados e experimentados.

Esses padrões envolvem conceitos misteriosos como equilíbrio, duração, profundidade, complexidade e tipicité, ou seja, é verdadeiro ao tipo. A propósito, nenhum desses conceitos são mensurados objetivamente.

Equilíbrio - Comecemos com o equilíbrio. Nesse quesito, usaremos três palavras: doçura, acidez e taninos, pois elas representam os três maiores componentes do vinho. O quarto é o álcool. E mesmo sendo uma das maiores razoes pelas quais queremos beber um copo de vinho, o álcool é um elemento importante na qualidade do vinho.

O equilíbrio é a relação entre esses quatro componentes. Um vinho é equilibrado quando nenhum desses gostos se acentuam em detrimento dos outros, como um tanino muito amargo ou um gosto muito doce. Muitos vinhos são equilibrados, pra maioria das pessoas. Mas se você tem um gosto diferente pra comida, tipo se você não gosta de nada doce, você pode achar que um certo vinho não é equilibrado. Se você acha que ele não esta em equilíbrio, então ele nao estará em equilíbrio pra você. Os profissionais que testam vinhos sabem das suas peculiaridades e fazem um ajuste pessoal pro resultado.

O tanino e a acidez são elementos endurecedores do vinho, pois fazem o vinho parecer mais firmes na sua boca, enquanto o álcool e o açúcar (se existir algum), são elementos amolecedores. O equilíbrio de um vinho é a relação harmônica entre os aspectos firmes e os moles de um vinho e um indicador chave da sua qualidade.

Duração – quando nós chamamos um vinho de longo ou curto, nós não estamos nos referindo ao tamanho da garrafa ou em quanto tempo iremos termina-lo. A duração é uma palavra usada pra descrever um vinho que dá a impressão de descer ao longo do seu paladar, que você ira saboreá-lo em toda a extensão da sua língua, em vez de parar de sentir o gosto ainda na metade do seu aproveitamento.

Muitos vinhos de hoje são sentidos logo no seu paladar, dando uma boa impressão logo que você experimenta-os, mas eles não vão à longa distancias dentro da sua boca. Eles são curtos. Geralmente, altos níveis de álcool ou de taninos são os culpados. A duração é um sinal certo de boa qualidade.

Profundidade – este é outro atributo subjetivo e imensurável de alta qualidade de um vinho. Diz-se que um vinho é profundo quando ele parece ter uma dimensão de verticalidade, isto é, não tem um gosto sem graça e em uma dimensão na sua boca. Um vinho sem graça não pode ser um bom vinho.

Complexidade – não tem nada errado com um vinho simples e direto, principalmente se você gosta dele. Mas um vinho que mantém elementos diferentes que vão se revelando, sempre trazendo pra um novo sabor ou impressão, é um vinho que tem complexidade e é geralmente considerado de melhor qualidade.

Alguns especialistas usam o termos complexidade especificamente pra indicar que um vinho tem uma multiplicidade de aromas e sabores, enquanto outros usam esses aromas e sabores de forma mais holística e menos precisa, para se referir a impressão total que o vinho dá a você.

Acabamento – é a impressão que o vinho deixa na parte de trás da sua boca e na sua garganta depois que você engoliu. Também é chamada de pós-gosto. Em um bom vinho, você pode ainda perceber os sabores do vinho, como se é frutificado ou mais spicy. Alguns vinhos terminam quentes, por causa do alto nível de álcool ou amargo, por causa do tanino, mas que passam logo. Outros vinhos não tem nada a dizer sobre eles mesmos depois que vocês os engole.

Tipicité – com a intenção de julgar se um vinho é fiel ao seu tipo, você deve saber qual tipo de vinho você supostamente está indo testar. Assim, você tem que saber as características do vinho feito pelas mais importantes variedades de uvas e as clássicas regiões de vinhos do mundo.

Só pra terminar, voltemos a questão do equilíbrio. Para uma primeira experiencia sobre como a questão do equilíbrio funciona, tente isto. Prepare um copo de chá bem forte e bote ele pra gelar. Quando você bebe-lo, o chá forte irá ter o sabor amargo, porque é muito tânico. Agora adicione suco de limão e o chá irá ter sabor adstringente (comprimindo os poros da sua boca), por causa do ácido do limão e o tanino do chão que estão acentuando um ao outro. Agora adicione muito açúcar na sua mistura. A doçura deve contrabalancear o impacto acido-tanico e o chá irá ter o gosto mais soft do que antes.