Hoje em dia
temos a impressão de estarmos vivendo uma terrível crise econômica
e uma tenebrosa crise política. Eu disse impressão pois eu gostaria
de saber, quem sempre não viveu sob uma crise
econômica e política? Com raras exceções como o início do Plano
Real, parte da Era Kubitschek e o milagre econômico do fim dos anos
60, o Brasil viveu sempre sob um estado de crise permanente. Sempre
foi um mosaico de problemas e condições institucionais instáveis.
Não tivemos
graças à Deus nenhuma guerra étnica, religiosa ou outra
imbecilidade do tipo, e até mesmo o chamado período ditatorial foi
uma brasinha com pouco mais de 300 mortos em 21 anos de período
militar. Hoje em dia esses números não chegam à um final de semana
nas principais capitais, devido à violência gritante que nos
assola, justamente pelo abrandamento das punições tão exigidas
pelas esquerdas e Comissões dos Direitos Humanos.
Assim, essa
crise eterna e medonha, é nossa própria culpa, por pura falta de
hombridade, bom senso coletivo e responsabilidade. O nosso grave
subdesenvolvimento é político, não é econômico, educacional ou
tecnológico, apesar de também sermos subdesenvolvidos nessas áreas,
eles não são nosso principal problema.
O sistema
político que temos é formado por estruturas disfuncionais. A nossa
máquina político-administrativa, a mesma que dita nossos destinos,
é uma fábrica de absurdas distorções cumulativas.
Estivemos a
pouco tempo diante das eleições presidenciais. Os mais tolos, além
de não entenderem a razão do porque do colegiado e do voto
distrital, ainda dizem que aquilo não é democracia. Que porque o
voto popular não é levado em tanta consideração, aquilo lá não
funciona. Ora, falha de democracia é aqui, onde a tirania tem espaço
pra vingar, como vingou com o PT e em outras ocasiões.
Nós
imitamos o modelo do presidencialismo americano, mas modificamos na
parte que nos convêm. Lá, o presidencialismo é conjugado ao voto
distrital. No Brasil, o presidencialismo é atrelado ao voto
puramente proporcional, o que gera uma crise política ininterrupta.
Mesmo que os
políticos fossem homens super puros, o que não são, pois são
reflexos da sociedade brasileira, eles precisam ser eleitos. Seja
deputado, senador, prefeito, governador ou presidente. Esse ponto de
partida é obrigatório para todos. Não tem como entrar de outra
forma.
No modelo
proporcional, os deputados, por exemplo, são obrigados a saírem
catando votos por todo o estado, num processo extremamente caro e
incerto, uma vez que o eleitor não tem como saber entre as dezenas de
representantes eleitos, o que cada um tem feito. Como um eleitor médio
pode saber quem propôs medidas ou leis para poder julgar se
candidato A ou B merece seu voto?
Um
americano, inglês ou canadense pode falar no “seu” deputado,
pois ele sabe exatamente quem elegeu e tem como cobrar respostas ao
representante do “seu” distrito. Lembro muito bem no Canadá,
perto das eleições, surgem as bandeiras vermelhas ou azuis nas
gramas nas frentes das casas. E ele sabe justamente onde é seu
escritório e pode ir lá bater na porta pra conversar na hora que
quiser, cobrar, elogiar, ou sugerir.
Vamos tomar
por exemplo Natal. Seria dividida em distritos. O distrito que
engloba Morro Branco, Nova Descoberta e adjacências, teria dois
candidatos. Ari Gomes e Assis Oliveira. E ali os moradores iriam
escolher entre eles e não entre 500 candidatos. Eleitos, o
escritório deles seria ali, para que a população tivesse acesso, afinal ele é um servidor público como outro qualquer e não uma celebridade de Hollywood que ninguém pode chegar perto.
Melhor do que passar o dia na Câmara cochilando nas cadeiras e
sem fazer nada que preste.
No Brasil o
sujeito vai cobrar o quê e de quem? Um cara mal se elege por um
partido, já muda pra outro. Subindo de escala, o presidente é então
o sujeito que irá controlar a enorme máquina pública brasileira e
os mecanismos de dar ou de negar favores. Nesse sistema ridículo que
temos, pouco é relevante se o político é honesto ou não.
Se vamos
copiar o que deu certo, que se copie então de forma completa e não
somente a parte ruim. Se faz necessário uma reforma política
profunda, com ajuste para o voto distrital, com eliminação de
partidos nanicos, deixando apenas 2 ou 3 partidos, afinal de contas,
ou você é dirigista ou você é à favor de um estado pequeno, não
existem outras opções.
Trump venceu
porque o país dele não aguentava mais hipocrisia, mentira e
safadeza. Quiseram um cara que a mídia o descreve como louco, mas
que de louco não tem nada. A política tem que mudar sua cara. Hoje
na era da informação ninguém aguenta mais esse voto proporcional.
Eu espero viver pra ver isso acontecer. Trump falou o que o americano
médio estava ávido por ouvir. Não se espantem com o resultado das
eleições presidenciais brasileiras em 2018. Caras novas vão surgir. A
eleição esmagadora de Dória na cidade de São Paulo já deu a
deixa. Reforma política já!!!