sexta-feira, julho 03, 2015

De 1954 à 1958



Vamos brincar um pouco com a super lista do blog Discografia Obrigatória. Seguem dez músicas da lista, tocadas muitos anos mais tarde.

1 – Hoochie coochie man - Começando com esse blues poderoso lançado por Muddy Waters em 1954. Aqui, uma versão com Eric Clapton e Buddy guy.

2 – Only you (And you alone) – Partindo agora pra esse clássico do Doo Wop, com os Platters, de 1955. Aqui uma versão atualizada dos Platters, muitos anos depois.

3 – I got a woman – Chegando agora na Soul Music, de Ray Charles, também de 1955. Aqui, uma versão de Steve Wonder:

4 – Blue suede shoes – Agora o bom e velho rockabilly, de Carl Perkins, de 1956. Aqui Carl Perkins muitos anos depois:

5 – Love me tender – Canção romântica lançada por Elvis Presley em 1956. Aqui numa versão maravilhosa de B.B. King.

6 – Great balls of fire – Clássico de Jerry Lee Lewis, de 1957. Aqui ele muitos muitos anos depois.

7 – Diana – Clásico de Paul Anka, de 1957. Aqui ele também, muitos anos depois.

8 – Johnny B. Goode – Clássico de Chuck Berry de 1958. Aqui ele com Bruce Springsteen, em 1995.

9 – I wonder why – Clássico de Dion and The Belmonts de 1958. Aqui Dion canta muitos anos depois.

10 – Don’t – Clássico lançado por Elvis em 1958. Aqui, versão maravilhosa com David Gilmour, ex-Pink Floyd.

terça-feira, maio 19, 2015

My BJJ Journey - The Book - Part 1


1 - O primeiro contato

Vamos contar a trajetória do professor Fábio Holanda dentro do Jiu-Jitsu. Nada mais justo do que começar com o primeiro contato dele com a arte suave. Gustavo Maguinho, um amigo que treinava Futebol de Salão com Fábio no Colégio das Neves, estava indo pro seu primeiro dia de treino de Jiu-Jitsu na academia do professor Alexandre Bosco, no começo de 1993. A escolha de Maguinho sobre qual academia ir se deu simplesmente pois Bosco era amigo do pai dele. Neste primeiro dia de treino por lá, convidou três amigos do salão, George Bomba, Flávio Xingu e Fábio, para acompanhá-lo. Neste primeiro dia, como Maguinho já estava decidido, foi o único a levar o kimono. Os outros três foram apenas assistir e sentir como era o drama.

Ao chegarem por lá, um sujeito se aproxima e pergunta à George: “É você que é George Bomba?”. Pouco tempo antes disso, havia tido uma confusão na Feira de Ciências do Colégio das Neves e um sujeito havia dado um soco no olho de George. Os caras ficaram cabreiros, achando que o cara que perguntou o nome de George era parecido com o cara que havia dado o soco nele. Esse cara era Adailton, que depois descobriram que realmente havia sido o cara do soco em George e que depois se tornaria aluno de Fábio por muitos anos. Assustou os caras e depois virou aluno. As voltas que a vida dá.

Mas, por causa de Adailton, nenhum dos três teve motivação de fazer a inscrição na academia. Além disso, Fábio não quis ficar porque era muito novo, tinha ainda 14 anos e não quis pegar dois ônibus pra chegar na academia em Candelária e dois pra voltar pra Morro Branco, quando acabasse o treino. Aconteceu que no final de 1993, os irmãos Rodrigo e Christiano Couceiro, também alunos de Bosco, juntamente com Gustavo Maguinho, saíram da academia de Bosco e fundaram a academia Combate Real. Já no começo de 1994, Gustavo Maguinho enfim convenceu Fábio a começar a treinar por lá. Era em Nova Dimensão, perto de casa e bem perto da casa da sua avó Vanda.

No primeiro dia, outro amigo de Colégio das Neves, Guilherme Vanim, já treinava por lá. Tanto ele quanto Gustavo Maguinho já eram faixa azul. Antes de começar o treino, Guilherme chama fábio e aplica um triangulo nele. Com o triangulo encaixado, Guilherme começou a rir e Fábio ficou perguntando sobre o quê que ele estava rindo, e ficou mandando socos, achando que estava levando vantagem, até adormecer dentro das pernas do amigo.

Quando acordou, todos estavam rindo e a reação que Fábio teve foi totalmente inversa ao que se espera do senso comum. Ao invés de ficar encabulado e intimidado e ter desistido, ele ficou apaixonado pela eficiencia daquilo e mergulhou de cabeça apaixonado no esporte que se tornaria a sua vida e seu ganha pão.

2 - As primeiras competições

Duas semanas após Fábio ter começado a treinar, houve um campeonato interno na academia Combate Real. Campeonato interno significa dizer que somente os alunos da academia podem participar, não podendo se inscrever atletas de outras academias. Naquela época, devido à quantidade reduzida de atletas, Fábio com 15 anos já entrou pra lutar na categoria adulto. A coragem foi dupla. Primeiro em lutar com tão pouco tempo de treino e segundo em lutar já com adultos.

A primeira luta foi contra Vladimir, mais conhecido no submundo natalense como Mancha, ainda um grande amigo até hoje, inclusive sendo também integrante da Turma da Xiola, juntamente com os já citados Gustavo Maguinho e Guilherme Vanim. Fábio conseguiu ganhar de Mancha.

A segunda luta foi com Marcelo Nóbrega, irmão de Vital, tambem vitoria de Fábio. Inclusive Fábio e Vital algum tempo depois viriam a pegar a faixa azul na mesma ocasião. A terceira luta foi contra Marco Célio, e Fábio perdeu por pontos e acredita até hoje que foi roubado. Acredita por acreditar, pois não tinha conhecimento das regras.
 
Depois da derrota, passou mais ou menos uma meia hora aos prantos, chateado porque havia perdido, demonstrando uma paixão pelo esporte e uma vontade de ganhar sempre, pois outro ficaria feliz com duas vitórias no primeiro campeonato. Outro amigo de Neves e tambem Xiola, Josebias, foi quem ficou consolando Fábio.

Um mês depois, aconteceu o campeonato estadual. Novamente devido à falta de atletas pra encher as categorias, Fábio teve que lutar na categoria adulto. Logo na primeira luta, contra um adversário muito mais forte, foi pego num Armlock e orgulhoso, não quis bater. O juiz, tomando uma atitude correta, decidiu parar o combate. Fábio se revoltou, dizendo que não havia batido. Rodrigo Couceiro, o treinador de Fábio, veio correndo dizer que Fábio não havia batido.

Nesse interim, Fábio, quase chorando, continuava dizendo que não havia batido, mas sentia uma dor imensa no braço. Analisando friamente, e o juiz precisa pensar friamente, ele estava correto. Estava apenas preservando a integridade do atleta. Mas na hora os ânimos estavam exaltados. João Antônio, um companheiro de treinos, que era mais conhecido pela sua brabeza de piquinês, começa a gritar e a esculhambar o juiz, chamando-o de tudo o que era nome e mandando ele pra tudo o que era lugar.

Começa um corre-corre, todos correm pra separar a briga, a turma do deixa-disso e Fábio no olho do furacão, com o braço doendo e gemendo de dor, só gritava “eu não bati, eu não bati!!!”. Quando acabou o tumulto, foi direto pro hospital colocar uma tipóia, pois a dor estava insuportavel.

O resultado desse tumulto foi que João Antônio ficou impedido de praticar Jiu-Jitsu por um ano. A Federação de Jiu-Jitsu suspendeu-o pelo desrespeito ao juiz. A solução que acharam foi treinar com João Antônio em horários diferentes, escondidos, quando não havia risco de ninguém da Federação aparecer por lá.

3 - A faixa azul

A conquista da faixa azul se deu em apenas cinco meses de treino. Não, não foi amarrada no pé de uma galinha pra ele pegar e nem por amizade com o mestre, como acontece por aí. Isso se deu por esforço e acaso. Esforço pela quantidade de treinos que ele se dedicou e acaso porque a vida conspirou à favor.

Como em 1994 ele havia saido do Colégio das Neves e tinha sido aprovado no exame de admissão da Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, para começar os estudos apenas no segundo semestre daquele ano, ficou com tempo ocioso em casa. Com esse tempo livre e com a proximidade da academia Combate Real de sua casa, ele treinava em todos os horários disponíveis, ou seja, três vezes por dia, praticamente morando na academia. Nesse período, a evolução dele foi fantástica, devido à dedicação exclusiva à arte suave.

O exame de faixa foi em agosto de 1994, um mês antes dele completar 16 anos e com apenas cinco meses de treino, como mencionado anteriormente. Normalmente, pela idade, deveria ter pego a faixa amarela, mas como iria fazer aniversário um mês depois, optaram logo pela azul.

O exame de faixa naquela época era diferente, pois o Jiu-Jitsu esportivo como conhecemos hoje, não era muito difundido e não existiam muitas competições, com no máximo duas ou três por ano. Assim, o exame de faixa era muito baseado em defesa pessoal, quedas de judô, posições de Jiu-Jitsu e porrada, ou seja, o Jiu-Jitsu Tradicional. O próprio campeonato era assim, começava em pé e podia dar porrada e chute no corpo, tapa na cara e derrubar, mas no momento que o oponente segurava no kimono, a porrada não era mais válida, e ficava só o jiu-jitsu de competição, no chão.

No dia desse exame, apenas duas pessoas pegaram a faixa azul. Fabio e Vital Nóbrega. Tiveram que fazer queda um com o outro, jiu-jitsu e porradaria. A parte da porradaria era uma faixa amarrada na faixa de cada um e era permitido socos e chutes no corpo e no rosto apenas porrada de mão aberta, a famosa tapa. Era complicado, pois cada vez que um oponente tentava se afastar do outro, acabava puxando-o pra cima de si, devido a faixa estar amarrada, não sendo possível a fuga do combate.

Na hora das porradas ainda deu pra segurar a onda, mas Vital era mais velho e mais forte e já treinava judô há tempos e ficou ajudando Fábio, dizendo “Dá um Osotogari agora, faz isso, faz aquilo”.

Como era tradição na época, ao passar de faixa no Jiu-Jitsu, a cabeça de Fábio foi raspada. Como não tinha idade ainda de parecer um vestibulando, estava mais parecido com o menor infrator da Febem, o que não agradou a sua familia quando chegou em casa. Sua mae queria tirá-lo do Jiu-Jitsu e precisou muito convencimento pra fazê-la mudar de idéia.

4 - O primeiro campeonato de faixa azul

Com a chegada da faixa azul, veio também o recomeço das aulas. Como Fábio havia saído do Colégio das Neves, estava impedido de continuar praticando o Futebol de Salão naquele estabelecimento de ensino e teve que procurar um novo esporte na nova escola onde estava, a ETFRN. Foi aí que surgiu o judô em sua vida. O professor de judô da ETFRN era o professor Fábio Romano, xará que por coincidência, também era o professor de judô do Colégio das Neves, embora Fábio nunca tivesse treinado com ele por lá.

Assim, duas vezes por semana, logo cedo, às seis da manhã, antes da aula, Fábio treinava judô na ETFRN. Nessa mesma época, o professor da Combate Real, Rodrigo Couceiro, trouxe pra ministrar um seminário na sua academia, o professor de Jiu-Jitsu do Rio de Janeiro César Guimarães, conhecido como Casquinha. O seminário foi muito proveitoso e deu um boost enorme nos conhecimentos de Fábio, ainda mais naquela época, que o Jiu-Jitsu em Natal ainda era muito incipiente e bastante defasado com relação as técnicas que já rolavam no Rio de Janeiro.

Dessa maneira, o seminário e o judô ajudaram muito na preparação de Fábio pra primeira competição de faixa Azul, que foi justamente o campeonato estadual. Dessa vez, Fábio já estava bem mais preparado do que as competições anteriores, pois além do judô e das técnicas novas apresentadas por Casquinha, os treinos de Jiu-Jitsu na Combate Real estavam intensos.

Nesse Estadual, Fábio entrou na categoria juntamente com Ronaldo Furacão. Ronaldo na época era o ídolo da Combate Real, o campeão que tinham por lá, e era um cara que Fábio se espelhava muito, que sempre foi um ídolo pra ele e que Fábio sempre aprendeu muito. A saída de Ronaldo da academia no ano seguinte foi um baque forte não só pra Fábio, mas para a academia como um todo.

Fabio venceu as três lutas dele de um lado da chave e Ronaldo Furacão por sua vez venceu suas três lutas pelo outro lado da chave e fecharam a categoria, os dois atletas da Combate Real. Como era uma tradição, dois atletas da mesma academia nunca lutavam em público em finais e os dois levaram o premio. Pra Fábio, a estréia em campeonatos com a faixa azul não poderia ter sido melhor, ganhar dos três oponentes e fechar a categoria com o cara que ele se espelhava, somente coroava os resultados da sua dedicação ao esporte que aprendera a amar.

5 - Viagens

No ano de 1995 a Academia Combate Real mudou-se pra Avenida Prudente de Morais, quase na esquina com a Alexandrino de Alencar. Nesse novo ponto, a academia cresceu muito, ficou bem mais forte e foi um ano de muitas competições.

A primeira delas foi o campeonato Norte Nordeste, realizado em Natal, na ETFRN, com muitos atletas de outros estados, como Ceará , Paraíba e Pernambuco. Novamente se repetiu o feito do Estadual. Fabio e Ronaldo ganharam suas três lutas e se encontraram na final.

Além disso, a academia comecou o hábito de alugar ônibus, sempre com patrocínio de Eduardo Flor, da Riograndense, pra viajarem pra Fortaleza e Recife, onde o Jiu Jitsu era mais avancado e já existiam competições maiores. A tradição dessas viagens era a famosa “Taparia”. A regra era metade do ônibus que estavam na parte da frente ia de encontro a metade do ônibus que estava na parte de trás e a porradaria começava, só valendo tapa de mão aberta. Sempre acabava com um ou mais de um machucado, e na competição do dia seguinte, tinham que lutar assim, com a lataria avariada.

Nas viagens, em vez dessas tapas criarem uma desunião na equipe, aumentaram a camaradagem e criou uma equipe forte e unida, com muita amizade.

Como sempre, o centro das atenções era João Antonio, aquele que brigou com o juiz naquela competição já contada aqui. Dentro dos ônibus, nas viagens, João Antonio era quem mais tocava o terror. Mas teve uma ocasião, que Fabio estava na parte frente e João Antonio na parte de tras e a turma de trás sequestrou João Antonio.

Fabio e mais quatro seguraram o pequinês. Um em um braço, outro no outro, outro numa perna, outro em outra e Fabio com o pé no pescoço dele e dando tapa na cara e mesmo assim ele não desistia. Diziam: “pede pra desistir!!!” e mesmo assim ele dizia: “Desisto não, seu bando de merda!!”

Cansados de bater nele, combinaram de contar até três e correr e deixar ele lá. Ele todo fudido, se levanta e Marcão olha pra ele e comeca a rir. Ele pergunta: “Tá rindo de que, macaco? Lavanta pra apanhar, porra!”.

Marcão, com aquela delicadeza que lhe é peculiar e que o levou a ser policial do batalhão de choque da Polícia Militar, se levantou e foi pra cima dele e deu-lhe uma tapa no pé do ouvido tão grande, que até hoje João Antonio é empenado, com hérnia de disco. Mal lutou e mesmo quando voltou da viagem ainda não sentia o braço.

quarta-feira, abril 29, 2015

Viva o Canhoto Valdemar!

Eu sempre fui um jovem muito moderado. Nos meus tempos de estudante, nem muro eu nunca pichei, ao contrário de alguns amigos meus que, cuja ética me impede revelar os nomes, certa vez foram delicadamente tangidos pelo vigia do Colégio Nossa Senhora das Neves, onde fiz meu primeiro grau. Pelo vigia e por sua arma, diga-se de passagem, que pelo visto estava com mais ciúme do muro do que o próprio guardião. 

Nunca fiz protesto algum, ao contrário também dos amigos e convivas da Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, onde fiz meu segundo grau e recebi o honroso diploma de “Técnico em Mecânica”. Esses “companheiros” de escola técnica viviam como se ainda estivéssemos nos períodos duros da ditadura. Enfrentavam a polícia no corpo a corpo, paravam aulas, protestavam contra tudo. Até mesmo as benesses realizadas na escola eram inclusas em seus textos e manifestos carregados de fúria:

“Como podem construir um novo auditório se os banheiros continuam sujos e a ‘gororoba’ não está sendo servida quente?”, diziam mais ou menos assim, os discursos deles.

E impediam quem quisesse dar ou assistir qualquer palestra na “grande mazela” da escola, o novo auditório.

Acho que a Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte foi o ambiente mais canhoto que eu já estive inserido até hoje.

Tive, inclusive, como professor de frezadora (professor?), um dos rostos mais conhecidos da gloriosa esquerda norteriograndense. Não estou me referindo a ser conhecido por cargos ou grandes feitos, e sim aos programas eleitorais da TV.

Estou falando do Hugo Manso, cuja história não se pode deixar de admirar. Sua bravura e valentia em nunca ter desistido de ser candidato deve ser lembrada com louvor. Já se candidatou a deputado (federal e estadual), senador, vereador, vice, enfim, é um grande candidato. Pau-pra-toda-obra, como se diz. Pelo seu esmero, acredito até que o Hugo tinha como profissão Candidato e como hobby, professor da Escola Técnica.

Um dia faltou energia no laboratório de Mecânica e o Hugo gritou: “Sabotagem!!! Cortaram a Luz!”

Coitado, estava sempre achando que alguém estava pronto para fazer alguma mal para ele. Deve ter sido reflexo dos tempos duros...

O Hugo me chamava de “careca”, não sei porque. Suponho que deva ser pelo fato dele ser cabeludo e barbudo (como não poderia deixar de ser). Porém tenho minhas dúvidas: homenagem à Fidel, Marx ou seria mesmo preguiça que o grande Hugo não cortava sua vasta e abundante cabelagem?

E o engraçado é que o formato de sua cabelagem emenda com a barba. O que o faz parecer muito com um leão, pois além de tudo, o danado ainda é meio galego. Daí, concluo, infantilmente, que provavelmente deve ser por isso que o chamam de manso. Hugo “Leão” Manso. E por evolução, Hugo Manso, como é conhecido em todos os programas eleitorais e também por toda a Escola Técnica do meu tempo.

Mas deixando essa história um pouco de lado, me encontro aqui na América do Norte (aquela América tao depreciada pelo Hugo), esperando começar meus estudos de mestrado, e me chega a notícia que o Hugo finalmente se elegeu. Parabéns Hugao!!! Posso até imaginar a festa que foi dada!!! Mas, afinal, depois de tantos anos de labuta como candidato, você finalmente se aposentou e atingiu o entediante cargo de eleito.

Sem maldade nenhuma, acredito que o Hugo era melhor como candidato. Pois como professor, hummmm... Deixarei a palavra para alguns convivas linha-mole como o Luís “Abelhao” Teixeira, Eldson “Bate-Bronha” Jony e o Frankilin “Moleza” Maux, que com certeza nao me deixarao na mao.

Mas a Escola Técnica nao produziu só o Hugo. Tinha também um certo Valdemar (nao sei se é com “V” ou com “W”, mas como “W” parece coisa de americano, resolvi nao arriscar, para nao correr o risco de um processo por parte do Valdemar). Esse Valdemar era o presidente do Grêmio Estudantil da ETFRN do meu tempo. 

O Valdemar tinha um apelido curioso, ele era o “Assombroso”, devido à sua semelhança com um personagem de desenho animado que até hoje eu nao sei quem é.

Bem, o fato é que o assombroso, digo, o Valdemar, era o retrato do protesto.

- Olá, tudo bem Valdemar?
- Tudo bem o quê? Você nao viu o discurso do Mariz ontem? Como pode estar tudo bem após o discurso do Mariz ontem?você é alienado?

E por aí destilava seu carretel de reclamaçoes , as do dia e as eternas.

Até hoje quando falam em esquerda, pode ser para indicar um endereço ou apenas para identificar o braço que foi quebrado, me salta de repente a imagem do Valdemar sob meus olhos, como de sopetao.

Como nao poderia deixar de ser, a exemplo do Hugo, o Valdemar entrou para o cargo de candidato. Esse de uma partido mais linha-dura, o PSTU, cujo slogan era: Contra burguês, vote 16!” Acho que dá para se ter uma idéia do grau de dureza da linha desse partido.

Mas vai que eu ingresso na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no curso de Administracao de Empresas. Administraçao era uma ilha nao grevista dentro da universidade, para minha alegria e ódio dos outros cursos, principalmente o de Jornalismo, que, se por acaso algum “engajado” aluno ouvisse falar que havia uma greve nas Ilhas Maurício, já nao iam para a aula na segunda-feira seguinte e ainda tinha uns mais afoitos que faziam até piquete!

Um dia, eu estava assistindo uma aula de Recursos Materiais e Patrimoniais I, durante a greve de 1998, que estava sendo ministrada pelo ilustríssimo professor Virgílio, que por sua vez, era o atual coordenador do curso de Administraçao. Só existia a nossa classe acesa em todo o Bloco 1 da universidade.

De repente, entra na sala um indivíduo magro, com os cabelos iguais ao do Gláuber Rocha, dizendo que nós éramos capitalistas, que o curso de administraçao era isso, era aquilo, dizia que iria trancar a porta da sala dentro de instantes e quem nao saísse nao iria sair mais e outras ameaças.

Se eu disse ninguém acredita... Era o Valdemar!!!!! Era o Valdemar cuja carreira ascendera e ele era entao o presidente do DCE da UFRN!!!! Daí concluí duas coisas:

1 – Valdemar estava progredindo, um dia, com muito esmero, poderia ser um novo Hugo;

2 – O melhor que eu poderia fazer era pegar minhas coisas e ir embora dali, pois como eu conhecia bem o assombroso, digo, o Valdemar, ele nao ia desistir de acabar com aquela aula nunca!!!!

Fabiano Holanda, Montréal, Novembro de 2000.