A nossa história começa no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, onde
um conflito entre Policia Militar e estudantes resultou na morte de Edson Luís
de Lima Souto, um estudante de 18 anos, que levou um tiro no peito. Quase ao
mesmo tempo, num escritório perto do restaurante, uma bala perdida atingia a
boca de Telmo Matos Henriques, de 39 anos, que trabalhava ali tranquilamente.
Esse episódio ocorreu no dia 28 de março de 1968 e marca o começo de uma
nova era de manifestações estudantis que atingia várias cidades brasileiras. A
maioria dessas manifestações ocorria sem repressão da polícia. Quando a polícia
estava no local, os manifestantes partiam pra cima. Era uma fase diferente que
quebrava o silêncio dos estudantes depois de quase cinco anos de quietude. De
um tempo de protesto romântico, os estudantes entraram na fase da violência, da
luta contra a Polícia.
Quando alguns podem pensar que de fato esse protesto havia sido feito mesmo
pelos estudantes e já achar estranho que estudantes em vez de estarem estudando,
estivessem trocando pau com a polícia, a verdade não era bem essa. A verdade é
que, grande parte dos estudantes era dirigida por elementos estranhos à classe
estudantil. Na sua grande maioria, os cidadãos que estavam por trás desses
tumultos eram integrantes do então extinto Partido Comunista.
O confronto estudantil com o governo era utilizado por esses líderes de forma
pensada, pois sempre que havia um conflito, o governo saía perdendo. Se um
soldado da polícia saía machucado, o governo aparentava uma posição frágil aos
olhos da opinião pública. Se um estudante saía machucado, o governo era chamado
de opressor. E tudo isso era de conhecimento de quem organizava essas manifestações.
Até hoje é.
Então se a Polícia era enviada para o local, ao chegar, já era recebida na
base da porrada, pois essa era a técnica. Não existia diálogo, nem pausa. Avistaram
a polícia? Baixem o pau, estudantes do meu Brasil!!! Mesmo com alguns cortes e
até algumas possíveis mortes, o resultado é maior, em prol do nosso plano
sinistro.
Tudo era muito treinado, como a tática de todos os estudantes andarem ao mesmo tempo na contramão no meio da rua, na hora do rush, com o intuito de atrapalharem a polícia e o trânsito. Para atrapalhar a cavalaria, os estudantes passaram a jogar milhares de bolas de gude, com o intuito de derrubarem os cavalos. Alem disso, as bolas de gude também serviam como pedras contra o cavaleiro.
Como a polícia não conseguia chegar perto dos vândalos, pelos motivos
citados, e não podiam revidar, só restava a arma de fogo e por isso começaram a
ter resultados mais desastrosos. E com a vantagem de ainda saírem dizendo: “atiraram
em estudantes que a única arma que possuíam eram bolinhas de gude”. Tudo sinistramente
orquestrado, para sempre se fazerem de coitadinhos, quando na verdade eram
lobos em peles de cordeiros.
Tudo estava começando a se esvair no ar, quando em setembro de 1968, a
polícia invadiu a Universidade de Brasília depois que essa turma se apossou da instituição,
reaquecendo a discussão sobre o tema e dando inicio a uma crise no governo sem
precedentes.
Um estudante foi ferido gravemente e alguns deputados também foram pro pau,
quando tentavam ajudar alguns estudantes. Logo após a invasão, professores,
alunos e funcionários da Universidade lançaram um manifesto falando em “Operação
militar em um país em guerra”.
O Exército não ficou satisfeito com a ação da Polícia Militar, que agiu de
forma independente nesse evento da invasão da Universidade de Brasília. O
governo ficou chateado pois se tratava de propaganda negativa. O Ministro da educação
de então, Tarso Dutra, declarou na imprensa que houve imprudência das
autoridades policiais de Brasília e próprio presidente Costa e Silva veio a
público pra expressar sua vontade em prol do fim dessa violência.
Só para se ter uma idéia de quão “braba” era a ditadura até o momento. O
governo se preocupava porque a polícia invadia uma universidade, tomada por manifestações.
Não houve mortes. E isso já tínhamos 4 anos e meio de governo militar. Esses quatro
anos e tanto são esquecidos por aqueles que adoram contar a história da forma
deles.
A verdade é que o mundo estudantil é um micro cosmo do mundo político
geral. Poucos lideres tem suas benesses e vantagens, enquanto a grande massa de
idiotas aceita e segue o que lhes é passado. Ocorre na vida política e ocorre dentro
do movimento estudantil. Quem não se lembra de Lindemberg Farias, dos Caras
Pintadas, nos anos 1990?
Lembro-me quando ainda fazia o meu curso de Mecânica, na então Escola Técnica
Federal do Rio Grande do Norte, nos primeiros anos da década de 1990. Tínhamos
lá um sujeito chamado Valdemar Soares, que era o presidente do grémio estudantil.
Vivia a incitar greve e em algumas oportunidades, saiu com um grupo de
estudantes mais afoitos pra trocar pau com a polícia na Hermes da Fonseca, em
frente a Escola. Evidentemente, logo que passou a fase de apanhar da polícia,
entrou pra política. É um caminho traçado conscientemente por eles.
E porque ele saiu pra trocar pau com a polícia? Porque os estudantes da
ETFRN estavam apoiando a greve dos motoristas e cobradores de ônibus, que alem
de não estarem trabalhando, ainda bloqueavam uma das principais artérias viárias
da cidade, impedindo que a cidade funcionasse direito. A polícia veio pra
estabelecer a ordem e o que os estudantes queriam ia acontecer. A troca de pau
com a polícia é sempre benéfica pro movimento.
Então, gostaria que ficasse o registro de como começou a violência no período
militar, que passou o governo Castelo Branco em brancas nuvens. O ano de 1968 foi
o ano 1 da porradaria, que acarretaria no Ato Institucional numero 5 no final
do ano, por causa, entre outras coisas, da crise política que se instalou no
país. Crise essa oriunda desses conflitos com os “estudantes”.
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