terça-feira, março 23, 2010

Vale a pena ler 24: Poupança é fundamental

Não sei dizer se houve um ataque especulativo contra o real no final de 1997, mas o que houve com certeza foi uma crise em Hong Kong, que levou os investidores a sacar seu dinheiro da bolsa de lá. Ocorre que, com a economia globalizada, o investidor internacional é obrigado a vender ações onde elas têm mais liquidez para cobrir suas posições em outro lugar. Isso provoca queda nas bolsas do mundo inteiro. Foi por isso que as ações caíram também no Brasil. O problema é que, quando o investidor sai do país, seu dinheiro é convertido em dólar. Se esse movimento ocorre em massa, falta dólar no mercado, e pela lei da oferta e da procura, o preço do dólar sobe.

Por isso foi preciso que o governo interviesse, lançando dólares na praça, para manter a paridade da moeda brasileira diante do dólar. Por isso que, nesse sentido, foi preciso defender o real.

As bolsas brasileiras foram as que mais caíram no mundo nesse episodio. Eu tinha parceiros no exterior que estavam interessados em investir no Brasil, e eles manifestaram sua preocupação com a dimensão da queda das ações no país. Mas eu os convenci de que o crash mostrou um lado forte do Brasil. Em parte, a queda das bolsas brasileiras foi grande porque nossas ações tinham muita liquidez. Ou seja, se foram vendidas mais ações aqui, sobretudo da Telebrás, Petrobrás, Telesp e Eletrobrás, que representavam mais de 80% do mercado, é porque havia muitos interessados em comprá-las. Outro fato positivo foi a demonstração de competência do Banco Central para controlar a crise, utilizando as reservas em dólar. Nós podíamos ter sofrido um problema muito mais sério. No México houve desvalorização da moeda de 7%.

Nesse episodio, ficou a lição de que a bolsa brasileira, embora com liquidez, ainda era pequena e concentrada nessas poucas ações mais negociadas. O mercado brasileiro era muito mais nervoso do que os mercados maiores e mais estáveis. Por isso estávamos sujeitos a brutais altos e baixos. Ficou claro também que o Plano Real ainda era dependente demais do dólar, da chamada âncora cambial. Cada vez que acontecesse um problema fora do país, poderíamos ser mais facilmente afetados.

A única forma de consertar o Brasil é fazendo com que o governo, os políticos e nós todos pensemos no país que queremos para nossos filhos. Para tanto, precisamos estabelecer metas muito claras. No terreno da economia, o governo precisaria estimular o brasileiro a fazer poupança. Economizar. É esse dinheiro que vai para os fundos de investimento e dinamiza o mercado de capitais, fazendo crescer e fortalecer as empresas e as bolsas. Assim, seríamos menos vulneráveis à movimentação do capital estrangeiro. Com esse dinheiro poupado é que se fazem investimentos, e com esses investimentos é que a economia do país volta a crescer.

Uma das maneiras de se fazer uma poupança é fazer a reforma da Previdência. É preciso ir na direção da privatização do sistema previdenciário, como o Chile fez. O governo deveria estimular as pessoas a poupar pelo menos 10% do salário todo mês, de forma a fazer uma provisão para o futuro. Ao contrário do que ocorre em países desenvolvidos, no Brasil não há muita gente preocupada em separar uma parte dos seus ganhos com esse fim. Os jovens não pensam nisso. Por fim, o próprio governo, deve sempre equilibrar suas contas, e não consumir poupança.

Eu não fiquei satisfeito com a forma que o Brasil entrou no mercado globalizado. Globalização é uma coisa que devia ter duplo sentido. A globalização para os brasileiros ocorreu num sentido só. Fomos a caça e não caçadores. Num primeiro momento, a compra de empresas brasileiras por empresas globais pode ser conveniente para o consumidor, porque a curto prazo a situação melhora. As empresas que estão vindo são competitivas, a qualidade do produto melhora, o preço diminui. Mas a longo prazo teremos dificuldades. Se a economia brasileira for dominada por empresas globais, que não têm sede aqui, o poder de decisão não estará aqui. Além disso, quando você tem presença em outro país, leva junto o restante da economia. Se você está só no Brasil, tende a ficar cada vez menor.

O governo deveria estimular a formação de grandes conglomerados. O Brasil não tem grandes empresas. A meu ver, a estrutura ideal da economia hoje é formada por grandes empresas em torno das quais giram empresas pequenas e médias. A empresa que tem tamanho tem capacidade administrativa, tecnológica, comercial e preços mais baixos por causa dos ganhos de escala. E as empresas brasileiras não podem competir nesse ambiente. Todos os setores industriais e de serviços estão se concentrando.

O governo deveria favorecer a concentração de empresas em todas as áreas. Em todas. Em qualquer lugar do mundo o Pólo de Camaçari seria uma única empresa. E lá existiam mais de quarenta. Eram quarenta presidentes, quarenta diretores industriais, quarenta diretores financeiros, quarenta diretores comerciais. E com quarenta cada um deles fica numa posição comercial muito mais fraca. É preciso que as empresas brasileiras tenham tamanho e escala suficientes para enfrentar essa globalização. Entretanto, eu tenho a impressão de que o governo parece que é contra isso. Pelo menos o Cade, que é um órgão governamental e veta sistematicamente toda e qualquer reestruturação nesse sentido.

Alegam que tem medo de monopólios privados, mas eu pergunto, Ou o mercado é aberto, globalizado, ou não. Você pode ter uma única empresa brasileira em um setor e não será monopólio enquanto houver a competição com o produto importado.

Mas também não adianta ter empresas grandes se elas estão só no Brasil. Em qualquer lugar do planeta você sai do avião e vê Samsung, Hyundai, Daewoo, Goldstar, todas coreanas. Não há empresa brasileira presente assim no resto do mundo. Vamos fazer uma comparação com a Suécia, país com PIB quatro vezes menor que o do Brasil.

Podemos listar juntos uma série de empresas globais de origem sueca: Scania, Volvo, SKF, Electrolux, ABB, Astra, Ericsson. Elas estão investindo no mundo inteiro, incluindo o Brasil. Qual é a empresa brasileira que está fazendo o mesmo lá fora? Nenhuma. A Vale do Rio Doce é global? Ela exporta, tem a Inco no Canadá, mas não é. A Petrobrás é global? Também não.

As empresas brasileiras deveriam comprar empresas no exterior. Veja o caso do Bradesco, o maior banco privado do Brasil, que comprou o BCN para se defender da chegada da competição internacional. O Santander, um banco da Espanha, país que tinha economia menor que a do Brasil, veio aqui e comprou o Noroeste. E o que o Bradesco comprou lá fora? Nada. O banco pode ficar muito forte internamente, mas continua dependendo de um único mercado. As empresas brasileiras deveriam ter uma política de internacionalização. Essa é na verdade a única maneira de sobreviver no mercado global.

O Brasil tem de fixar-se em metas que eu chamo de transversais. A vantagem dessas metas é que não há quem não as apóie. Esquerda e direita, empresário e trabalhador, todos concordam que são fundamentais para o país. Uma delas é o desenvolvimento. Todo mundo está de acordo que existe o problema do desemprego. Uma das formas de diminuí-lo e de melhorar a distribuição de renda é desenvolver a economia. Talvez uns achem que para fazer isso seja preciso primeiro crescer o bolo para dividir melhor, outros queiram a distribuição logo, mas ninguém pode negar que o desenvolvimento ajuda. Temos de fixar uma meta, por exemplo, dobrar a renda per capita num certo prazo. Para fazer isso é preciso investimento, e se aprendêssemos a poupar já seria um grande passo.

A mais importante meta, na verdade, talvez seja a educação. Não há nenhuma possibilidade de o Brasil ser um país moderno, ter boa distribuição de renda, estar em desenvolvimento, se o povo não tem instrução. Resolver o problema da educação, no entanto, não é apenas dizer que ela é prioridade nacional. É preciso haver enorme mobilização de toda a sociedade em torno disso. Vamos ter de fixar uma meta de quantidade e qualidade do ensino. Temos que aumentar a média de anos que o brasileiro fica na escola, pra no mínimo, oito anos. E trabalhar para que isso aconteça.

Outra meta importante está relacionada ao civismo. Não sei como fazer isso, seria preciso um grande debate, mas o Brasil não pode continuar com as pessoas individualistas do jeito que são. Aqui ninguém está pensando na causa pública. O Brasil precisa votar melhor. Os políticos precisam ser mais competentes e responsáveis. É preciso diminuir a corrupção. A própria educação poderia ajudar a formar o espírito cívico. Mas isso só poderá acontecer com participação muito forte da sociedade. Se as associações de pais e professores fossem mais ativas, por exemplo, a educação poderia ser mais descentralizada e melhoraria. Se não desenvolvermos nossa noção de cidadania, não seremos nunca uma nação forte.
Justify Full
* Por Edson Vaz Musa, que foi o primeiro brasileiro a chegar a presidência de uma empresa multinacional, dona da Rhodia. Hoje em dia é sócio controlador da fábrica de bicicletas Caloi. Faz parte também dos conselhos administrativos da Editora Abril e da Natura.

segunda-feira, março 22, 2010

Apreciar o vinho

Muita gente diz que sabe saborear o vinho pois já beberam muitos e que esse negócio de apreciação de vinho é mais uma coisa somente pra deixar os vinhos mais complicados. E de certa forma eles estão certos. Se uma pessoa pode saber o gosto de um hambúrguer ou de um café, ele pode saber também o gosto de um vinho.

Tudo o que você precisa é de um nariz, de papilas gustativas e de um cérebro. A não ser que você tenha sofrido algum acidente e não consegue cheirar nada, você pode apreciar os vinhos com propriedade. Mas você também tem a habilidade de falar mandarim. Lembrando que ter a habilidade é diferente de saber como fazer uma coisa. E aplicar esse know-how no dia-a-dia é ainda mais diferente.

Você ingere bebidas todos os dias sentindo o gosto delas quando elas passam pela sua boca. Mas no caso do vinho, beber e apreciar não são sinônimos. O vinho é muito mais complexo do que as outras bebidas. Por exemplo, a maioria dos vinhos possui sabores diferentes e sutis, todos ao mesmo tempo e lhe dão sensações múltiplas quando estão na sua boca.

Se você colocar o vinho na sua boca e rapidamente goela adentro como faz com sua Coca-Cola, você estará perdendo muito do que você pagou. Mas se você saborear o vinho, você pode descobrir as suas nuances. Na verdade, quanto mais devagar e atentivamente você saborear o vinho, mais interessante ele vai se apresentar.

Assim, existem duas regras fundamentais ao saborear o vinho: 1) Beba devagar e 2) Preste atenção. O processo de saborear um vinho ou sistematicamente experimentar todos os atributos do vinho possui três passos e os dois primeiros não envolvem sua boca. Primeiro você olha pro vinho e depois cheira. O terceiro passo sim, que você usa o paladar. Mas o olfato e a visão também são fundamentais.

sábado, março 13, 2010

Os mais ricos do planeta

Há alguns dias atrás foi divulgada a lista anual das pessoas mais ricas do mundo pela revista Forbes, a mais respeitada nessa questão. O mexicano Carlos Slim finalmente chegou a posição do homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 53.5 bilhões de dólares. Em segundo lugar, colado nele, está o homem da Microsoft, Bill Gates de 54 anos, com fortuna estimada em 53 bilhões de dólares. O terceiro homem mais rico do mundo é o oráculo de Omaha, o famoso investidor Warren Buffet, de 79 anos, com fortuna estimada em 47 bilhões de dólares.

O mexicano Carlos Slim foi a primeira pessoa fora dos Estados Unidos a liderar essa lista em 16 anos. O último a liderar que não fosse americano foi o japonês Yoshiaki Tsutsumi, em 1994. Mas desde 1995, Bill Gates vem alternando o lugar com Warren Buffet. Somente eles dois ocuparam o primeiro posto entre 1995 e 2009. Carlos Slim tem 70 anos e criou um império de telecomunicações após comprar uma companhia estatal mexicana há 20 anos atrás. Somente o ano passado o seu património cresceu 18,5 bilhões de dólares.

Somente dois canadenses ocuparam a lista das 100 pessoas mais ricas do mundo. David Thomson ocupou a vigésima posição com 19 bilhões de dólares de patrimônio. A família Thomson é dona de jornais e empresas de comunicações. O outro foi Galen Weston, que ocupou a centésima posição com 7,2 bilhões de dólares. A família Weston é dona de supermercados.

Enquanto isso, o homem mais rico da Ásia, o indiano Mukesh Ambani, de 52 anos, dono de empresas de energia e refinarias, foi o quarto colocado da lista, com fortuna de 29 bilhões de dólares. No ano passado ele foi o sétimo.

Lakshmi Mittal, de 59 anos, também indiano, dono da mais usina de aço do mundo, a ArcelorMittal, saiu da oitava posição no ano passado e hoje ocupa a quinta, com património de 28,7 bilhões de dólares. As ações da sua empresas quase que dobraram no ano passado.

Larry Ellison, de 65 anos, dono da Oracle, caiu de quarto pra sexto esse ano, como fortuna estimada em 28 bilhões de dólares. Bernard Arnault, de 61 anos, dono de uma empresas de marcas de luxo, entre elas a Louis Vitton, é o sétimo homem mais rico do mundo, com fortuna estimada em 27,5 bilhões de dólares. No ano passado ele era o décimo quinto.

A oitava posição ficou pro conhecido ex-marido de Luma de Oliveira. Eike Batista, de 53 anos, possui património estimado em 27 bilhões de dólares. Ano passado ele só tinha 7,5 bilhões e era o 61º da lista. Foi o maior salto que ocorreu na lista desse ano.

O homem mais rico da Espanha, Amancio Ortega, de 73 anos, dono da Inditex, roupas no varejo, foi o nono da lista. Seu património é de 25 bilhões de dólares. Ele era o décimo colocado na lista do ano passado.

Karl Albrecht, do Aldi Group, fechou a lista dos top 10. Ele possui património de 23,5 bilhões de dólares. No ano passado, ele era o sexto. O canadense de Montreal Guy Laliberté, que foi ao espaço agora e que é dono do Cirque du Soleil, ocupou somente a posição de número 374, com seus 2,5 bilhões de dólares.

Outro dado interessante de se notar é que o número de bilionários no planeta cresceu um pouco. Na lista de 2010, temos 1,011 pessoas que possuem mais de um bilhão de dólares. Em 2009, tínhamos apenas 793 bilionários na terra. Resultado de uma crise mundial, pois em 2008, a lista constava com 1,125 bilionários.

O património junto deles é de 3,6 trilhões de dólares. No ano passado foi de apenas 2,4 trilhões e a média entre os bilionários agora é de 3,5 bilhões e o ano passado era de 3 bilhões por cabeça.

segunda-feira, março 08, 2010

Espumantes

Espumantes são vinhos que possuem bolhas de dióxido de carbono. O gás de dióxido de carbono é um produto natural da fermentação e os produtores de vinhos decidem algumas vezes prende-lo dentro do vinho. Todo país que produz vinho, produz também os espumantes. Nos Estados Unidos, Canadá e na Europa, os vinhos espumantes são todos aqueles vinhos que possui bolhas.

O champagne é o espumante mais famoso. O champagne é um tipo específico de espumante, feito de uma certa variedade de uvas e produzido de uma certa forma, que vem de uma região da Franca chamada Champagne.

Infelizmente, para as pessoas de Champagne, na França, o vinho deles ficou tão famoso que o nome champagne passou a ser usado por produtores de vinhos de todos os lugares do mundo, até que o nome se tornou sinonimo de praticamente toda uma categoria de espumantes.

Até um recente acordo entre os Estados Unidos e a União europeia, os produtores de vinhos americanos podiam usar qualquer espumante de champagne se eles quisessem, bastava que a carbonização não fosse adicionada artificialmente. E até mesmo hoje, as vinícolas americanas que já estavam usando o nome champagne irão continuar a usar. Mas eles tem que adicionar uma nota geográfica pra dizer que é um champagne americano ou californiano na garrafa.

Para os franceses, limitar o uso do nome champagne somente para os vinhos feitos na região de Champagne é uma questão nacional. Leis da União europeia não só previnem qualquer outro país membro de chamarem seus espumantes de champagne, mas também proíbem o uso de palavras que possam sugerir a palavra champagne, como dizer que esse vinho foi produzido usando os métodos de champagne. E garrafas de espumantes que colocam o nome champagne, são banidos e não podem vender na Europa.

Se alguém tentar impressiona-lo servindo champagne que não seja francês, não fique tão impressionado. Os espumantes americanos mais respeitáveis não colocam champagne na garrafa, em respeito aos colegas franceses. E claro, também porque os melhores espumantes californianos são de propriedade francesa. Elementar?

domingo, fevereiro 28, 2010

Vinhos de mesa e de sobremesa

Vinho que se bebe toda noite é vinho tinto, branco ou rosé (sem bolhas). Existem vários nomes pra esses vinhos. Nos Estados Unidos e Canadá eles são chamados de vinhos de mesa. Na Europa, de vinhos leves. Muitas vezes eles também são chamados de vinhos parados, pois não possuem bolhas girando dentro da garrafa.

O vinho de mesa é um suco de uva fermentado que a percentagem de álcool cai dentro de uma faixa conhecida. Alem disso, o vinho de mesa não contem bolhas. De acordo com os padrões americanos de identificação, os vinhos de mesa devem possuir uma percentagem de álcool não maior do que 14%. Na Europa, o vinho leve deve conter algo entre 8,5 a 14% de álcool. Assim, a não ser que o vinho tenha mais de 14% de álcool ou tenha bolhas, ele é um vinho de mesa aos olhos da lei.

Os elementos que criaram essa lei não chegaram ao número 14% por adivinhação. Historicamente, a maioria dos vinhos contem menos de 14% de álcool, seja porque não possuía muito açúcar no suco da uva pra gerar mais álcool ou porque as leveduras morreram quando o álcool atingiu 14%, suspendendo a fermentação. Esse número então se tornou o limite legal entre os vinhos que não possuem álcool adicionados e os vinhos que possuem álcool adicionado a eles.

Hoje, entretanto, o assunto não é assim tão facilmente claro quanto eram quando a lei foi criada. Muitas uvas que são cultivadas em temperaturas mais quentes e se tornam muito maduras e possuem mais açúcar natural e seus sucos ficam com mais de 14% de álcool quando fermentadas.

Outro fator complicador vem a ser a utilização de leveduras gonzo que faz com que o trabalho continue mesmo quando o álcool excede os 14%. Muitos zinfandels tintos, cabernets e chardonnays da Califórnia agora tem 14,5 e até mesmo 15,5% de álcool.

Os especialistas ainda os consideram vinhos de mesa, mas legalmente eles não entram nessa categoria. Tecnicamente eles são vinhos de sobremesa e pagam impostos mais caros. Nem sempre as leis acompanham a realidade das coisas.

Assim, a definição de vinhos de mesa é a seguinte: vinhos normais, que não possuem bolhas e que é bebido pela maioria das pessoas na maioria das vezes.

Muitos vinhos possuem mais de 14% de álcool porque o produtor de vinho adicionou álcool durante ou depois do processo de fermentação. Essa não é uma maneira habitual de se fazer vinho, mas em algumas partes do mundo, como a região de Sherry, na Espanha, e a região do Porto, em Portugal, se tornaram especialistas nessa arte.

Vinhos de sobremesa é a terminologia legal nos Estados Unidos e Canadá pra esse tipo de vinho, provavelmente pois eles são geralmente doces e bebidos depois do jantar. O termo é complicado, pois nem sempre os vinhos de sobremesa são doces e nem sempre são bebidos após o jantar. O Sherry seco, por exemplo, é classificado como vinho de sobremesa, mas é seco e é bebido antes do jantar.

Na Europa, essa categoria é chamada de vinhos licor, que carrega também a mesma conotação de doçura. Hoje em dia, nas lojas da LCBO, onde compro vinho, eles chamam esse tipo de vinho de vinho fortificado, o que sugere que o vinho foi fortificado com mais álcool.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Eric Clapton e Jeff Beck, Air Canada Centre, Toronto

Há muitos anos sou fã de Eric Clapton. Lembro-me ainda de escutar muito a música Cocaine, em meados dos anos 1980. Foi a primeira vez que ouvi falar dele. Gravei uma fita K7 com as músicas que eu gostava na época e alem de Cocaine, estavam também na mesma fita Hotel California, do Eagles e Money for Nothing, dos Dire Straits.

Logo em seguida assisti na rede Manchete um concerto que os Dire Straits fizeram em prol da libertação de Nelson Mandela no Wembley Stadium, em Londres e quem lá estava? Eric Clapton, tocando junto com os Straits. Comecei a prestar mais atenção a seguir o seu trabalho, de longe, assumo.

Com a chegada do disco Unplugged MTV, de 1992, eu fiquei fascinado. A primeira vez que vi e ouvi o disco foi no bar e restaurante Viver, de propriedade de Miguel Ângelo, um primo da minha mãe. Ele tinha uma copia do disco em formato vídeo laser. O precursor do DVD, sendo em formato grande.

Então comprei uma cópia do meu CD e não parava de escutar. Uma vez atrás da outra, escutava sem parar. Aqueles blues tocado de forma acústica, me deixou doido. Ao chegar em Toronto, em 2004, foi o primeiro DVD que tive. O primeiro mesmo. Lembro que comprei no Yorkdale Mall. Logo comprei outro, um em prol do centro de reabilitação que Eric Clapton criou nas Antiguas, gravado em New York City e que contava com a participação de Sheryl Crowl e Bob Dylan.

Esse ano, comprei a sua autobiografia, que li num fôlego só. Fantástica. E de repente, abro o jornal, está lá o anuncio do show que Clapton faria com Jeff Beck em Toronto, no dia 21 de Fevereiro de 2010. Só não gostei porque era um domingo. Mas de todo jeito era melhor do que se fosse na semana. Comprei logo. Bem mais caro do que o concerto do U2, que havia pago 250 dólares por 2 entradas. Esse me custou 350 as duas.

Mas enfim, após longa espera, o dia chega. Passamos a manha com as meninas e depois que chegamos em casa, comecei a minha preparação etílica pra tal evento. Desci muitas cervejas, uma atrás da outra. Cheguei lá no Air Canada Centre e comprei mais outras. Quando Jeff Beck, que fez a primeira parte do show entrou, eu já estava no clima. Estávamos bem perto do palco.

Jeff Beck trazia consigo uma orquestra de 30 músicos, alem de uma banda com baixo, teclado e bateria. Não conheço muito suas músicas, portanto não sei distingui-las. Mas uma me chamou a atenção, que foi a sua versão pra A day in the life, dos Beatles. Fiquei em choque. Fantástica.

A parte de Jeff Beck durou mais ou menos uma hora. Qualquer coisa assim. Logo em seguida, começa a segunda parte, com Eric Clapton de camisa azul, óculos de aro de tartaruga, cabelos brancos, na altura dos ombros, um banquinho e um violão. Entre com o blues “Driftin’”, pra logo em seguida, à queima-roupa, levantar a galera com a versão acústica de “Layla”, do jeito que estava naquele CD que eu gostava tanto.

Vejam Driftin' e Layla, acustico no show. Nao fui eu quem filmou:



A terceira música, também no formato acústico e que estava também no CD Unplugged MTV foi a fantástica “Running on faith”. A quarta viria a ser a “I’ve got a rock’n roll heart”. Aí então ele pega a guitarra elétrica e manda a “Tell the truth”, pra logo em seguida tocar “Key to the highway”.

A galera estava ainda meio tonta quando entra a versão maravilhosa do tesouro de Bob Marley “I shot the sheriff”. O ginásio veio abaixo. Ainda no clima, veio “Little Queen of Spades”. E pra finalizar, o coroa de 65 anos cuspiu fogo quando mandou aquela que eu falei que estava na minha fita: “Cocaine”. She don’t lie, she don’t lie, she don’t lie… Cocaine!!!!

Eric Clapton tocando Cocaine no show. Nao fui quem filmou:



Foi a cereja do bolo, como se diz. Na terceira parte do show, Jeff Beck voltou junto com Clapton e de primeiro tocaram “Shake your moneymaker”, pra emendarem com uma formidável e eu digo formidável mesmo, versão do clássico “Moon river”.

Vejam Jeff Beck e Eric Clapton tocando Moon River no show. Tambem nao fui eu quem filmou:



Ai a sequencia foi a seguinte: “You need love”, “Outside woman blues”, “Little brown bird”, “Wee wee baby”, “I want to take you higher” e no bis, tocaram “Crossroads”.

domingo, fevereiro 21, 2010

Vinho rosé

Rosés são os vinhos cor-de-rosa. Eles são feitos a partir das uvas vermelhas, mas não ficam vermelhos porque não ficam bastante tempo em contato com a casca das uvas. Eles ficam apenas alguma horas, em comparacao com dias ou semanas que ficam os tintos. Porque o tempo de contato com a casca, que é o tempo onde o suco e a casca se relacionam, é curto, o vinho rosé absorve muito pouco tanino das cascas. Assim, você pode gelar o rosé e bebe-lo como você bebe o vinho branco.

Mas nem todo rosé é chamado de rosé. Muitos rosés de hoje são chamados de vinhos blush, um termo inventado pelos marqueteiros de vinho pra evitar de usar a palavra rosé. Tudo isso porque nos anos 1980, os vinhos rosé não eram muito populares. Mas blush que vem do inglês ruborizar, quer dizer a mesma coisa. Quando uma pessoa fica com a cara vermelha clara quando está com vergonha de alguma coisa? Mais ou menos assim. Mas por exemplo, um zinfandel branco é na verdade um rosé.

Os vinhos rosé que tem branco no nome são bem doces. Os que se chamam de rosé podem ser bem doces também, mas rosés maravilhosos da Europa e alguns dos Estados Unidos também, são secos (não são doces). Alguns dos bebedores mais fanáticos de vinhos não bebem os vinhos rosés, mas os bebedores menos tradicionalistas estão descobrindo os prazeres que um bom rosé pode trazer, principalmente em temperaturas mais quentes.

Eis algumas ocasiões pra beber rosé. Quando ela está comendo peixe e ele carne. Ou vice-versa. Quando um vinho tinto parece ser muito pesado. No almoço tipo hamburguers, sanduíches que tem queijo grelhado. Em piqueniques, nos dias quentes. Pra evitar que uma pessoa tome uma Coca-Cola. Nas noites quentes. Pra celebrar a chegada do verão ou primavera. Com presunto ou pratos de porco. Quando você quiser jogar pedras de gelo no seu vinho. Ou no dia dos namorados e em qualquer situação cor-de-rosa.

A sua escolha entre um vinho branco, um tinto ou um rosé irá variar com a estacão do ano, com a ocasião, e o tipo de comida que você está ingerindo, sem mencionar o seu gosto pessoal. Mas escolher a cor que você vai beber geralmente é o pontapé inicial pra selecionar o vinho especifico que se vai comprar na loja de vinhos ou em um restaurante. Muitas lojas de vinhos e restaurantes organizam os vinhos primeiramente pela cor, pra depois começaram a fazer outras distinções, como variedades das uvas, regiões dos vinhos ou categorias de sabores.

Apesar de alguns tipos de comida dividirem a compatibilidade com o vinho branco e o tinto, a exemplo do salmão grelhado, que pode ser delicioso com um rico branco ou um tinto frutificado, a sua preferência por tinto, rosé ou branco será geralmente a sua primeira consideração ao combinar vinho com comida também. Combinar vinho com comida é um dos aspectos mais divertidos do vinho, porque as possíveis combinações são praticamente sem limites. E o melhor de tudo é que o seu gosto pessoal é quem dá as cartas.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Vinho tinto

Nesse caso, o vinho tinto é vermelho mesmo, podendo ser roxo, tinto da cor de rubi, mas são vermelhos. Os vinhos tintos são feitos a partir das uvas que são vermelhas ou azuladas, que são chamadas pelos produtores de uvas negras. Deve ser porque o negro é o contrário do branco.

A diferença mais óbvia entre o vinho branco e o vinho tinto é a cor. A cor avermelhada ocorre quando o suco sem cor das uvas fica em contato com a pele das uvas durante o processo de fermentação e absorve a cor da pele. Juntamente com a cor, a casca da uva dá o tanino ao vinho, uma substancia que é parte importante do gosto dos vinhos tintos. A presença do tanino nos vinhos tintos é na verdade a maior diferença de gosto entre os vinhos brancos e vinhos tintos.

Os vinhos tintos variam muito nos seus estilos, isto se dá parcialmente porque os produtores possuem diversas maneiras de ajustar a sua receita pra atingir o resultado que desejam. Por exemplo, se o produtor deixar o suco em contato com a pele por um período longo, os vinhos se tornam mais “tanicos”, sendo mais firmes na boca, como um chá forte. Um vinho tanico pode fazer você querer vomitar. Se os produtores tiram o vinho em pouco tempo, o vinho fica mais leve e menos tanico.

Os vinhos tintos tendem a serem consumidos como parte de uma refeição ao invés de uma bebida pra se beber sozinha. Graças a uma grande variedade de vinhos tintos, você pode encontrar vinho tinto pra acompanhar praticamente qualquer tipo de comida e em qualquer ocasião em que você deseje beber vinho, com exceção dos momentos em que você deseje beber vinhos espumantes, pois a maioria dos espumantes são brancos ou roses.

Uma maneira de estragar o gosto do vinho tinto é bebe-lo muito gelado. Os taninos podem ter o gosto verdadeiramente amargo quando o vinho tinto está gelado, como num copo gelado de um chá muito forte. E outra é bebe-lo muito quente. A regra é: se a garrafa parecer fria na sua mão, ela está numa temperatura boa.

Algumas pessoas reclamam que não podem beber vinho tinto sem terem uma forte ressaca no dia seguinte. Geralmente, eles culpam os sulfitos do vinho. Isso é engraçado, pois os tintos possuem bem menos sulfitos do que os vinhos brancos. Tudo isso porque o tanino dos tintos agem como os preservativos, fazendo com que o uso dos sulfitos seja menos necessários. Os vinhos tintos possuem componentes como a estamina e outras substâncias derivadas das cascas das uvas que podem ser os culpados. Mas com certeza a fonte dessa ressaca não são os sulfitos.

domingo, fevereiro 07, 2010

Sulfitos

O dióxido de enxofre é um componente formado pelo enxofre e o oxigénio, que ocorre naturalmente durante o processo de fermentação, em pequenas quantidades. Alguns produtores de vinhos o adicionam também. O dióxido de enxofre é como a aspirina e a vitamina E para os humanos, uma droga leve que cura todo tipo de aflições e previne outras.

O dióxido de enxofre é um antibacterial que previne o vinho de se transformar em vinagre. Ele inibe as leveduras, prevenindo os vinhos doces de fermentarem novamente dentro das garrafas. É um antioxidante, que mantém o vinho fresco e sem ser molestado pelo oxigenio.

Mas mesmo com todas essas mágicas propriedades, os produtores de vinhos tentam usar os sulfitos o mínimo que podem, pois muitos acreditam que quanto menos você usar, melhor o vinho ficará, como muitas pessoas preferem usar a menor quantidade de remédios possível.

Hoje em dia, o processo de fabricação do vinho é tão avançado que os produtores precisam usar os sulfitos cada vez menos. Mesmo assim, muitos vinhos aqui no Canada e nos Estados Unidos vem escrito nas garrafas que o vinho contem sulfitos. Tudo isso se deu porque o Congresso americano passou uma lei que obriga que este aviso esteja na garrafa.

Assim, muitos bebedores de vinhos passaram a acreditar que hoje em dia existe mais sulfitos nas garrafas do que antes, mas provavelmente hoje em dia ele é usado em níveis bem baixos comparados com o passado.

Aproximadamente 5% dos asmáticos são extremamente sensíveis aos sulfitos. Para protege-los, o Congresso americano criou a lei que obriga que cada vinho que contem mais de 10/1 milhão de sulfitos tem que colocar o aviso de que “contem sulfitos”.

Considerando que entre 10 ou 20/1 milhão ocorre naturalmente no vinho, este aviso cobre praticamente todos os vinhos. A exceção ocorre somente pros vinhos orgânicos, que são intencionalmente feitos sem a adição de sulfitos e alguns que possuem pouquíssimos sulfitos que não precisam usar o aviso na garrafa.

Na verdade, o nível de sulfitos nos vinhos varia entre 30 e 150/1 milhão, o que vem a ser a mesma quantidade em damascos secos. O nível legal máximo nos Estados Unidos é de 350/1 milhão. Os vinhos brancos de sobremesa tem os níveis maiores, seguidos pelos brancos meio doces, pois estes tipos de vinhos precisam de mais proteção. Os brancos secos possuem menos sulfitos e os tintos secos são os que possuem menos.

sábado, janeiro 30, 2010

Vinho branco

Quem criou o termo vinho branco provavelmente não enxergava muito bem. Se você olhar, você vai perceber que ele não é branco, é amarelado. Vinho branco é vinho sem a cor vermelha. Ou cor-de-rosa, que também é da família dos vermelho. Isso significa dizer que o Zinfandel branco, um vinho da cor-de-rosa, não é um vinho branco. Mas vinhos amarelos, dourados, e alguns que são claros como agua, todos são considerados vinhos brancos.

Os vinhos se tornam brancos de duas formas: primeiro, o vinho branco pode ser feito de uvas brancas, que também não são brancas. Elas são esverdeadas, amarelas esverdeadas, amarelas douradas, e até mesmo amarelas cor-de-rosa. Basicamente, uvas brancas inclui todo tipo d uva que não possuem cor vermelha escura ou azul escura. Se você faz vinho a partir das uvas brancas, então é um vinho branco.

A segunda maneira do vinho se tornar branco é um pouco mais complicada. O processo envolve usar uvas vermelhas, mas apenas o suco das uvas vermelhas e não a pele da uva. O suco da maioria das uvas vermelhas não possui pigmentação, apenas a pele.

Assim, o vinho feito apenas com o suco das uvas vermelhas pode ser um vinho branco. Na prática, poucos vinhos brancos vêm de uvas vermelhas. A única exceção é o champanhe.

Você pode beber o vinho branco a qualquer hora que quiser, inclusive beber sem comida acompanhando ou beber com comidas leves. Os vinhos brancos são considerados vinhos aperitivos, que podem ser consumidos antes do jantar, no lugar de cocktails ou em festas. Um vinho aperitivo é vinho que tem sabores adicionados a ele, como o Vermute tem.

Muitas pessoas gostam de beber vinhos brancos quando a temperatura está quente porque eles são mais refrescantes do que os vinhos tintos e os brancos são geralmente ingeridos frios. Serve-se os vinhos brancos frios, mas não gelados. Algumas pessoas tomam o vinho branco gelados, mas pra descobrir o verdadeiro sabor, tem que se tomar na temperatura ideal.

As minhas preferencias estão nos preços entre 10 e 13 dolares a garrafa. E eles são quatro.

1) O californiano Woodbridge Sauvignon Blanc, by Robert Mondavi. Oriundo do Napa Valley. CAD$ 12,95 - 750ml.

2) O sulafricano Two Oceans, tambem Sauvignon Blanc. CAD$ 9,75 - 750ml.

3) O australiano Yellow Tail, Pinot Grigio. CAD$ 11,45 - 750ml.

4) E outro australiano, o Lindemans, Bin 95, Sauvignon Blanc. CAD$ 10,95 - 750ml.

Esses quatro sempre terei em casa, pois apesar de serem bem baratos, caem bem no meu paladar de novato do mundo dos vinhos.

domingo, janeiro 24, 2010

Vinhos

Depois dos trinta anos de idade, descobri uma nova paixão: vinhos. Da última vez que fui vender as garrafas vazias que estavam na minha garagem, eu contei 85.

Perguntando, sempre recebi a indicação de que a melhor maneira de conhecer sobre vinhos era bebendo e fazendo com que o paladar fosse ficando treinado. Nesse sentido, 85 garrafas significa um bom começo, eu acho. Ou na pior das hipóteses, preciso procurar um escritório do AA.

Mas mesmo entre as pessoas que bebem e apreciam vinho há bastante tempo, poucas delas conhecem a fundo sobre o assunto. E nem precisa. Não me interessa saber como é feita a cerveja, outra paixão. Apenas bebo e Corona, a melhor do mundo. Assim, saber sobre vinho não é um requisito pra poder aprecia-lo. Mas, conhecer algumas especificidades dos vinhos pode tornar a sua busca nas compras um pouco mais fácil, aumentar a sua apreciação e o nível de conforto em torno deles.

O vinho nada mais é do que uva fermentada em sua forma liquida. A receita pra transformar a uva em vinho começa com pegar uma quantidade boa de uvas da sua plantação, colocar essas uvas num depósito limpo e que não vaze, espremer as uvas de algum jeito pra extrair o seu suco e esperar. Existem vinhos de outras frutas, mas 99% são de uvas.

Na sua forma mais básica, a arte de fabricar vinho é assim, simples. Depois que as uvas são espremidas, as leveduras (microrganismos que existem nas plantações e nas uvas) entram em contato com o açúcar do suco da uva e gradualmente convertem esse açúcar em álcool. As leveduras também produzem dióxido de carbono, que se evapora no ar.

Quando as leveduras acabam o seu trabalho, o antigo suco da uva se tornou vinho. O açúcar que estava no suco da uva não está mais lá. No seu lugar, chegou o amigo álcool. Dessa forma, quanto mais madura e doce a uva for, mais álcool o vinho terá. Esse processo é chamado de fermentação.

A fermentação é um processo natural que não precisa da ação do homem, exceto pra colocar as uvas no depósito e de tirar o suco das uvas. Louis Pasteur é o homem creditado de ter descoberto a fermentação no século 19.

Mas, se todas as vinícolas fizessem os vinhos dessa maneira rudimentar que foi descrito aqui, vinho não seria essa coisa delicada que é. Hoje em dia, cada vinícola tem seu pequeno truque e é por isso que nenhum vinho tem o gosto igual a outro.

Pode-se controlar o tipo de depósito usado no processo de fermentação e barris de carvalho e de aço inoxidável são os dois mais comuns. Pode-se controlar o tamanho do depósito e a temperatura do suco durante a fermentação. E cada uma desses três fatores pode trazer uma grande diferença no gosto do vinho.

Depois da fermentação, pode-se escolher quanto tempo pra deixar o vizinho amadurecer e em qual depósito. A fermentação pode durar três dias ou três meses e o vinho pode ficar amadurecendo por duas semanas ou dois anos.

Obviamente, um dos maiores fatores em diferenciar um vinho do outro é a sua matéria-prima: o suco da uva. Alem do fato de que uvas mais maduras e mais doces fazem um vinho com maior percentagem de álcool, diferenças nos tipos de uvas fazem diferentes vinhos. As uvas são os personagens principais dos vinhos e tudo o que o produtor de vinhos faz, ele faz pro tipo de uva que tiver.

As uvas não crescem no vácuo. O local que elas crescem, o solo, o clima de cada região de vinho, assim como os objetivos e a tradição de quem planta a uva e faz o vinho afeta a natureza da uva madura e o gosto do vinho feito a partir dessas uvas. É por isso que grande parte da informação sobre vinhos é relacionada em torno dos países e regiões onde o vinho é feito.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Fundos de pensão

O grande mestre Roberto Campos, ou Bob Fields, como a esquerda gostava de chama-lo, pra dizer que ele era um produto americano, nunca conseguiu entender as palavras deste grande pensador. Sempre acusavam-no de ser um dos responsáveis por ter transformado o Brasil num país capitalista. A resposta dele era sempre a mesma: o Brasil no máximo consegue ser um país pré-capitalista!

Ele tinha razão, pois o Brasil só conseguiu engatinhar a ser reconhecido como tal quando aceitou honrar seus compromissos sem dar calotes internacionais (moratórias, como dos anos 80), acabou com a inflação e fortaleceu a moeda. Como eu disse antes, coisas simples como uma vending machine podia operar no país, por exemplo.

Somente com a moeda estável também que as instituições financeiras puderam se profissionalizar e o dinheiro estrangeiro entrou no país. Nessa leva, os grandes fundos de pensão entraram em uma nova fase. Eles descobriram que em tempos de moeda estável não era fácil administrar fortunas enormes. Acostumados com os juros exorbitantes e a ciranda financeira, os fundos de pensão viram seus lucros diminuírem bastante.

Isso é um sinal de que Bob Fields estava certo. No capitalismo americano e canadense, por exemplo, os fundos de pensão e os administradores de fundos mútuos lidavam com essa estabilidade de moeda há bastante tempo, e tinham que pensar e se esforçar pra poderem colocar algum cacau no bolso. No Brasil não, investia o dinheiro na poupança e pegue lá os lucros maravilhosos.

No Brasil, os fundos mudaram suas filosofias e entraram de vez no capitalismo profissional buscando controlar mais os investimentos que tinham que fazer com as contribuições dos associados. O objetivo era conseguir o controle acionário de empresas ou colocar representantes nos conselhos de administração.

A Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, foi quem liderou essa revolução no Brasil. Já em Maio de 1996, possuía 23 integrantes em conselhos de administração de diversas empresas. O Previ possuía nesse mesmo período 15% das ações do Banco do Brasil e conseguiu colocar dois dos sete conselheiros do Banco do Brasil, na reunião de acionistas.

Pra definir a politica de crédito do banco e aprovação de novos diretores, o governo teria que contar com a ajuda da Previ, que naquele tempo possuía um património de 15 bilhões de reais, o que significava 4 vezes o valor do património do próprio Banco do Brasil.

Mas a Previ teve péssimos resultados de aplicações no ano de 1995, o que acelerou uma tendência que estava sendo posta em prática desde 1993, que era como foi dito, a profissionalização dos fundos de pensão. Alem das bolsas de valores terem tido um desempenho fraco em 1995 e os preços dos imóveis terem despencado, o perfil dos fundos passou de arrecadador pra pagador, uma vez que os membros estavam começando a se aposentar.

Na lógica dos fundos de pensão, o dinheiro que entra hoje será a aposentadoria de amanha e por isso precisam crescer. Simples. Mas a rentabilidade média do setor que chegou à 57% em 1994, despencou pra menos de 1% em 1995, mesmo que a legislação dos fundos preveja uma rentabilidade mínima de 6% ao ano. Alguns fundos mais problemáticos tiveram inclusive que enfrentar perdas, como foi o caso da Petros (fundo dos funcionários da Petrobrás), que registrou uma perda de 800 milhões de reais em 1995. A Valia (fundo dos funcionários da Vale do Rio Doce) perdeu 183 milhões e a Refer (fundo dos funcionários da Rede Ferroviária Federal) perdeu 930 milhões e passou a atuar sob intervenção.

Pra sanear essas contas, só existe duas formas. A primeira é aumentar as contribuições e a segunda é escolher melhor os negócios onde investir. A Funcef, que era o segundo maior fundo de pensão do Brasil na época, que tinha patrimônio de 5,3 bilhões de reais, foi um dos poucos que não amargou prejuízo, pois tinha administração mais conservadora e só colocava 20% dos fundos aplicados em ações.

Hoje em dia, o Previ tem 135 bilhões de reais guardados nos seus cofres. Ela investe 60% em renda variável, 35% em renda fixa, 2,5% em imóveis e 2,5% emprestando dinheiro e financiamentos. O Funcef tem cerca de 35 bilhões de reais, 60% investidos em renda fixa, 30% em renda variável, 7,5% em imóveis e o resto em operações com outros participantes. Nota-se ai a diferença de administração, sendo a Funcef bem mais conservadora.

domingo, dezembro 06, 2009

Flamengo: Hexa Campeão Brasileiro 2009!!!!

Ah, como é bom ser Flamengo. Após dezessete anos, estamos aqui de novo no topo do brasileiro. A última vez eu vi junto aos meus amigos Ranyere e Quinino, dentro de uma barraca de cerveja, na vaquejada de Currais Novos. Naquele dia, o do PENTA, a vítima foi o Botafogo de Renato Gaúcho.

Hoje, no dia do HEXA, a vitoria foi de ANDRADE, esse mestre da humildade, que baseado nas palavras de gente do quilate de Zico, SABE TUDO DE FUTEBOL. Andrade, que passou 5 anos esperando a sua chance e que foi assistente técnico de 11 treinadores, soube esperar. A sua mulher não soube. Ficava indignada com o fato de no final do treino, Andrade, penta campeão, brasileiro, sendo quatro pelo Flamengo e uma pelo Vasco, ter que juntar as bolas e colocar nos sacos pra guardar e levar pro vestiário. E agora ele é hexa.

Mas Andrade dizia pra ela, minha nega, isso é normal. Mas ela ficava chateada, pois achava que ele merecia um reconhecimento maior por tudo o que ele já tinha feito pelo Flamengo. Até que no final de Julho desse ano, o técnico Cuca foi demitido e a diretoria, na falta de um nome, colocou Andrade como interino. Na sua estreia como interino, no dia 26 de Julho, o Flamengo vence o Santos com um gol de Adriano, o Imperador. Uma bomba lá de fora da área.

Andrade, chorando, dedicou essa vitoria ao ex-goleiro Zé Carlos do Flamengo, que havia falecido por problemas de saúde. O grande Zé Carlos. Já no dia 30, o Flamengo vence o Atlético Mineiro. A massa inteira nas arquibancadas gritava, numa só voz: FICA ANDRADE!!! No começo de Agosto, atendendo aos pedidos da nação rubro negra, Andrade é efetivado técnico do Mengão. Andrade que formou o famoso meio de campo com Adílio e Zico. Só foi expulso duas vezes em 20 anos de carreira.

Eu já havia dito a gregos e baianos. Se o Flamengo vencer o Atlético Mineiro lá no Mineirão, nós seremos campeões. Dito e feito.

O grande Andrade, quando acabou o jogo final, correu pro vestiário pra comemorar ao seu estilo, tímido, depois de levar um banho de gelo dos jogadores reservas. Bruno ficou na trave chorando, longe do cangerê que estava acontecendo. Léo Moura chorava, Juan Chorava, Adriano chorava. Ibson apareceu pra falar com os ex-companheiros e comemorar junto.

Adriano, o imperador e artilheiro do brasileirão, afirmou que Andrade foi fundamental pra conquista desse título. Com a saída de Kleber Leite e a efetivação de Marcos Braz, foi que Andrade foi contratado. E não teve apoio de quase ninguém, somente do presidente Márcio braga, o tão odiado Márcio braga.

Andrade conseguiu levantar a moral do grupo. Juntou-a a Léo Moura, Bruno e Adriano, os líderes do grupo e com eles, mudou a cara do time. Após a vitoria do hexa, Zico, lá da Grécia por telefone, disse que a permanência de Andrade no comando da equipe foi fundamental pra conquista do titulo.

Outro nome do jogo foi aquele cearencesinho de cabeça chata, zagueiro de profissao, que hoje deum uma de centroavante e foi responsavel pelo gol do titulo: Ronaldo Angelim. VIVA O MENGÃO, VIVA O HEXA. Que venha o hepta!!!

sábado, dezembro 05, 2009

Meu velho

Hoje, dia 5 de Dezembro de 2009, meu pai estaria completando 61 anos caso estivesse ainda vivo. Ele se foi no final de Abril desse ano e dessa forma, esse é o primeiro aniversário dele que ele não está mais entre nós. A última vez que eu o vi ainda com vida foi em Janeiro de 2004. Esse é o outro lado de moeda de se morar fora. Na foto acima, eu, minha mãe e meu pai, na minha Primeira Comunhão, no Colégio Nossa Senhora das Neves, em 1984. Clique na foto que ela aumenta.

Não tenho arrependimentos quanto a isso. Todas as vezes que eu falava da distância, ele me dizia que eu não fizesse a asneira de voltar pro Brasil jamais, pois a bagunça estava generalizada. Ele tinha um verdadeiro pavor de Lula e sua corja. Segundo o próprio, mais conforto eu trazia pra ele estando aqui, dando uma vida decente pras minhas filhas, do que se estivesse por lá, no corre-corre pra tentar escapar.

Nós também não nos falávamos semanalmente ao telefone, mas quando nos falávamos, chegávamos às vezes há quatro horas de conversa. Estava olhando pra algumas contas de telefones antigas e pude constatar essa informação.

Por causa dessa distância, as pessoas que me conhecem hoje possuem a impressão que meu pai foi um pai distante e ausente. Totalmente infundado. Meu pai sempre foi um cara totalmente devotado aos filhos e nunca tive um problema em que ele não estivesse à minha inteira disposição. Sempre compreensível, sempre pronto a escutar o que eu tinha a dizer, meus argumentos. As vezes aceitava, mesmo sem concordar, numa demonstração de humildade e vontade de que eu aprendesse pelas minhas próprias quebradas de cara.

Meu pai adorava sentar-se junto aos meus amigos quando estes iam beber lá em casa. Lá ele escutava histórias, ria e se divertia à Beça. Contava algumas de suas histórias, sempre fazendo comparações entre os tempos, as meninas, as festas, os amassos.

Dos meus amigos do Neves, lembro-me bem de Ranyere, Tapuru e Alberto sempre conversando com ele. Da ETFRN, Alexandre. Da Combate Real, o saudoso Geraldo Segundo e Cristiano Couceiro. Depois que eu vim pro Canadá, do Queima, Kiko ficou bem amigo dele, Bruno encontrava-o de vez em quando em Pedro, assim como Tatá e logo em seguida, nos seus últimos anos de vida, Frederico ficou bem proximo.

Meu pai possuía uma elegância que só posso ligar aos genes, pois toda a sua família é elegante. São pessoas que nasceram pobres e conseguiram crescer na vida, mas carregam uma educacao e uma elegância impares. Poucas as vezes vi meu pai levantar a voz.

Uma vez apenas que lembro de tê-lo visto chorando. Grande parte da família da minha mãe é de Patu. E se não me engano, nessa época, minha tia Iolanda, irmã da minha mãe, estava namorando com Epitacinho, filho do nosso tio Epitácio Andrade, casado com nossa tia, Lourdinha Holanda, e que na época era prefeito de Patu. Não sei que tipo de arranjos se fizeram, pois eu devia ter uns 8 anos de idade e não tinha ideia, mas eu tive que acompanha-la na viagem.

Naquela época, a viagem de onibus de Natal a Patu durava quase 24 horas, com a gente saindo de manhã e chegando lá de madrugada. Meu pai devia estar com algum pressentimento, pois não queria de jeito nenhum que eu fosse. A família ficou convencendo-o, minha mãe brigando e no fim, ele permitiu que eu fosse. E foi até a rodoviária me deixar. Quando eu ia entrando no onibus, e ele chorava, chorava, como se eu não fosse mais voltar. Sentei na janela e fiquei olhando o onibus dando ré e indo embora e ele chorando copiosamente. Aquilo me abalou bastante, nunca tinha o visto chorando e nunca mais vi novamente.

Em um dos nossos últimos telefonemas, ele ainda não estava doente, eu tive a oportunidade de dizer a ele, que sorte meu Deus a minha, que tinha muito orgulho dele. Que mesmo ele não estar gozando de fartura financeira no final de vida, que pelo menos eu nunca havia encontrado ninguém nessa vida pra dizer que papai era desonesto, safado ou filho da puta. E ele rebateu dizendo que se orgulhava muito de mim, pois mesmo com toda a minha brutalidade (palavras dele), eu tinha amigos fieis e que gostavam muito de mim e, quem tem amigos assim, significa que tem grandeza. Me disse que encontrava com pessoas na rua que perguntavam se ele era o pai de Fabiano e ele não tinha a mínima ideia de quem se tratava. Ai o cara dizia que já tinha ido lá em casa, e que gostava muito de mim e isso enchia a alma dele.

Quando descobrimos que seu estado de saúde estava piorando, resolvemos ir ao Brasil. Mas eu ligava pra ele e ele mentia, dizendo que tudo estava bem, que estava melhorando. Marcamos de ir, minha irmã no dia 02 de Maio, meu irmão no dia 11 e eu no dia 12. Ele não esperou nem a minha irmã chegar lá. Acho que não queria que os filhos o vissem naquela debilidade.

Meu pai, fica com Deus, meu querido. Se você tiver certo e de fato existir um plano superior, pode ter certeza que a gente vai se encontrar. Por enquanto, vá tomando umas cervejas geladas com vovô Juvenal e mande ele contar umas poesias e charadas pra Segundinho, que ele vai gostar e dar uma gargalhada daquelas.

Um beijo bem grande e pode ter certeza que tentarei ao máximo passar os ensinamentos que você me ensinou pras suas netas. E evidentemente, estou tomando uma em sua homenagem.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Construção - Fase 1 - Framing

Um das melhores coisas que fiz nos últimos tempos foi me atrever a construir um quarto no porão da minha casa. Com as próprias mãos. Sem contratar ninguém. Por vezes o trabalho fica difícil e cansativo, aí a dica é parar, pensar e continuar no outro dia. Como primeiro projeto, muitos erros foram cometidos, o que evitará bastante perda de tempo quando for começar o segundo projeto do porão, que será o quarto das fornalhas e a laundry room.

O primeiro passo antes de tudo é organizar suas ideias acerca do projeto. O tamanho, o layout e observar os possíveis obstáculos que se terá pela frente. No meu caso, o principal obstáculo eram as tubulações do ar condicionado central/aquecimento que ficam no porão. Eu teria que fazer uma armação para cobri-las e por consequência, iria perder considerável altura do teto.

Foto 1: Como o construtor entrega a parede do basement, com isolamente térmico da metade pra cima e no concreto da metade pra baixo. Na primeira foto do post é o retrato de um ramset, gun que vocês irão ler sobre ela daqui a pouco.

O frame (quadro) é todo feito de madeira, afinal o drywall precisa ser preso na madeira. Algumas pessoas usam essa armação de metal, mas eu preferi seguir o caminho mais tradicional e usar madeira. A vantagem de metal é que ele não se expande e contrai com a mudança de temperatura e não é alvo de cupim. Também, não precisa ficar escolhendo as ripas de madeira pra ver se elas estão empenadas ou não.

Porem, escolhi a madeira. Usei os famosos 2 x 4, que são pedaços de madeira de 1 polegada e meia de espessura por 3 polegadas e meia de largura e que geralmente são vendidos com 8 pés de comprimento. A expressão two by four é usada pra simplificar essas medidas (2 = 1,5 e 4 = 3,5).

Uma gozação corrente é mandar novatos na construção procurar 2 x 4 com uma fita métrica na mão e eles nunca acham, pois todas as madeiras são 1,5 por 3,5. Foram necessárias 50 ripas.

A parte do frame é importante pois um frame em esquadro e certinho, facilita bastante o trabalho do drywall e assim por diante. Pra começar, temos que colocar os two by four deitados no chão, fazendo o layout do quarto, assim como seguindo ao lado da parede ao redor de todo o quarto, deixando o espaço da porta. Adicionei o local pro armário embutido.

Foto 2: Observe as madeiras no chão, no teto e as que ficam em pé.

Como o chão do porão é de concreto e a minha casa já tem 7 anos de construída, não é fácil perfurar o concreto pra poder aparafusar a madeira no chão. Segundo a literatura, o concreto vai ficando cada vez mais duro com o passar dos anos.

Assim, os parafusos enormes que comprei foram inutilizados e tive que recorrer à ajuda de uma ram-set gun, que nada mais é do que um cano de uma espingarda que fica com um prego numa ponta, uma bala de 22 na agulha e o gatilho é acionado por uma pancada de martelo. É um tiro de fato, que empurra o prego concreto adentro, prendendo a madeira ao chão.

Feito isso por todo o seu layout, começa-se então a criar a armação, com os two by four perpendiculares à madeira do chão e à madeira que ficará no teto. Aconselho a medir corretamente e pregar logo os two by four na madeira que ficará no teto antes de colocar no lugar. Aí depois é só levantar e bater os pregos na parte na madeira que está no chão. Esse conselho é pratico pois bater os pregos enviesados pra cima é bastante chato.

Como o quarto tem 4 paredes, duas ficam perpendiculares às vigas da casa e duas ficam paralelas. Evidentemente, perpendicular é bem mais fácil pois encontra-se madeira pra pregar o seu frame em qualquer lugar. Paralelas é mais complicado, pois você tem que adicionar madeira em quase toda junta. Você as vezes pode querer mudar um pouco a localização da parede pra se adequar à viga do teto, mas tome cuidado pra não bagunçar tudo em nome da preguiça de pregar umas madeiras extras. Cada madeira que fica em pé tem que ficar a uma distância de 16 polegadas uma da outra, que vem a ser o padrão canadense.

Foto 3: A parte do armário e a abertura da porta. Observe que a parede direita já foi feita pelo construtor, que vem a ser um das paredes de sustentação da casa. Eu tive que fazer as outras três paredes pra sustentar o drywall. A parede do fundo ainda falta fazer na foto.

Pra essa parte do trabalho, você precisa de fita métrica, de uma ramset gun, de pregos pra ramset, de cartuchos de 22, de linha de giz, martelo, pregos spike de 3 polegadas e meia (16d), nível, esquadro e uma serra circular.

Fita métrica você precisa pra a cada minuto, pois tudo tem que ser medido milimetricamente. A ramset gun, seus pregos e cartuchos, como já disse, é pra assentar a madeira do chão no concreto. A linha de giz é pra marcar linhas pra futuro corte. Pregos spike de 3 e meia polegadas são necessários pra junção de dois 2 x 4, uma vez que 1,5 polegadas é o primeiro 2 x 4 e então ele entra mais 2 polegadas dentro do madeira a ser juntada. Nível é necessário pra manter tudo em esquadro e correto e uma serra pra poder fazer os cortes na madeira. Também usei um esquadro quando estava montando o frame, facilita bastante e acelera o trabalho de juntar as madeiras e de cortar.

Tenha sempre a certeza de que as madeiras que ficarão em pé estão sempre alinhadas com a de cima e a de baixo, senão isso afetará na colocação do drywall, causando uma baixa ou uma barriga.

Os custos pra esse parte 1, que foi o framing, se não tiver as ferramentas, seriam de:

Fita métrica – marca Husky, 7,6m/25 polegadas custa $12,47. A ramset gun custa $32,99, uma caixa com 100 pregos de 2 polegadas e meia custa $15,99 e os cartuchos de 22 custam $10,99, a caixa também com 100 unidades. A gun, os pregos e os cartuchos são todos da marca Ramset.

As ripas de madeira pro frame foram da marca Tembec, e custaram $2,37 cada uma, totalizando $118,50. Uma caixa de prego spike 16d com 180 pregos custa $12,69, da marca Tree Island. Um martelo de framing da marca Stanley de 28 onças custa $49,99. A linha de giz custa $9,99 da marca Irwin e um nível de laser no formato mouse de computador custa $19,99, da marca Johnson.

Uma serra circular da marca Skil, de motor de 2.3 HP custa $59,99, com serra de 18,4 centimetros de diâmetro ou 7 polegadas e ¼. E o esquadro de carpinteiro de 8 polegadas por 12 custa $7,79, da marca Johnson. O total pra essa primeira parte do projeto seria de $351.38 + 13% de impostos, ficaria $397.05.

Porem, eu já tinha o martelo e a fita métrica, então subtrai-se e fica-se com a conta de $288.62 + 13% de impostos, que é igual a $326.14.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Manulife

Eu tenho dois bebês quando se tratam de ações. Um se chama Royal Bank of Canada e o outro chama-se Manulife Corporation. Um é o maior banco do Canadá e a outra a maior empresa de seguros canadense. São essas duas empresas que eu acompanho todos os dias, afinal de contas, é do meu profundo interesse saber o que acontece com elas.

Sem muitas novidades no Royal Bank, a novidade dessas últimas semanas nos jornais foi a Manulife. Com a intenção de arrecadar 2,5 bilhões de dólares, colocaram mais ações no mercado, diluindo o preço de cada ação. A empresa alega que está se posicionando pro longo prazo.

A empresa acredita que mesmo abaixando o valor de cada ação, que caiu da casa dos 22 dólares pra casa dos 18 dólares, eles estão pegando dinheiro suficiente pra se protegerem contra cenários económicos mais negativos e se posicionando a tirarem vantagem de aquisições atrativas e assim como, terem maiores oportunidades de crescimento.

Esses dois bilhões e meio de dólares foram vendidos a um grupo liderado por duas empresas: Scotia Capital e Royal Bank of Canada Dominion Securities. Eles compraram a ação à 19 dólares, quando ela valia 22 no mercado.

Os investidores não reagiram bem a operação realizada pela Manulife. Tudo isso porque a ação da empresa já vinha recebendo pressão do mercado por muitos meses consecutivos depois de cortar os seus dividendos pela metade no começo de 2009.

A notícia não agradou ao grande Stephen Jarilowsky, presidente da Jarilowsky Fraser Ltd., um dos maiores acionistas da Manulife. Jarilowsky é considerado o Warren Buffet canadense. Começou do nada e hoje tem uma das maiores fortunas do setor financeiro. Ele disse que ficou terrivelmente desapontado, pois segundo ele, se a empresa cortou os dividendos pela metade, deveria ter dinheiro em caixa pra se defender e a ultima coisa que eles deveriam querer era mais diluição do valor da ação ao emitir mais ações. A Manulife atualmente tem 1,61 bilhões de ações no mercado.

Isso me deixa um pouco preocupado, mas ao mesmo tempo, acho que a hora é boa pra comprar ações da Manulife. Jarilowsky sabe muito bem disso e ele mesmo deve estar comprando mais. Eu tive a oportunidade de assistir uma aula dele na HEC Montreal, onde fiz meu curso de mestrado. Ele foi professor convidado pra nossa turma de “Liderança de Analises de Caso”, da professora titular Francine Harel Giasson. O valor da ação da Manulife ontem, primeiro de Dezembro foi de $18,70.

sexta-feira, novembro 27, 2009

The Stout Monk Pub

O Segundo Pub da minha lista de exploração de pubs em Oakville foi o The Stout Monk Pub, situado num pequeno mall na esquina das ruas Neyagawa e Dundas. A área é excelente e o pub é de alto nível. Situado no coração de Glen Abbey.

Trata-se também de um pub com nova administração. Os atuais sócios possuem o pub há apenas 3 anos. O pub que estava no lugar dele fechou as portas pois tocava música ao vivo muito alta, atrapalhando os clientes que não podiam comer direito, nem beber e nem conversar. E isso foi um pecado capital, pois são essas as razões pelas quais as pessoas vão pros pubs: beber, comer e conversar.

Os novos donos Kevin McDermott e Rick Przybylski fizeram então pequenas reformas transformando o bar temático de golf. Eles são jogadores inveterados de golf e organizam um torneio anual de golf com intuito de caridade. Só de clientes no ano passado participaram 92 pessoas, o que dá pra ter uma ideia da lealdade da clientela de lá.

A comida é muito boa e a seleção de chopps é enorme. Lá tinha Stella Artois, por exemplo, que não tinha no pub anterior. E cada chopp que você pede, vem com uma taça com a logomarca da bebida em questão. Um detalhe que mostra a importância dos donos com a qualidade que são servidas as bebidas: à perfeição.

Pra comer, pedimos umas asinhas de frango que eram a especialidade da casa. Vieram boas, mas com pouco sal pros gostos mais salinos. Eu gostei tanto que pedi outra porção. Também comemos as quesadillas e um nachos com molho de caranguejo com espinafre.

A garconete era amigável todo o tempo, sempre a disposição e com sorriso no rosto. O staff também foi bastante amigável e a estadia foi das melhores. Pegamos uma booth e ficamos praticamente sozinhos com uma TV de plasma só pra gente. Irei voltar lá com certeza.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Remembrance day

Semana passada vim trabalhar normalmente como faço todos os dias. Quando cheguei no trabalho, vi que todo mundo tinha um broche em forma de rosa vermelha no lado esquerdo do peito. Sabia que era o Remembrance Day, sei que o broche, conhecido como “Poppy”, representava o Remembrance Day, mas mesmo assim, continuei fazendo o que estava destinado a fazer.

Como trabalho num complexo de prédios, estava saindo de um prédio e ia entrar no outro, do outro lado da rua e vejo uma aglomeracao de pessoas em torno da bandeira canadense e da bandeira da província de Ontario. Distraído, perguntei a uma senhora que se encaminhava o que se tratava aquela reunião de pessoas. Ela me disse com cara feia que iam fazer dois minutos de silencio em homanagem aos veteranos mortos nas guerras que o Canada entrou, especialmente a Primeira Guerra Mundial.

O presidente da empresa saiu e com as bandeiras à meio pau, fizemos dois minutos de silencio. Claro que me juntei, pois sempre admirei o respeito prestado àqueles que dão suas vidas em prol do seu país. Os dois minutos de silencio ocorre no dia 11 do mês 11 às 11 horas, que foi quando a Alemanha assinou o armistício em 1918. O Remenbrance Day foi criado pelo rei George V logo em 1919.

No Canadá, o remembrance day é feriado em todas as províncias menos Ontario e Quebec. A cerimonia oficial é realizada no National War Memorial, em Ottawa. Este ano o Principe Charles estava aqui na cerimonia.

O Poppy é baseado no poema do médico militar canadense John McCrae, chamado In Flander’s Fields. O emblema foi escolhido por causa das flores que voavam nos campos de batalha de Flandres, na primeira guerra e sua cor vermelha é pra simbolizar o derramamento de sangue nas trincheiras.

quinta-feira, novembro 12, 2009

A gripe suína (H1N1) – Parte 2

Se existe dificuldade de respiração e febre acima de 38,5, corra e procure ajuda médica. Isso é o que escutamos aqui das autoridades médicas. As crianças são mais expostas porque os seus sistemas respiratórios não foram expostos à uma variedade de gripes muito grande e por isso são mais vulneráveis. A reação inflamatória pode ser muito mais severa nas crianças. Essa doença ataca os pulmões de forma mais concentrada do que a gripe normal.

Qualquer pessoa com a gripe suína deve começar a se sentir melhor após 3 dias. Se nesse período não melhorar, também é necessário buscar ajuda médica.

Como a doença se desenvolve? Primeiro, o vírus entra no corpo e você não percebe, mesmo antes de qualquer sintoma. Se o seu corpo tem imunidade suficiente, você coloca o vírus pra fora através do nariz.

Se o seu sistema não tem imunidade suficiente, o vírus começa seu caminho pelo nariz e então entra nos canais respiratórios mais baixos. Ali, a diferença entre se alguém se torna doente e quão sério será, vai depender da imunidade do seu sistema.
O vírus então cola nas células epiteliais do sistema respiratório e se dividem ali. Começam a se reproduzir nas células e novas e maiores formas do vírus são criadas.

Nesse ponto, se esses vírus irão colar na serie de células seguintes ou não ou se alguns vírus ou todos serão capturados pelos anticorpos ou não, vai depender também da sua imunidade. Se você estiver imune, o exército de vírus não estarão aptos a realizarem um ataque.

Se você não está imune, o vírus fica se reproduzindo e o processo cresce em progressão geométrica. Ai o individuo pega mais infecção das células respiratórias e começam a se acabar as células sadias. Nesse ponto, ela se transforma em pneumonia viral.

Se o pulmão inteiro for afetado, começam os problemas com o fluxo de oxigénio que sai do pulmão pras veias e você precisará de uma máquina pra ajudar a fazer esse trabalho. Se isso não for feito rápido o suficiente, o paciente corre sério risco de morrer.

A gripe suína (H1N1) - Parte 1

quarta-feira, novembro 11, 2009

A importância das marcas

A maioria das pessoas não conhece o nome do fabricante de muitos produtos de grande popularidade, o que comprova que os consumidores estão mais interessados na qualidade e na imagem do que compram do que propriamente na sua procedência.

Isso leva a crer que as marcas são de fato o mais valioso patrimônio das empresas. Graças a expansão e difusão da tecnologia, os produtos concorrentes tornaram-se cada vez mais parecidos e o grande diferencial na hora da venda passou a ser a imagem que cada marca transmite ao consumidor. Assim, quando se compra uma empresa, não se adquire somente um parque industrial, mas uma marca posicionada no mercado. A marca Coca-Cola, por exemplo, foi avaliada em 68.7 bilhões de dólares, em 2009. A IBM é a segunda colocada, tendo a marca valendo 60.2 bilhoes de dólares. A Microsoft é a terceira, que vale 56.6 bilhoes de dólares. Mesmo com todo esse conhecimento, no Brasil, somente no começo de 1996 foi que o Congresso Nacional aprovou uma lei de patentes que protegia a propriedade industrial e combate as fraudes e piratarias.

A Gessy Lever fabrica o sabão em pó Omo no Brasil desde 1957. Em 1995, numa pesquisa realizada pela Folha de São Paulo, a marca Omo foi a marca mais lembrada no Brasil, superando até mesmo a Coca-Cola. Outras marcas são tão consolidadas que acabam tornando-se sinônimo do próprio segmento em que atuam, como é o caso da Gillete, Cotonetes, Bombril, Modess e Xerox, todas pioneiras em suas categorias.

Este fenômeno também ajuda a comprovar que as marcas lideres de mercado são freqüentemente as mais antigas, cujas quais já foi investidos muito dinheiro. Observe também o caso da Nike, que sua marca vale 13.1 bilhões de dólares e ela não possui uma única fabrica sequer ao redor do mundo. Toda a sua produção é terceirizada, e como o McDonalds, segue o mesmo padrão de qualidade no Brasil ou na Coréia e mesmo assim vale uma fortuna.

Outro ponto importante é perceber que as marcas têm personalidade e que o consumidor as entende como pessoas. Marcas podem parecer jovens, modernas, simpáticas, ultrapassadas, e etc. A construção da marca se baseia em quatro pilares: 1) diferenciação, o que a torna singular; 2) relevância, o que a faz importante; 3) estima, o respeito que o consumidor lhe devota e 4) familiaridade, a penetração mais intima do seu conceito de mercado.